AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a possível sequência de Tintim

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Confira o bate-papo com o saudoso dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

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10 janeiro, 2025

96 anos e uma pergunta: Qual a idade de Tintim?

 Tintim e Milu chegaram aos 96 anos. Os quase centenários personagens fizeram sua estreia em 10 de janeiro de 1929, nas páginas de um jornalzinho para a juventude belga, o Le Petit Vingtième, e, ao longo de mais de oito décadas, conquistaram gerações de crianças de 7 a 77 anos - e além.



Foram 23 álbuns em quadrinhos e um de esboços, com traduções para mais de cem idiomas, edições especiais, adaptações para TV, video-games, teatro, rádio e cinema, em animações em preto-e-branco e em cores, filmes com atores, em stop-motion e finalmente em computação gráfica. Isso sem contar os inúmeros livros teóricos, biografias e análises de uma obra que começou sem grandes pretensões, mas destinada transformar seu criador e criatura em um sucesso editorial, além de abrir as portas para um estilo consagrado: a linha clara.

É uma longa história, da qual já falei e ainda espero falar muito aqui. Então, desta vez, vou fazer diferente. Se quiser conhecer mais sobre a origem de Tintim e Milu, dê uma olhada neste link. Porque agora vamos falar sobre uma dúvida que provavelmente já passou por sua cabeça: qual a idade de Tintim?


Em primeiro lugar, lembre-se de que estamos falando de uma obra de ficção, então não espere uma grande verossimilhança. Segundo, esqueça a ideia de que, para ser repórter, Tintim teria levado alguns anos na universidade ou algo do tipo. Uma das figuras nas quais o personagem foi baseado era um garoto de 15 anos que deu a volta ao mundo a serviço de um jornal (relembre essa história aqui). Logo, o período na universidade não precisa entrar na conta para chegar à possível idade do ruivinho.

As várias (mas não todas) as faces de tintim ao longo de nove décadas.

Vamos ver, então, a opinião que realmente conta, nas palavras de ninguém menos que o criador de Tintim: Hergé!

Em uma entrevista concedida em dezembro de 1978 para Pierre Boncenne, às vésperas dos 50 anos do repórter e com cerca de álbuns publicados, o criador se colocou na posição da criatura para responder a várias questões, de sua criação à seu sustento e até família.

Sobre seu nome, "Tintim" diz que nem Hergé se lembrava da origem, mas que "sem dúvida ele escolheu os primeiros sons que vieram aos seus ouvidos", porque teve que criar algo "instantaneamente". Segundo o entrevistado, Hergé não acreditava que o personagem existiria por mais de seis meses. "Ele nunca pensou a princípio que viveria de minhas aventuras", conta. "Foi só quatro ou cinco anos depois que eu nasci que meu pai realmente me levou a sério".

Mas, finalmente, quantos anos tinha Tintim? A resposta, nas palavras do próprio repórter, foi esta: "Pergunta difícil. Quando meu pai me criou eu tinha quatorze anos. Meu pai era um  escoteiro, tinha quatorze anos quando foi escoteiro. Hoje, cinquenta anos se passaram e eu diria que tenho dezessete anos de idade. É tão raro que você não vai encontrar: depois de cinquenta anos, envelheci apenas três anos!" Questionado sobre o amor, Tintim conta que, embora tenha a forma de um jovem de dezessete anos, 'moralmente ainda tem quatorze', talvez por isso seu pai nunca tenha lhe apresentado um par...

É claro que, oficialmente, Tintim não tem idade. Assim como não tem um sobrenome, pais ou parentes, ele está ali como um avatar para os leitores de diferentes idades poderem se imaginar em suas aventuras. A entrevista com Tintim foi uma brincadeira para a revist Lire nº 40 e está disponível na íntegra em francês no L'express.
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12 outubro, 2020

"As Joias da Castafiore" será título do novo filme, afirma diretor. Moulinsart desmente


Por essa ninguém esperava! Depois da live do Canal TPT praticamente confirmando um novo filme de Tintim produzido por Steven Spielberg e dirigido por Peter Jackson, o mundo tintinófilo acordou com uma surpresa: Tintim deve ganhar uma nova adaptação para o cinema, dessa vez tendo o álbum "As Joias da Castafiore" como título. Pelo menos é isso que garante o diretor do novo longa, Patrice Leconte.

A notícia já está se espalhando pela rede: em entrevista ao jornal Var-Martin, o cineasta francês de 72 anos anunciou que estaria a cargo da adaptação de um novo Tintim para o cinema, baseado no 21º álbum de Hergé. 


"Um jovem produtor está negociando com os Estados Unidos os direitos de 'As Joias da Castafiore'. Ele me confiou o projeto e eu acho ótimo! A Paramount França está no céu de felicidade. O projeto é, entre outras coisas, imaginar que o menor papel seja interpretado por alguém famoso. Temos nossos Castafiore e Haddock”, garante o cineasta. Quanto a Milu? "Vamos usar qualquer vira-lata", brinca.

Ainda segundo Leconte, as negociações "estão um pouco travadas por uma questão de direitos com a Paramount". Procurado pelo Le Figaro, ele diz que não pode falar muito a respeito, mas dá a entender que já existe um acordo com a Casterman e Moulinsart quando revela que o impasse está "não com os herdeiros, mas com os americanos que detêm os direitos".

Atualização: Em entrevista ao Le Soir, Nick Rodwell, administrador dos direitos da obra de Hergé, desmentiu Patrice Leconte. "Nunca vi este senhor", disse o marido da viúva de Hergé, garantindo que as notícias sobre a adaptação do álbum "são fake news" e que nunca houve conversa sobre o projeto. Rodwell e Leconte já mantiveram contato depois do mal-entendido e "estão felizes em relatar que o respeito mútuo foi restaurado". "Se surgir a oportunidade, eles ficarão felizes em trabalhar juntos", conclui a nota no site oficial de Tintim. O cineasta ainda não se manifestou.

última vez em que os detentores dos direitos da obra de Hergé falaram sobre Tintim no cinema foi para declarar que o projeto de Spielberg e Jackson ainda estava de pé.


"As Joias da Castafiore", publicada em 1963, é a única aventura de Tintim a se passar por completo nos arredores do castelo de Moulinsart, o que reduziria os custos de uma adaptação cinematográfica. A história, que já virou musical ao ar livre e peça de teatro,  gira em torno de uma sucessão de mal-entendidos envolvendo o desaparecimento da esmeralda de Bianca Castafiore, e conta com a participação dos principais personagens da série.

A proposta de Leconte seria levar uma adaptação com atores reais às telonas, o que só aconteceu nos anos 1960 com os filmes estrelados por Jean-Pierre Talbot. Bianca Castafiore foi interpretada pela atriz Jenny Órleans no segundo longa, "Tintim e as Laranjas Azuis" (Tintin et les Oranges Bleues"), de 1964.

Jenny Órleans e Jean-Pierre Talbot no filme de 1964

Sobre o diretor:

Patrice Leconte iniciou sua carreira como desenhista da revista Pilote, concorrente francesa do Journal de Tintin. Começou sua carreira como diretor e roteirista de cinema em 1976, com filmes distribuídos em sua maioria apenas na Europa. Recebeu vários prêmios pela sua obra, tendo certa relevância no circuito de arte internacional. No último dia 10 de outubro, recebeu o prêmio pelo conjunto da obra no Festival de Cinema de Monte-Carlo (foto no início do artigo).

Antes de levar sua versão de "As Joias da Castafiore" para as telas, Leconte trabalha em uma adaptação da obra de Georges Simenon, com Gérard Depardieu no papel do comissário Maigret.  Como o atual projeto começa a ser rodado em fevereiro de 2021, "então o ideal seria [começar Tintim] depois", conclui o cineasta.

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03 janeiro, 2018

Quantos idiomas Tintim domina?

Tintim, o repórter globalizado, também fala mandarim?

Pergunta do tintinófilo Ailton: Tintim era um cara que viajava muito pelo mundo, visitando vários países, mas, quantos idiomas ele falava?

Já que não estamos falando do número de traduções das aventuras de Tintim, que já ultrapassam os 100 idiomas, levei seu questionamento para um grupo de estudos tintinólogos (mais conhecido como Hergé Brasil) a fim de, junto com outros peritos, chegar a uma conclusão. Vejamos...

Considerando o espírito aventureiro de nosso repórter e sua disposição para se relacionar com as pessoas, imagino que ele seja poliglota... (Troglodita? 😐 Não! Poliglota!) - Carmem Toledo.

Se não me engano, no álbum O Templo do Sol, o Tintim tenta perguntar algo pra uma múmia numas 3 línguas diferentes - Nathalia Barbosa (é isso mesmo, veja a imagem à direita).

Parece-me uma falsa questão, no sentido de Hergé não lhe dar significado a não ser quando disso necessitou para efeitos dramáticos. Em numerosas ocasiões em que interage com indivíduos de outras nacionalidades Tintin não tem qualquer dificuldade de comunicação e noutras a barreira ergue-se. Não é, portanto, uma questão cristalina e de resposta unívoca. - conclui Jorge Macieira.

Mas, considerando todos os países pelos quais Tintim passou, mais especificamente aqueles nos quais ele se comunicou fluentemente com alguém, dá para ter uma ideia de quantos idiomas ele domina? Vamos tentar.

Francês: Língua materna de Tintim, é falada pelo repórter em seu dia a dia em Bruxelas. Levando em conta que a Bélgica também tem o neerlandês (holandês ou flamenco) e o alemão (que ele chega a usar em seu primeiro álbum) como idiomas oficiais, é natural que ele também tenha certa fluência nessas línguas.

Inglês: Na aventura de "Tintim na América", o repórter consegue se comunicar sem dificuldades com norte-americanos dos mais diversos sotaques, desde os nativos até os gângsters de Chicago. É difícil acreditar que todos aqueles estadunidenses falassem francês, apesar de algumas frases serem apenas pinceladas com expressões anglofônicas. Tintim volta a interagir com falantes do idioma em sua viagem à Grã-Bretanha, no álbum "A Ilha Negra".

Espanhol: Em suas viagens pela America Latina, tanto em "O Ídolo Roubado" como em sua última aventura finalizada, "Tintim e os Tímpanos", Tintim nunca precisou de intérprete. Isso sem contar sua incursão no Peru, em "O Templo do Sol " - ou será que era Zorrino que falava muito bem o francês?

Mandarim: No álbum "O Lótus Azul", o repórter conhece a China e mantém contato com Tchang e sua futura família. Diferente dos Dupondt, que até hoje não entendem qual foi a mensagem que Tchang escreveu (na língua chinesa) para a polícia, fazendo a dupla passar por um par de loucos.

E quanto aos idiomas da Sildávia e da Bordúria? O tintinófilo Ivo Coser pontua: Quando ele encontra dois camponeses locais ele não entende o que eles falam. Talvez a elite local falasse francês. De fato, o idioma francês é bem presente na Sildávia, o que é evidente em placas e cartazes do país criado por Hergé.

Ah, como bem lembrado por Ivo, não podemos esquecer o elefantês, que ele fala em Charutos do Faraó.

:: TPT recomenda: clique aqui e tenha acesso a um dossiê completo (em francês) sobre os idiomas falados nas aventuras de Tintim, com referências diretas aos álbuns.
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10 janeiro, 2016

87 anos: não faltam motivos para amar Tintim

Em 10 de janeiro de 1929, chegava às bancas a primeira aventura de Tintim e Milu, as mais famosas criações de Hergé. De lá pra cá, foram 23 álbuns em quadrinhos completos e um com esboços de seu criador, dois filmes de cinema com atores reais e dois em animação tradicional, um longa em 3D, várias animações para televisão, incontáveis produtos de vestimentas a objetos de arte... Enfim, Tintim e Milu têm quase um século de história, e a data de sua criação não deve passar em branco. Vida longa!


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Conheça a origem de Tintim
7 inspirações de Hergé para criar Tintim

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10 janeiro, 2014

7 inspirações de Hergé para criar Tintim

Tintim nasceu em 10 de janeiro de 1929, nas páginas do semanário infanto-juvenil Le Petit Vingtième, suplemento do jornal belga Le Vingtième Siècle. Isso provavelmente você já sabe, mas o que talvez ainda se pergunte é: em quem Hergé se baseou para criar Tintim? Conheça agora mais de 7 inspirações que podem ter influenciado o artista belga na criação de seu mais célebre personagem.


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10 janeiro, 2012

83 anos não são 83 dias...

Hoje nosso herói e seu fiel companheiro completam 83 anos de vida. Foi no dia 10 de janeiro de 1929 que Tintim e Milu deram as caras pela primeira vez no jornal belga "Le Vingtième Siécle", dentro do suprimento infanto-juvenil "Le Petit Vingtième".


Durante esta semana, acompanhe uma série sobre a carreira deste brilhante repórter, que depois de octogenário está finalmente chegando aos cinemas de todo o mundo.

:: Para começar, leia o texto O Legado de Hergé, cortesia da Sony Pictures, distribuidora do filme no Brasil:

Em 1929, um ilustrador belga de 21 anos criou uma nova série de HQs em quadrinhos que apresentavam um jovem e intrépido repórter e seu fox terrier branco viajando pela União Soviética. A HQ, conhecida como Tintim, foi um sucesso imediato junto aos leitores, mas o jovem artista inexperiente conhecido como Hergé (um jogo sonoro com as iniciais do seu nome, Georges Remi, invertidas, “RG”) jamais poderia ter previsto a incrível e longa aventura na qual o seu personagem estava prestes a embarcar. 

Cinco décadas e duas dúzias de graphic novels depois, Tintim conquistou os corações de milhões e milhões de todas as idades em quase todos os países do mundo, tornando-se uma figura sempre presente na vida de crianças e jovens da Europa e da Ásia e arregimentando um culto de seguidores nos Estados Unidos. A cada ano, os livros seguem encontrando novos fãs, tendo sido mais recentemente traduzidos ao hindi. O fenômeno originou brinquedos e colecionáveis, fã-clubes e publicações, bem como adaptações para o teatro, o rádio e a televisão – e agora, finalmente, um inovador longa-metragem onde os personagens ganham vida de uma forma como nunca se viu antes. 

Qual é a origem do apelo aparentemente eterno de Tintim? Para muitos se resume à conjunção original que Hergé faz do simples com o complexo: seus personagens verossímeis e reais com suas fraquezas humanas e multifacetadas; suas aventuras vertiginosas com seus elementos de intrincado mistério, thriller político e ficção científica; e seu estilo de desenho, com personagens bem delineados e exuberantes nos detalhes, e mundos repletos de cor que despertam a imaginação de qualquer um. 

Há uma frase famosa de Hergé: “Eu não saberia contar uma história, se não fosse através de um desenho”. E foi a sua arte que atraiu tantos ao mundo de Tintim. Mas também o coração do personagem que superou idiomas, culturas e o tempo, porque quase todo mundo, não importa o lugar, podia se imaginar na pele desse jovem que, em suas viagens incríveis, é guiado pelas suas amizades e pelo desejo de se manter sempre do lado do bem. 

À medida que o tempo passava, Hergé publicava, uma após outra, suas esperadas graphic novels Tintim, e a expressividade e o estilo limpo da ligne claire do artista influenciariam uma lista cada vez maior de artistas pop como Roy Lichtenstein e Andy Warhol, sendo que este último fez um retrato de Hergé a pedido do artista. 

Em 1983, Hergé faleceu, deixando inacabado seu 24º livro de Tintim (Tintim e a Alfa-Arte). Porém, estava claro que o legado de Tintim só viria a crescer e que ele continuaria a inspirar e encantar fãs do mundo inteiro. 

Com As Aventuras de Tintim (The Adventures of Tintin, The Secret of the Unicorn), os cineastas esperam que uma nova geração tenha a oportunidade de descobrir esse mundo cheio de inspiração. E Kathleen Kennedy sintetiza: “Para nós, é gratificante que tanto aqueles que conhecem Tintim pela primeira vez como seus fãs ocasionais ou de carteirinha possam viver uma experiência completamente nova com os personagens e a história”. 
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10 janeiro, 2011

82 anos e nenhuma ruga!

No dia 10 de janeiro de 1929 nascia o jovem Tintim, filho do belga Georges Prosper Remi, o famoso Hergé. Repórter desde a adolescência, Tintim rodou o mundo em suas aventuras e, no ano em que completa 82 primaveras, está pronto para mais um grande passo: invadir os cinemas numa versão diferente de qualquer uma já vista. O traço simples, porém caprichado, de Hergé está sendo transformado em imagens de altíssima resolução, gravadas com o melhor da tecnologia de captura de movimentos. Estão prontos para o ano de Tintim?


Clique aqui e conheça a origem de Tintim.
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06 dezembro, 2010

Morreu uma das inspirações de Tintim

Faleceu no último dia 26 de novembro, aos 98 anos, o ator dinamarquês Palle Huld (foto). Com 40 filmes no currículo, Huld se tornou um herói nacional na Dinamarca após dar a "volta ao mundo" em 44 dias, aos 15 anos (a idade de Tintim, segundo o site oficial).

Charles Lesne, jornalista do Le Vingtième Siècle, acompanhou a jornada do jovem escoteiro, enviado pelo jornal Politiken, de Copenhague, com todas as despesas pagas. A aventura de Palle Huld, que viajou 32.500 km utilizando todos os meios de transporte, exceto o avião, virou manchete nos jornais de países europeus e americanos. Entre seus destinos estavam cidades como Paris, Berlim, Londres, Moscou, Pequim e Tóquio. Mais tarde, foi lançada em um livro de memórias, publicado em 1928 pela editora francesa Hachette.

Em seu retorno a Copenhague, o jovem Palle Huld foi recebido por uma multidão de mais de vinte mil pessoas na estação central da cidade. O acontecimento inspirou os diretores do Le Vingtième Siécle, e o próprio Charles Lesne entrou em contato com os responsáveis pelas ferrovias da Bélgica. O objetivo? Programar o retorno de Tintim do país dos sovietes. A encenação da volta do repórter belga ao seu país de origem ocorreu em 8 de maio de 1930, na Gare du Nord. Clique aqui e saiba mais detalhes.

Palle Huld é recebido pelos fãs em Copenhague, Dinamarca.

Em outubro de 1928, Huld lançou o livro "Jorden rundt i 44 Dage" ("A Volta ao Mundo em 44 Dias"), que narrava suas aventuras ao redor do mundo. Com prefácio assinado por Jean-Jules Verne, filho do escritor Julio Verne, a obra foi publicada três meses antes de "Tintim no País dos Sovietes", que estreou no Le Petit Vingtième em janeiro de 1929. Alguns apostam que a jornada do jovem dinamarquês foi uma das inspirações de Hergé para a criação de seu personagem mais famoso. A julgar pela ligação de Charles Lesne com o Vingtième Siècle (jornal onde Hergé trabalhava), pelos cabelos ruivos do garoto e pelos trajes usados por ele nas fotos e na capa do livro (calças de golfe e terno quadriculado), é impossível discordar...
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09 janeiro, 2010

Conheça a origem de Tintim


Neste domingo, 10 de janeiro, Tintim e Milu completam 81 anos de vida. As aventuras do repórter e seu cachorro foram criadas pelo belga Hergé, e publicadas pela primeira vez em 10 de janeiro de 1929. Mas você já se perguntou quais foram as inspirações (e motivações) do autor na concepção dos personagens? Se ainda não sabe, descubra agora algumas curiosidades envolvendo o nascimento de Tintim.

Desde cedo, Georges Prosper Remi, mais tarde conhecido mundialmente como Hergé, mostrou um grande talento para o desenho. Começou a trabalhar ainda jovem, aos 18 anos, no serviço de assinaturas jornal católico Le Vingtiéme Siècle - mas sua função estava longe do que desejava. Em pouco tempo, porém, foi promovido a editor-chefe de um novo suplemento infanto-juventil, Le Petit Vingtième. Nessa mesma época, Hergé criou o personagem Totor, um escoteiro chefe de patrulha, que teve suas aventuras publicadas entre 1925 e 1930.

Vale conferir: Milu, o fiel companheiro

Em 1928, segundo o crítico Pierre Sterckx, Hergé foi inspirado a criar algo novo. Através de jornais mexicanos enviados a Bruxelas pelo correspondente do XXème, ele descobriu as melhores HQs da época — Krazy Kat, Bringing up Father, The Katzenjammer Kids. Assim ficou marcado seu próximo passo: a criação uma HQ de verdade, e não mais um mero texto ilustrado.

Logo o desejo de Hergé se tornou possível. Naquele mesmo ano, o padre Norbert Wallez, diretor do jornal, encomendou ao jovem artista uma história que envolvesse um adolescente e seu cachorro. Como bom conservador que era, o clérigo queria transmitir valores católicos aos jovens leitores, e educá-los no culto da virtude e do espírito missionário.

Hergé aceitou o desafio e rapidamente pôs a ideia em prática, desenhando um menino de rosto redondo, com pontos no lugar dos olhos e nariz saliente. A vestimenta - uma calça de golfe quadriculada - foi concebida em razão do gosto pessoal do autor, que costumava utilizá-la com frequência. Para diferenciar seu personagem de outros tantos que já haviam, o criador inseriu um farto topete, que virou sua eterna marca. Ah, e claro, colocou do seu lado um cão de personalidade, Milu.

Veja também:
7 inspirações de Hergé para criar Tintim
Assista online: Tintim e o Mistério do Tosão de Ouro


Numa carta enviada a um admirador, Hergé conta como foi o processo de criação das aventuras de Tintim: “A ‘ideia’ do personagem Tintim e do tipo de aventuras que ele viveria me ocorreu, creio, em cinco minutos, no momento de esboçar pela primeira vez a silhueta desse herói: isso quer dizer que ele não tinha habitado os meus verdes anos, nem mesmo em sonhos”. Mas faz uma ressalva: “É possível que eu me tenha imaginado, em criança, na pele de uma espécie de Tintim: nisso, mas apenas nisso, haveria uma cristalização de um sonho, sonho que é um pouco o de todas as crianças e não pertencia exclusivamente ao futuro Hergé”.

De acordo com o próprio artista, no documentário Tintin et moi, aquele novo personagem seria praticamente 'um irmão caçula de Totor', um jornalista, "mas sempre com a alma de um escoteiro".


Tintim começou com um desenho simples, mas com o tempo foi ganhando formas mais claras, e as cores ajudaram a dar vida ao seu fantástico mundo. O estilo de Hergé influenciou gerações de artistas europeus, que seguiram o padrão da linha clara na criação de suas "bandas desenhadas".

Tintim estrelou 23 aventuras completas, viajando da África à América, do Tibete à China, passando por países fictícios como a Bordúria e a Sildávia, explorando da Lua ao fundo do mar, e contracenando com personagens marcantes como Haddock, Girassol, Castafiore... Em sua primeira aventura, o repórter que raramente escreve um artigo é enviado à Russia Soviética. As inspirações, curiosidades e fatos que marcaram esta história estão disponíveis em uma postagem especial sobre o álbum Tintim no País dos Sovietes. Confira aqui!

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