AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a possível sequência de Tintim

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Confira o bate-papo com o saudoso dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

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04 julho, 2021

Clube do Livro Tintinófilo - Vol. 2: Tintim no Congo


A segunda edição do Clube do Livro Tintinófilo, já está no ar! Depois do bate papo sobre Tintim no País dos Sovietes, o grupo que compõe o primeiro clube virtual de leitura de álbuns de Hergé se reuniu para falar sobre "Tintim no Congo".

O encontro aconteceu no dia 20 de junho de 2021, e contou com a presença do tradutor e tintinólogo Pedro Bouça, que deu uma aula sobre a História do Congo. Recebemos também a convidada Mariana Pacheco, que escreveu uma tese de mestrado sobre os três primeiros álbuns de Tintim em preto-e-branco, e contribuiu muito com a discussão, ao lado de diversos tintinófilos.

Assista e aproveite para se inscrever no Canal TPT,, que em breve tem mais:


O Clube do Livro é uma iniciativa de Bruno Rodrigues, com o apoio do Tintim por Tintim. Todo mês nos reuniremos via Zoom para um debate sobre cada um dos 24 álbuns de Hergé, em ordem cronológica. Para participar, é necessário informar seu e-mail através de mensagem privada nas redes do TPT e do organizador Bruno Rodrigues.

No dia 18 de julho, nos reuniremos novamente, desta vez para discutir sobre o terceiro álbum de Hergé, que finalmente realizou o desejo do cartunista de levar seu herói aos EUA. Então, comece a ler (e assistir!) "Tintim na América" e prepare-se para embarcar nesta aventura com a gente!



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20 dezembro, 2018

Versão original de Tintim no Congo ganha reedição inédita em cores

Como parte das comemorações dos 90 anos de Tintim, em 2019, a Moulinsart anunciou o lançamento da versão colorizada de uma das obras mais polêmicas de Hergé: Tintim no Congo.



A reedição do álbum será lançada apenas em formato digital e estará disponível a partir de 10 de janeiro de 2019, data do aniversário do personagem, somente no aplicativo Tintin, disponível na App Store (iOS) e na Play Store (Android).

É a primeira vez que a versão original da obra 1931 será publicada em cores. O álbum que estamos acostumados a ver em cores nas livrarias é uma edição totalmente revisada por Hergé em 1946. A história em preto-e-branco é ainda mais politicamente incorreta, trazendo cenas que mais tarde foram excluídas pelo próprio Hergé da versão "corrigida". No Brasil, o fac-símile do Tintim no Congo original foi publicado em 2016 pela Globo Livros.

Diferentemente da versão em cores de "Tintim no País dos Sovietes", que foi publicada pela Casterman no formato original, a reedição da aventura de Tintim na colônia belga na África será lançada diretamente pela Éditions Moulinsart.

De acordo com o site oficial, este será apenas um dos diversos eventos, lançamentos e surpresa que estão sendo preparados para comemorar os 90 anos da obra de Hergé.


Sobre o app Tintin: com publicações disponíveis em idioma como inglês, francês e espanhol, a proposta do aplicativo é oferecer todos os álbuns de Tintim. Nas versões em francês e neerlandês também estão disponíveis as obras estreladas por Quick e Flupke e Jo, Zette e Jocko. Ainda não há versão em língua portuguesa.
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13 fevereiro, 2012

Caso "Tintim no Congo": o fim da novela

Finalmente chegou ao fim uma novela que tem se arrastado por anos. Um tribunal belga rejeitou o pedido de proibição do álbum "Tintim no Congo", acusado de infringir as leis contra o racismo na Europa. O álbum foi o segundo produzido por Hergé, no início da década de 1930, e narra as peripécias de Tintim na ex-colônia belga, incluindo encontros com traficantes de diamantes, nativos, caçadores e animais selvagens.

O tribunal de Bruxelas disse em primeira instância que não acreditava que a edição de 1946 de "Tintim no Congo" tinha a intenção de incitar ao ódio racial, um critério que é levado em conta ao decidir se algo infringiu as leis de racismo belgas.  A decisão foi emitida na noite da última sexta-feira, 10 de fevereiro.

Em 2007, o ativista congolês Bienvenu Mbutu Mondondo (foto) iniciou procedimentos legais para obter a proibição do livro, argumentando que ele retratava os africanos de forma racista. Mas o tribunal belga alegou que o livro de 1946 foi criado em uma época em que ideias coloniais prevaleciam. Não há provas de que Hergé, que morreu em 1983, tenha tido a intenção de incitar ao racismo, disse.

"Está claro que nem a história, nem o fato de que foi posta à venda, tem o objetivo de... criar um ambiente humilhante, degradante, hostil ou intimidador", disse o tribunal em seu julgamento.

Mas o advogado de Mbutu Mondondo disse que apelaria. "O sr. Mbutu levará esse caso adiante o máximo que conseguir", disse o advogado Ahmed L'Hedim à Reuters. Será que a novela terá continuação?
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18 abril, 2011

Julgamento de "Tintim no Congo" tem data marcada

O tribunal de primeira instância de Bruxelas marcou nesta segunda-feira, 18/04, a data para o julgamento do caso "Tintim no Congo". Até então, as audiências realizadas visavam decidir qual tribunal seria competente pelo caso. Agora, espera-se que a corte belga chegue a um veredicto sobre a acusação de racismo.


O processo se arrasta desde 2007, quando o congolês Bienvenu Mondondo apresentou queixa contra o álbum de Hergé, publicado em 1930. A acusação foi feita cerca de um mês depois de a Comissão pela Igualdade Racial da Grã-Bretanha ter reconhecido oficialmente o teor racista da obra, resultando na transferência do álbum para a prateleira de livros adultos, acompanhado de um aviso na capa. Para Mondondo, que recebeu o apoio do CRAN (Conselho Representativo das Associações Negras), esta mesma medida deve ser tomada, caso a proibição do álbum não seja expedida.

Segundo decisão do tribunal de primeira instância, os argumentos de Mondondo e seus advogados serão ouvidos no dia 30 de setembro. Os representantes da Moulinsart S.A, detentora dos direitos autorais da obra de Hergé, e da editora Casterman apresentarão os seus argumentos de defesa duas semanas depois.

Mais informações no site do jornal Público.
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16 abril, 2011

Rapidinhas Tintim por Tintim - Abril


:: Possível retorno de roteiristas em 'Tintim 2'

Segundo o site oficial de Tintim, dois dos roteiristas do longa "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne" se juntarão a Anthony Horowitz no roteiro da sequência, baseada no álbum "O Templo do Sol". O site holandês Film1 apoia a informação, citando as palavras do escritor: "Fui contratado para escrever Tintim. Também vou trabalhar com Joe Cornish e Edgar Wright. Trabalharemos com três pessoas no roteiro de 'O Templo do Sol'".

Cornish e Wright assumiram o roteiro de 'O Segredo do Licorne' logo após a saída de Steven Moffat, para re-escrever algumas cenas e provavelmente acrescentar mais comédia à história. É bem provável que isso se repita em 'O Templo do Sol': suponho que Horowitz escreverá o roteiro principal, enquanto a dupla ficará responsável por retoques em cenas de ação e comédia. Recentemente, Joe Cornish e Edgar Wright foram contratados pela Marvel Studios para escrever o roteiro de um filme baseado no herói dos quadrinhos "Homem-Formiga".

:: Tintim melhor que Avatar?

O blog inglês Tintin Movie destacou esta semana um trecho da entrevista de Jamie Bell ao site IGN, que já foi comentada aqui. Entre as perguntas feitas ao ator, que interpreta Tintim no filme de Spielberg, questiona-se se o filme poderia ser "potencialmente mais bem-aucedido que 'Avatar'", até então o filme de maior bilheteria da história do cinema. Apesar de se mostrar animado com a ideia, Bell respondeu: "isso é uma barreira muito alta para quebrar..." E acrescentou: "Nós só queremos criar um filme de ação familiar, com personagens que sintam como parte de sua família".

:: Derrota para a Casterman no caso Tintim no Congo

A editora francesa Casterman, que junto com a Moulinsart S.A. havia conseguido transferir o processo contra o álbum "Tintim no Congo" para o Tribunal de Comércio, exigiu o encerramento do caso, mas os advogados de Bienvenu Mondondo foram mais bem-sucedidos. Na segunda-feira, 04/04, o Tribunal de Primeira Instância de Bruxelas declarou-se competente para julgar se o álbum "Tintin no Congo" é portador de estereótipos racistas. Segundo o site Le Post, as partes se reunirão nesta segunda, 18/04, para marcar uma nova audiência.

:: Simon Pegg fala sobre o 3D em Tintim

Numa entrevista sobre a sequência de "Star Trek", o ator Simon Pegg, que interpretou o personagem Scotty no primeiro longa, falou sobre a possibilidade de o filme ser em 3D. "Pelo que eu sei, não. Quer dizer... depende. Talvez", brinca o ator, fazendo referência ao jeito atrapalhado dos detetives Dupondt, um dos quais ele interpreta em 'O Segredo do Licorne'. Pegg confessa não ser dos maiores fãs do 3D, mas revela que durante as gravações de 'Tintim', Steven Spielberg fez um bom trabalho em convencê-lo sobre a importância da tecnologia.


"Quando algo é feito para ser em 3D, se faz parte da experiência, é bastante justo", afirma o ator. "Já fiz filmes em 3D. Tintim é incrível. Vai ser em 3D e vai ser incrível." Pegg ainda comenta que existem filmes que não combinam com a técnica, e em alguns casos, o '3D pode ser um voto de confiança'.
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23 março, 2011

Rapidinhas Tintim por Tintim - Março


:: Toda criança deveria ler

O Secretário da Educação do Reino Unido, Michael Gove, disse que crianças de 11 anos de idade deveriam ler um livro por ano para melhorar os níveis de alfabetização. Em matéria publicada nesta quarta-feira, o jornal The Independent publicou uma lista com 50 livros indicados pelos três principais autores infantis da Grã-Bretanha e dois especialistas do jornal. Cada um indicou dez livros que recomendariam às crianças do 7º ano escolar, e também questionaram a sugestão contraditória dada pelo secretário, responsável pelo fechamento de várias bibliotecas do país.

Philip Pulman (autor da trilogia "Fronteiras do Espaço") sugeriu obras clássicas como "Alice no País das Maravilhas" e "Pinóquio", incluindo entre elas o álbum "As Joias da Castafiore", de Hergé. Ele justifica a indicação pelo fato de Tintim acompanhar três gerações familiares, e a história ter uma narrativa perfeita e bom humor. Entre os livros indicados pelos demais escritores estão "Um Conto de Natal", "O Velho e o Mar", "O Hobbit", "O Senhor dos Aneis" e "As Aventuras de Sherlock Holmes". Para ver a lista completa, clique aqui.
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:: Caso Tintim no Congo: primeira vitória para a Casterman

Finalmente surge uma novidade no caso judicial que envolve o congolês Bienvenu Mbutu Mondondo, a Moulinsart S.A. e a Casterman. No último mês de fevereiro, o tribunal de primeira instância de Bruxelas considerou que como o caso "Tintim no Congo" lida com o racismo, a presença do Ministério Público seria necessária. Uma nova audiência foi marcada para 18 de março, quando o Ministério Público emitiu o seu parecer: o caso cabe à competência do Tribunal do Comércio. Bienvenu Mondondo queria que o processo fosse julgado pelo Tribunal Penal Internacional, mas a decisão da justiça foi favorável às duas empresas.

O queixoso solicitou também que a Moulinsart e a Casterman apresentassem os contratos que as ligam para saber qual delas detém os direitos autorais da obra de Hergé, mas o Ministério Público decidiu que não será necessário. Os autores do processo, que se arrasta desde 2007, afirmaram estar dispostos a levar o caso adiante. "Se querem ir para o Tribunal do Comércio, nós iremos", disse Ahmed L'Hedim, advogado de acusação, "e se tivermos de pleitear sem saber o conteúdo do contrato entre os réus, nós o faremos". Segundo o site 7sur7, a próxima audiência acontecerá dentro de um mês.
:: Para saber tudo sobre o caso, clique aqui. Para comprar o álbum Tintim no Congo, clique aqui.
:: Paródia de Tintim é autorizada pela Justiça

Em recente decisão, a Corte de Apelação de Paris afirmou que a coleção "Les aventures de Saint-Tin et son ami Lou", de Gordon Zola, não constitui violação dos direiros autorais ou pararisismo.

A Moulinsart S.A. havia pedido a proibição dos livros, publicados pela Le Léopard Démasqué (selo da editora Arconsil), mas numa rara atitude, o tribunal foi favorável ao réu. 'As Aventuras de Saint-Tin' obra faz referência à criação de Hergé em seus títulos e capas, além de trazer personagens que lembram os protagonistas das aventuras de Tintim, como um repórter aventureiro e seu animal de estimação (um papagaio), um velho capitão, um cientista e dois detetives idênticos.

Para o tribunal, "Saint-Tin" se encaixa na exceção concedida pelo Código da Propriedade Intelectual, presente na legislação francesa, que permite a publicação legal de paródias. Em primeira instância, o tribunal havia condenado o editor por parasitismo. Desta vez, a corte de apelação não só foi favorável ao acusado como condenou a Moulinsart e a Fanny Rodwell (viúva e herdeira universal dos direitos de Hergé) a pagar 10 mil euros de indenização à editora, em razão das perdas de venda que sofreu e do dano causado à sua imagem. 
:: Clique aqui e saiba mais sobre o caso Gordon Zola.
:: Ilustradas
Foto de Tintim e Milu será refeita com ovos coloridos

:: Uma imagem de Tintim e Milu publicada na revista Tintin em 1963 será reconstruída em tamanho gigante com ovos de páscoa na Suíça. O evento ocorrerá no próximo dia 24 de abril (domingo de páscoa) pelo 13º ano consecutivo. Para saber mais, clique aqui.

Cristiana Fernandez, governanta de Hergé, ganhou este quadro do patrão

:: Entre 1962 e 1963, Hergé pintou uma série de 40 quadros abstratos. Dois deles acabam de reaparecer, sendo que um será leiloado no dia 22 de maio (aniversário do cartunista). O quadro foi dado por Hergé a Cristina Fernandez (foto acima), que trabalhou como governanta para o casal Remi durante cinco anos. Para saber mais sobre a investida de Hergé no mundo da arte moderna, acesse o Le Soir.

Anúncio da série "As Memórias de Mil Raios"

:: Para comemorar os 70 anos do Capitão Haddock, o jornal belga Le Soir lançará a série 'Les Mémoires de Mille Sabords" ('As Memórias de Mil Raios'). Serão 22 páginas colecionáveis com informações sobre o personagem: seus antepassados, seu vocabulário, suas vestimentas, sua atração por Loch Lomond, sua vida em Moulinsart, enfim, tudo...  A série é gratuita, e se estenderá por 10 dias, entre 29 de março 8 de abril de 2011.
:: Se ainda não leu o especial do Tintim por Tintim sobre os 70 anos do Capitão, clique aqui e não perca tempo!
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10 dezembro, 2010

Tintim no Congo: um dos autores deixa processo

Estava marcada para a última quarta-feira, 08 de dezembro, uma nova audiência sobre o "caso Tintim no Congo". A disputa entre Bienvenu Mbutu Mondondo e as empresas CastermanMoulinsart S/A pode resultar na proibição do polêmico álbum, ou pelo menos levá-lo a ser vendido com uma faixa de advertência (e na seção para adultos). Mas, de acordo com nota do site Expatica.com, a audiência foi adiada para a próxima semana, prolongando ainda mais a frustrante história que começou há três anos.

O motivo do adiamento foi a saída de um dos autores do processo. O artigo não revela o nome, mas entre a parte acusadora estavam, além de Mondondo, o também congolês Yves Okata e o CRAN, entidade europeia de defesa dos negros.

Na minha opinião, a saída mais improvável seria a de Bienvenu Mondondo. Mesmo que o resultado seja bastante previsível (ou alguém aposta numa surpresa?), o ex-contador congolês não desistiria do processo de uma hora para outra depois de tanto tempo. A menos que ele esteja convencido de que não conseguirá vencer as poderosas Moulinsart e Casterman, que têm grande influência na economia belga. A demora da Justiça na resolução do caso é prova suficiente de que há outros interesses envolvidos...
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23 novembro, 2010

Nova audiência sobre o caso "Tintim no Congo"

Mais um capítulo da longa e monótona história sobre a polêmica obra de Hergé. Nesta segunda-feira, 22/11, um tribunal de primeira instância da Bélgica ouviu os argumentos expostos por Bienvenu Mbutu Mondondo (foto) e o Conselho Representativo de Associações Negras (CRAN) para proibir a publicação do álbum "Tintin no Congo", que consideram racista e ofensivo em relação aos africanos.


"Não queremos que seja um julgamento contra Hergé, e sim contra uma época na qual o racismo estava ancorado nas mentalidades", declarou o advogado de um dos autores da ação, referindo-se ao período em que a atual República Democrática do Congo era uma colônia da Bélgica.

O julgamento começou em 28 de abril, depois de processo aberto por Mondondo, cidadão congolês residente na Bélgica, e o CRAN da França. Caso não consigam a proibição do álbum, os autores da ação querem, pelo menos, exigir que as novas edições tenham uma faixa advertência e um prefácio onde se explique o contexto da época. Também é exigido que o álbum passe a ser vendido na seção de livros "para adultos" das livrarias.

A editora Casterman e a Moulinsart S/A, que detém os direitos comerciais da obra de Hergé, alegaram que o caso está fora da alçada do tribunal de primeira instância. A próxima audiência está marcada para o dia 8 de dezembro.

Com informações do Diário de Notícias.

:: Comentário: É óbvio que sou fã de Tintim, mas confesso que não sentiria pena da Moulinsart se o álbum fosse realmente proibido. Não acho "Tintim no Congo" uma história racista, longe de mim, mas acho que a detentora dos direitos autorais de Hergé precisa perder pelo menos uma vez. A Justiça da Bélgica é, na grande maioria das vezes, favorável à Sociedade Moulinsart, mas nem sempre por motivos justos. O nome "Tintin" significa muito para o país, tanto histórica como economicamente falando, então seria ruim para o próprio governo prejudicar uma de suas principais marcas - se não A principal. Mas que a Moulinsart precisa perder um pouco de seu poder monopolizador, disso eu não tenho dúvidas! Afinal, eu mesmo já senti na pele sua ação impiedosa.
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21 outubro, 2010

Ministro da Cultura do Congo defende a polêmica obra de Hergé

Jeannette Kavira Mapeera, Ministra da Cultura e das Artes do Congo, falou à RFI (Radio France International), sobre a polêmica obra de Hergé que faz referência ao seu país. Durante a inauguração do festival de quadrinhos realizado pela primeira vez em Kinshasa, a ministra surpreendeu a muitos ao defender "Tintim no Congo", que ela descreve como uma obra-prima.

Durante a conversa com a RFI, Jeannette Mapeera afirmou que "nada disto se justifica", referindo-se aos processos judiciais que a obra vem enfrentando. As declarações da ministra vão de encontro com os argumentos de Bienvenu Mbutu Mondondo, congolês que luta pela proibição do álbum há alguns anos.

"Para governo congolês, Tintim no Congo é uma obra-prima. Este álbum não fere em nada a cultura congolesa", diz Mapeera. "Nos tempos antigos, quando este livro estava sendo escrito e seu criador se inspirava, os congoleses realmente não conseguiam falar francês. Ainda hoje, não são os congoleses que falam o melhor francês", completa ela, em referência ao modo caricato como os nativos falam no álbum de Hergé.

Sobre as cenas em que Tintim e Milu aparecem criticando os nativos por sua "preguiça", a ministra diz: "Naquela época, descrita na obra, realmente, para colocar os congoleses para trabalhar ou incentivá-los ao trabalho, você tinha que usar a vara. Hoje, em alguns círculos, para enviar as crianças ou adultos ao campo, você tem que usar métodos fortes".

Jeannette Kavira Mapeera conclui a conversa falando sobre o processo que se arrasta desde 2007: "Sentimos que este é um julgamento que não envolve o governo congolês". O caso "Tintin no Congo" voltará a ser examinado pelo tribunal de Bruxelas em 22 de novembro próximo.

As informações são do francês Le Vif.
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18 outubro, 2010

Caso "Tintim no Congo" de volta aos holofotes

Os advogados de Bienvenu Mbutu Mondondo, o congolês que pediu a proibição do álbum "Tintim no Congo" por conteúdos racistas, voltarão a júri no próximo dia 22 de novembro. Ahmed L'Hedim, advogado de Mondondo, solicitará a entrega, pela Casterman e Moulinsart, dos contratos que envolvem a reprodução dos álbuns de Hergé. Segundo o advogado, esses documentos devem ser arquivados, pois atestam bem a responsabilidade da parte defesora pelo conteúdo das publicações.


A defesa, por sua vez, representada pela empresa Berenboom, colocará a questão da competência do tribunal de primeira instância. Para os advogados, Alain Berenboom e Sandrine Carneroli, é o tribunal de comércio que deve julgar o caso, por se tratar da retirada de um produto do mercado.

No último mês de maio, o tribunal de primeira istância (medidas provisórias) já tinha respondido a primeira solicitação da parte defensora. Ela envolveu a apresentação de uma advertência para o autor da denúncia, dada a incerteza sobre sua solvência. O pedido foi indeferido com respeito a Bienvenu Mondondo, mas aceito no caso de Yves Okata. Também natural da República Democrática do Congo, Okata aderiu ao processo, exigindo apenas a inclusão de uma faixa de advertência no livro.

Pelo visto esta história, que já se arrasta há anos, está longe de chegar ao fim...


Com informações do site francês  7sur7.
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22 julho, 2010

Tribunal volta a adiar a decisão sobre racismo em "Tintim no Congo"

A justiça belga adiou novamente uma decisão sobre as denúncias de racismo contra os editores do livro “Tintim no Congo” e exigiu 15 mil euros de caução a um dos queixosos residentes da República Democrática do Congo.

Na última segunda-feira a justiça belga adiou pela segunda vez a decisão sobre as denúncias de racismo contra os editores de "Tintim no Congo". Dois processos contra o álbum de Hergé, publicado pela primeira vez em 1930, continuam em andamento. O primeiro é o mais conhecido, pois envolve o congolês residente na Bélgica Bienvenu Mbutu Mondondo, que exige que a obraeja retirada de circulação ou que passe a incluir um aviso sobre conteúdo racista.

O segundo queixoso, Yves Okota, também natural da República Democrática do Congo, quer apenas a inclusão do aviso no livro, imitando o que já aconteceu no Reino Unido. No final de maio, quando o Tribunal de Primeira Instância adiou, pela primeira vez, o resultado do processo, a Casterman e a Moulinsart foram obrigadas a depositar 15 mil euros de caução como idenização a Okota.

Pelo menos até setembro, permanece pendente a decisão quanto a quem julgará o caso: o Tribunal de Primeira Instância ou do Comercial.

:: Em tempo: Se ainda não viu, veja agora as três primeiras partes do especial sobre Tintim no Congo clicando aqui, aqui e aqui. Em breve o blog vai falar sobre a grande polêmica ao redor do álbum: afinal, Hergé foi racista ou não?
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09 julho, 2010

Tintim no Congo também tem vilões

Na postagem anterior, você viu detalhes sobre os personagens coadjuvantes de Tintim no Congo. Mas ficaram faltando os vilões, que também estão presentes nesta aventura. Apesar de não aparecerem em mais álbuns e não terem tanto destaque como outros vilões criados por Hergé, são eles que ilustram esta parte do nosso especial.

Tom: Podemos considerá-lo como primeiro vilão de Tintim, já que no álbum anterior o protagonista não teve um inimigo tão determinado, a ponto de participar da aventura quase completa. Aparece pela primeira vez na página 5, viajando clandestinamente no mesmo navio em que Tintim e Milu estão. No país africano, ele faz o possível para atrapalhar os planos do repórter, desde o roubo de seu carro até várias tentativas de assassinato. Para facilitar a execulçao de seus planos, Tom associa-se com Muganga, feiticeiro da tribo bakana, mas nem uma dupla é páreo contra o destemido Tintim.

As reais motivações deste personagem só serão reveladas perto do fim do álbum, quando Tintim descobre que ele fora enviado por Gibbons (mais detalhes abaixo), a mando de um tal A.C., para lhe dar um sumiço. É claro que este protótipo de vilão não consiguirá acabar com o protagonista, mas durante todo o álbum ele mostra que é capaz de ir até onde for possível para cumprir sua missão.

Muganga: O feiticeiro dos bakanas aparece pela primeira vez na página 24, onde se mostra incomodado com o sucesso que Tintim faz na tribo. Invejoso, junta-se a Tom numa série de tentativas para se livrar do repórter. Em certa ocasião, consegue fazer a tribo se voltar contra Tintim, mas o rapaz dá a volta por cima e, com a ajuda de Coquinho, Milu, uma câmera e um fonógrafo, faz todos descobrirem quem realmente é este feiticeiro. Apesar de não desistir facilmente, Tom acaba descobrindo o altruísmo do jovem bula-matari (quebra-pedra, como os congoleses chamavam os belgas).

Gibbons: Membro de um grupo de gângsters americanos, aparece pela primeira vez na página 51. Foi ele quem recebeu a ordem de matar Tintim, mas contratou o incompetente Tom para dar conta do serviço. Num bilhete do vilão para Tom, Tintim descobre que o mandante do crime carrega as iniciais A.C., e depois de mais um plano infalível, consegue arrancar de Gibbons sua ligação com Al Capone, o 'rei de Chicago'.

Observação: não confundir o personagem com W. R. Gibbons, um dos vilões de "O Lótus Azul".

Al Capone: Baseado no gângster Alphonso Capone, que realmente viveu nos EUA na década de 1930, o personagem permanece invisível durante toda a aventura. Conhecido também como Cicatriz (Scarface), o criminoso só tem sua identidade revelada no primeiro quadrinho da página 52, quando é citado por Gibbons como grande interessado em controlar a produção de diamantes no Congo. Na aventura seguinte, "Tintim na América", o criminoso volta a aparecer, desta vez mostrando o rosto e reunido com outros mafiosos de Chicago para se vingar de Tintim.

SAIBA MAIS SOBRE OUTROS VILÕES DE TINTIM:
W. R. Gibbons e R. W. Chicklet, inimigos de Tintim
Rastapopoulos, o vilão dos vilões!
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08 julho, 2010

Tintim no Congo e outros personagens

Em sua viagem ao Congo Belga, Tintim contracena com diversos personagens, entre eles brancos e negros. Separei aqui os coadjuvantes de maior importância na história, destacando seu papel no desenrolar desta aventura de nosso querido repórter, bem como suas respectivas estreias no álbum. Confira então a lista dos personagens de Tintim no Congo, por ordem de aparição.

Coquinho: Coco no original, é um negrinho congolês que presta serviços a Tintim. Faz sua primeira aparição na página 11, onde é contratado por Tintim para acompanhá-lo durante toda sua exploração ao território africano. Assim como todos os nativos retratados no álbum, Coquinho tem lábios grossos e fala errado. Apesar de muito medroso, é leal ao "nhozinho", tanto que lhe salva a vida em certa ocasião. Visto que a aventura foi publicada em páginas semanais, à medida que Tintim se embrenhava pelo Congo o personagem ia desaparecendo, até que simplesmente não o vemos mais a partir da página 25.

Bola de Neve: Conhecido como Boule de Neige em francês e Snowball em inglês, o menino é um nativo que aparece ao lado de seu pai em apenas um quadrinho da página 9, onde eles observam o navio que traz Tintim e Milu à África. O quadrinho foi pubicado no blog em junho, como anúncio deste especial; para rever, clique aqui. Na versão original, o personagem aparece com um exemplar do Le Petit Vingtième do repórter em mãos - clique aqui e veja.

O rei dos Bakanas: O personagem não possui nome próprio na edição original, mas seu povo é na realidade chamado de Babaoro'm. Estreou na versão de 1946, ainda em preto-e-branco. Na edição colorida da década de 1970 (a mesma que foi publicada em 2008 pela Cia das Letras), ele aparece apenas na página 21, designando Tintim a participar na caça ao leão.

O chefe dos Kixikes: O líder da tribo inimiga dos bakanas também não tem nome declarado, mas um grande senso de orgulho. Quando os vilões Tom e Muganga armam um plano para colocar os kixikes (m’Hatouvou, no original) contra Tintim, o chefe convoca seu exército, "armado à europeia e muito bem treinado" (veja aqui). Mas o poderoso exército kixike, munido de flechas, lanças e um rifle, acaba se rendendo ao repórter quando vê que não consegue atingi-lo, por mais flechas e lanças que atire... O personagem aparece nas páginas 28 a 30 da edição mais atual.

O missionário: É apresentado como um homem caridoso, enviado ao Congo para catequizar os nativos e cuidar de sua saúde e educação. Por duas vezes ele aparece salvando a vida de Tintim: primeiro na página 33, onde livra o rapaz de ser devorado por crocodilos; depois, na página 46, corajosamente salva o repórter de uma das crueldades feitas pelo criminoso Tom.

O personagem é um dos maiores representantes do paternalismo belga sobre o Congo, e a história leva o leitor a criar uma admiração pela ideia. Mas esta é uma imagem tão imposta que, em dado momento, Tintim chama o personagem de "nosso bom missionário" e Milu, admirado com a missão católica no meio da floresta, exclama que aqueles "missionários são sensacionais". Esta visão cândida sobre a figura do padre mostra uma clara influência de Nobert Wallez na obra de Hergé.

Jimmy MacIntosh: Ele mesmo descreve quem é: o fornecedor dos maiores zoológicos da Europa. Originalmente chamado Jimmy Mac Duff, o personagem apareceu pela primeira vez na edição de 1942, em preto-e-branco, como um homem negro (clique aqui para ver). Foi só na versão colorida que o comerciante de animais se tornou branco. Na edição mais recente, o personagem aparece apenas em três quadrinhos da página 38, esbravejando depois de saber que Tintim maltratou seu leopardo de estimação.

Outros personagens que aparecem no álbum, mas sem muito destaque, são: a tripulação do navio, que inclui um médico que cuida de Milu quando este é picado pelo papagaio; os congoleses que recepcionam calorosamente o repórter em sua chegada a Matari, no Congo; três distintos senhores interessados em contratar os serviços de Tintim para jornais de Nova York, Londres e Lisboa; um grupo de congoleses aparentemente ricos (devido à sua vestimenta), que viajam no trem que bate no carro de Tintim; membros das tribos bakana e kixike; pigmeus que endeusam Milu; policiais negros que, chefiados por um branco, prendem um grupo de gangsters; alunos da missão católica, que não sabem quanto é dois mais dois; o piloto e o co-piloto do avião em que Tintim volta para casa; e por fim os nativos que choram a perda do herói belga.

Sentiu falta dos vilões? Este é o tema da próxima postagem!

SAIBA MAIS SOBRE OUTROS PERSONAGENS DA SÉRIE:
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07 julho, 2010

Tintim no Congo


Depois de retornar da Rússia soviética em 8 de maio de 1930, o mais novo repórter do Le Petit Vingtième foi aclamado por uma multidão em Bruxelas, Bélgica. Entre jovens e adultos, os fãs do pequeno aventureiro mal podiam esperar por sua próxima aventura. E não demorou para Tintim voltar a explorar terras estrangeiras. Sua próxima viagem começaria em junho de 1930, e se estenderia até junho de 1931, em publicações semanais no Le Petit Vingtième. Assim surgia Tintim no Congo, a obra mais polêmica de Hergé.


Sinopse - contém spoilers

Tintim e Milu partem para a África a fim de realizar mais uma reportagem para o jornal Le Petit Vingtième. Os problemas já começam à bordo do navio, onde Milu troca farpas com um papagaio e encontra um passageiro clandestino. Porém, tais acidentes não impedem que os dois chegem ao seu destino, o Congo Belga, uma colônia africana rica em diamantes.


Em solo africano, o repórter e seu fiel fox-terrier são recepcionados por uma multidão de congoleses, que já conhecem sua fama internacional. Antes de começar sua aventura pelas selvas africanas, Tintim contrata Coquinho, um pequeno congolês que lhe serve como guia. Depois de caçar, enfrentar animais selvagens e interagir com os nativos, o rapaz é levado para a aldeia dos bakanas. Lá, o rei designa Tintim a participar da caça ao leão, mas é Milu quem vence o felino, arrancando-lhe um pedaço da cauda.


Enquanto a popularidade de Tintim cresce entre os nativos, Muganga, o feiticeiro da tribo, sente inveja, e por isso se junta ao criminoso Tom, o mesmo que viajava clandestinamente no navio, para dar um fim em Tintim. Sempre contando com a ajuda de Coquinho e Milu, o jovem repórter escapa de qualquer armadilha, e faz o povo saber a verdade sobre os bandidos. Nomeado novo chefe dos bakanas, Tintim resolve problemas e é aclamado pelo povo.


Depois de ser salvo por um missionário católico, Tintim dá aulas a meninos congoleses, que não sabem quanto é dois mais dois! Ele ainda volta a enfrentar outros animais ferozes, como um leopardo e um elefante, até chegar ao confronto final com Tom. Depois de descobrir quem está querendo lhe matar, o repórter é levado de volta para a Europa, e fica sabendo seu próximo destino: Chicago, EUA. Sem saber o que aconteceu com Tintim e Milu, os nativos choram a sua perda, imaginando - coitados - se os outros europeus serão iguais a ele... Clique aqui para ver o final na edição original.


Histórico

Depois do sucesso de Tintim no País dos Sovietes, não havia um caminho que não levasse Hergé a uma nova aventura de Tintim. E ele já planejava voos mais altos: levar o repórter aos Estados Unidos da América, para explorar o então popularíssimo Velho Oeste. Porém, influenciado pelo abade Norbert Wallez, diretor do semanário Le Vingtième Sciècle, o jovem cartunista começou a elaborar uma história em que o personagem apresentaria à juventude belga os valores do colonialismo.

A publicação da aventura de Tintim no país africano começou em 1930, quando o Congo ainda era uma colônia da Bélgica. Entre 1885 e 1907, o rei Leopoldo II explorou até o limite as riquezas naturais do território que, ironicamente, havia batizado como o Estado Livre do Congo. A extração da borracha resultou no extermínio de metade dos 20 milhões de congoleses existentes. Aquela ação desumana chamou a atenção do Parlamento da Bélgica e de outras nações civilizadas, que foram obrigados a intervir. Depois de mais de duas décadas de opressão, o país se viu livre do domínio do terrível monarca, mas continuou sob a tutela do governo belga. Só há 50 anos o Congo Belga teve sua liberdade de fato declarada, tornando-se o que é até hoje, a República Democrática do Congo.

Como nunca havia saído de sua terra natal, Hergé foi em busca de referências para retratar o Congo Belga. As principais bases conhecidas para o desenvolvimento do álbum foram os arquivos do Museu Colonial de Tervueren e o livro "Les silences du colonel Bramble", romance de sucesso de André Maurois, do qual ele reproduziu toda uma cena de caça (ver as páginas 15 e 16 do álbum). Contudo, assim como acontecera no álbum anterior (e voltaria a acontecer no seguinte), as fontes utilizadas por Hergé não foram as melhores, e o resultado foi uma visão bastante estereotipada do povo africano.

No ano de estreia da história, a colônia belga na África continuava sendo explorada. Oitenta vezes maior que o país que o colonizava, o Congo tinha um subsolo extremamente rico. Nessa época, faltava mão-de-obra. Hergé, portanto, devia fazer uma propaganda deste país. O trabalho de propaganda, no entanto, não se restringia ao colonialismo. Especificamente na metade final do álbum, o que se vê é um enaltecimento do serviço missionário. A figura do católico que cuida dos colonos e se preocupa com o bem do próximo é reforçada quando o padre salva a vida do repórter duas vezes, sem ser atrapalhado pela idade ou pela batina. Com isso, criou-se um retrato favorável às ideias colonialistas da Bélgica: o inocente povo africano precisa ser "salvo" pelos sábios europeus.

O próprio Hergé confirmou o erro que cometera. Em entrevista concedida pouco antes de sua morte, o autor disse: "Da mesma maneira quando desenhei Tintim no País dos Sovietes, ao desenhar Tintim no Congo eu estava alimentado de preconceitos do meio burguês no qual vivia... Era 1930. Conhecia deste país apenas o que as pessoas contavam na época: 'os negros são grandes crianças, felizmente estamos lá!', etc. E desenhei os africanos de acordo com estes critérios, de puro espírito paternalista, que era o da época na Bélgica".

Curiosamente, "Tintim no Congo" é o álbum mais popular e apreciado do personagem na África.

Publicações

A história foi publicada em páginas semanais de 5 de junho de 1930 a 11 de junho de 1931, no Le Petit Vingtième, suplemento info-juvenil do jornal Le Vingtième Siècle. Em 1931, foi publicada pela primeira vez como álbum em preto-e-branco. Com 120 páginas, o volume foi editado primeiramente pelas Editions du Petit Vingtième. Em 1937, uma nova edição, ainda em preto-e-branco, chegou às livrarias. Lançada pela Casterman, que a partir dali passou a publicar os álbuns de Tintim com exclusividade, a edição suprimiu qualquer referência ao Petit XXeme.

Em 1946, Hergé publicou, também pela Casterman, uma nova versão do álbum, agora totalmente redesenhada. Foi a primeira edição colorida, onde o autor reduziu de mais de 100 para 62 páginas, um padrão que se manteve nos álbuns a seguir. As modificações incluíram a melhora dos cenários, o corte de algumas partes e alteração de diálogos para torná-los mais vivos. Foi o máximo que Hergé conseguiu fazer para tentar diminuir a ideologia colonialista sem alterar a história por completo.

Mas, as polêmicas ao redor do álbum começaram cedo. Isso fez com que a publicação em francês fosse interrompida em finais dos anos 1950, e o livro passou mais de dez anos "enclausurado". Em uma carta datada de 26 de junho de 1963, Hergé implorava ao seu editor pela republicação do álbum, ao menos na Europa. Ele alegava que seus personagens eram "negros de fantasia", uma caricatura, assim como todos os personagens de sua extensa obra. Seu clamor não foi imediatamente atendido, mas ganhou a atenção dos fãs, incluindo jovens leitores africanos.

Ironicamente, a iniciativa para o retorno da publicação de "Tintim no Congo" partiu de uma revista do próprio Congo (àquela altura já independente, chamado Zaire). Em dezembro de 1969, o número 73 da revista Zaire fez diversos elogios à obra, estimulando sua republicação no mundo todo. O artigo defendia que, "se algumas caricaturas do povo congolês em Tintim no Congo fazem rir os brancos, eles fazem rir abertamente os congoleses, porque os congoleses encontram razões para isso na forma como o homem branco os via".

As diferentes versões de "Tintim no Congo"
Após ter sido publicado em várias partes do mundo, o álbum chegou à Escandinávia em 1970. Mas a cena da explosão de um rinoceronte chocou tanto a editora Egmont que eles pediram a Hergé que fizesse uma versão menos violenta do encontro com o animal. Esta versão da página 56 - veja a comparação abaixo - é a que está presente nas edições mais atuais do álbum, incluindo a que foi lançada no Brasil em 2008 pela Cia das Letras.


Curiosidades


:: Apesar de o Congo Belga ter sido declarado independente apenas em 1960, logo após a Segunda Guerra Mundial, em 1946, Hergé fez uma revisão do ábum, considerando que continha uma visão demasiadamente “colonialista e paternalista”. Uma das modificações mais notáveis aconteceu na cena que hoje aparece na página 36 do álbum: enquanto na edição revisada Tintim dá aula de matemática a meninos congoleses, na primeira edição, em preto-e-branco, a aula é de geografia e, apontando para um mapa desenhado no quadro-negro, o repórter declara: "Hoje vou lhes falar sobre vossa pátria: a Bélgica".


:: Quando foi publicada pela primeira vez em Portugal, na revista O Papagaio, a história foi batizada de "Tim-Tim em Angola". A versão portuguesa da aventura mostrava “Tim-Tim” como um repórter lusitano, ao invés de belga, visitando não o Congo, mas a então colônia portuguesa de Angola. Nesta versão, Milu foi rebatizado como Rom-Rom, e apresentado como uma fêmea de pelo amarelo.


:: Na versão mais recente do álbum, os Dupondt fazem uma breve aparição no primeiro quadrinho. Mas a verdadeira estreia dos detetives não foi em "Tintim no Congo". Na versão em preto-e-branco, são outros personagens que aparecem observando o embarque de Tintim.


:: Além de Dupond e Dupont, no primeiro quadrinho da página 1 aparem também Quim e Filipe (personagens de Hergé), Edgar P. Jacobs e Jacques Van Melkebeke (colaboradores de Hergé), além do próprio Georges Remi.

:: Menos de um mês depois do fim da publicação de "Tintim no Congo", o Le Petit Vingtième organizou um evento semelhante ao ocorrido com o fim de "Tintim no País dos Sovietes". Em 9 de julho de 1931, um garoto (Henri Dendoncker) e um fox-terrier, acompanhados de dez congoleses, representaram Tintim e Milu no retorno à Bélgica. Uma multidão esteve presente à Gare du Nord, incluindo o próprio Hergé e dois meninos trajados como Quim e Filipe.

:: Apesar de não aparecer escrevendo nenhum artigo, neste álbum Tintim exerce a função de repórter. Entre seus instrumentos de trabalho está um fonógrafo e uma câmera filmadora, que lhe servirão para gravar um documentário.

:: Esta foi só a primeira parte do especial. Mas ainda tem mais! Confira aqui.

Veja também outros especiais:
Tintim na América
Especial Os Charutos do Faraó
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21 junho, 2010

Notícias - nem tão rápidas...


:: Os primeiros oito álbuns de Tintim traduzidos em hindi acabam de chegar às livrarias da Índia. O plano é publicar dois áluns a cada mês, de forma que a coleção completa esteja disponível no início de 2011, antes da chegada do herói às telonas. Mas a Índia não é um território completamente desconhecido para Tintim. Suas aventuras já chegaram ao país em versões traduzidas para a língua inglesa - tanto que mais de 200 mil cópias dos álbuns em inglês são vendidos a cada ano. A série também ficou conhecida na Índia por meio do desenho animado produzido pela Nelvana na década de 1990, e transmitida no país também em inglês. Agora, com a publicação em hindi, Tintim deve se tornar mais popular no país, assim como vem acontecendo com a China desde 2002, quando foram lançadas as versões em chinês.

:: Faleceu na última quarta-feira, aos 79 anos, a atriz canadense Maureen Forrester. Ela foi a voz original de Bianca Castafiore na série animada 'As Aventuras de Tintin' (1992-1993). Segundo o site CBC News, a família de Maureen estava presente no momento da morte. Em seus últimos anos de vida, a atriz de óperas e clássicos musicais sofria de demência.

:: O californiano Rob Powers falou ao site Sud Ouest sobre o seu trabalho em "Avatar", onde foi um dos responsáveis pelos efeitos 3D do filme de James Cameron. Powers, que diz ter sido inspirado pela saga "Star Wars" aos seis anos de idade, acabou deixando escapar que também esteve envolvido na pré-produção do longa 'As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne', que estreia no ano que vem. Sobre este trabalho, ele apenas diz: "Eu não sei o que eu posso dizer disso, mas é incrível". Quem vai duvidar?

:: Em passagem pelo Festival de Cannes, no mês passado, o ator Andy Serkis, que vive o Capitão Haddock no adaptação de Tintim para o cinema, contou um pouco sobre o filme ao site IGN. "Tintim vai trazer Hergé à vida, e a performance capture é a ferramenta perfeita", diz o ator, que falou também sobre a evolução da tecnologia desde "O Senhor dos Anéis", onde interpretou o Gollum. "Há definitivamente uma diferença entre um personagem de captura de desempenho em um filme live-action e mundo totalmente animado, como em 'Tintim'. Assim, em 'Tintim', todos os atores no set estão envolvidos uns com os outros no mesmo paradigma. Parece muito com o que Hergé trouxe à vida".


:: O periódico belga Le Soir oferece aos seus leitores um álbum inédito, Tintin au Congu de papa. O livro será publicado em comemoração ao 50º aniversário da independência do Congo Belga, em 30 de junho de 1960. O volume traz uma visão detalhada do álbum, que depois de 80 anos é vítima de uma polêmica "inútil e ridícula" - segundo as palavras do site oficial da Moulinsart. Daniel Couvreur, especialista em quadrinhos e cultura do Le Soir, fez um verdadeiro trabalho de arqueólogo e arquivista em seu livro, incluindo fotos encontradas tanto nos Studios Hergé como nos arquivos de seu jornal. O texto esclarece ao leitor sobre as fontes de inspiração de Hergé e situa "Tintim no Congo" em 1930, ou seja, num mundo muito diferente do nosso: sem telefone, sem internet, supermercados ou televisão... Para aqueles que estão fora da Bélgica mas pretendem adquirir a obra, a maneira mais segura é através do email abonnements@lesoir.be.

:: Henri Mova Sakanyi, embaixador da República Democrática do Congo, deu uma entrevista para uma emissora belga. O assunto não poderia ser outro: o processo judicial envolvendo o álbum "Tintim no Congo". Quando questionado se tem o livro em sua biblioteca, o embaixador responde: "Infelizmente, sim". Ele explica que concorda com a inclusão de um aviso nos volumes à venda, "sem necessariamente alterar [o conteúdo do livro]", e é bem coerente em sua argumentação: "Não devemos julgar uma época passada, 1930, de qualquer jeito, com novos argumentos. Seria muito fácil para nós, que evoluímos". Ele defende que todas as imagens negativas produzidas pela obra sejam recontextualizadas, "para que haja uma leitura mais ou menos saudável".

:: O especial sobre "Tintim no Congo" está a caminho. Em breve a data de publicação será anunciada. Aguarde...
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Site oficial de Tintim

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