AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a possível sequência de Tintim

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Confira o bate-papo com o saudoso dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

Mostrando postagens com marcador pastiches e piratas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador pastiches e piratas. Mostrar todas as postagens

09 março, 2016

Grupo brasileiro cria série de ilustrações em homenagem a Tintim

Arte de Luis Fernando Martins para o Boteco da Justiça
O grupo Boteco da Justiça, formado por amigos e admiradores de quadrinhos, resolveu homenagear personagens icônicos através de ilustrações. Desde 22 de fevereiro, "As Aventuras de Tintim" é o tema da maratona de releituras, e ganhou versões bem diferentes pelos integrantes do grupo. Veja algumas dessas artes a seguir.

Começando em 1930 e indo até 1983, Tintin teve um total de 24 álbuns de quadrinhos, sendo que o último ficou inacabado,...
Publicado por Will Sideralman em Terça, 23 de fevereiro de 2016

Além dos gibis Tintin também ganhou uma série de animação que contou com 39 episódios, divididos em 3 temporadas, era a...
Publicado por Will Sideralman em Quarta, 24 de fevereiro de 2016

A teoria corrente indica que Hergé batizou a sua personagem em homenagem ao livro de Benjamin Rabier, denominado Tintin...
Publicado por Will Sideralman em Sexta, 26 de fevereiro de 2016

Tintin está sempre cercado de amigos e companheiros de aventuras, a começar por Milu, o fox terrier branco. Geralmente...
Publicado por Will Sideralman em Terça, 1 de março de 2016

Trifólio Girassol ou simplesmente, professor Girassol, outro dos amigos de Tintin, é um cientista que entende e age de...
Publicado por Will Sideralman em Sexta, 4 de março de 2016


De acordo com Will Sideralman, um dos administradores do grupo, todo mês um personagem diferente é escolhido para a homenagem. Alguns amigos são convidados e participam da "exposição virtual", que apresenta também um breve histórico sobre o tema proposto. "Os critérios de escolha passam pelo nosso gosto pessoal, tentando equilibrar, pois sabemos que é difícil ter unanimidade. Isso tudo é novo pra nós também, estamos aprendendo e vendo os resultados, a ideia é ser divertido", comentou Will.

O Boteco da Justiça é um grupo aberto no Facebook. Para participar, clique aqui. E mesmo que não participe, vale a pena dar uma olhada. Tem outras artes inspiradas em Tintim muito boas por lá!
Compartilhe:

25 abril, 2015

Yves Rodier, herdeiro artístico de Hergé, anuncia aposentadoria

Pra quem não reconhece pelo nome, Yves Rodier é simplesmente o responsável por finalizar a última aventura de Tintim, "Tintim e a Alfa-Arte", obra inacabada de Hergé que foi publicada pela primeira vez em português aqui no blog. O trabalho do quadrinhista canadense agradou a fãs de todo o mundo, incluindo antigos colaboradores de Hergé, como Bob de Moor.. Rodier não viveu preso a Tintim, mas criou suas próprias séries de bande dessinée, como "Simon Nian" e "El Spectro".

No mês passado, Yves Rodier anunciou sua decisão de abandonar o mundo dos quadrinhos. O prazer de desenhar foi consumido pela pressão da indústria, que exige mais produção em cada vez menos tempo. E, como este nunca foi um trabalho muito rentável, o artista decidiu, aos quase 50 anos, virar a página e buscar outro rumo profissional. "É uma decisão que tomo com tristeza", diz ele em um longo texto de despedida no Facebook (em francês), "porque trabalhar com história em quadrinhos era meu sonho de infância. Mas a realidade deste ambiente hoje está longe de estar à altura do meu sonho", desabafa Rodier, ao publicar a sugestiva charge abaixo.


Nos últimos anos, Yves Rodier vinha trabalhando para a editora Le Lombard, onde assinava o título "El Spectro". A série, iniciada em 2011, narrava as aventuras de um lutador de luta livre mexicano que nas horas vagas defendia os fracos e indefesos de inimigos perigosos. Embora fosse empregado da editora, o artista em momento algum culpou a empresa pela sua decisão. Ele associa a sua retirada ao novo modelo de mercado, mais associado à quantidade do que à qualidade. "O mundo mudou muito", diz ele no texto. "Não há mais glória no 'trabalho bem feito'. A glória vem agora quando traz dinheiro para seu patrão, mais rápida e frequentemente possível".

Como Rodier sempre teve uma boa relação com o TPT (inclusive já realizamos duas entrevistas - veja aqui e aqui - e ele foi o principal jurado em um concurso de desenhos do blog - relembre aqui), me senti no dever de entrar em contato com o artista para entender o que teria levado a esta decisão drástica. "Eu desisti da BD", disse ele. "Fazia anos que eu não tinha nenhum prazer em fazer isso. Não paga bem e tira toda qualidade de vida... Como eu completo 50 anos em dois anos, preciso de descanso e segurança. Quero um emprego estável, com um bom salário, e férias", concluiu.

Cheguei a questionar se a decisão seria irreversível, ou se poderíamos aguardar um possível retorno, quem sabe até como autor de um novo Tintim, mas a resposta não foi lá muito animadora: "Se eu fosse você, eu não esperaria". Assim, a indústria dos quadrinhos perdeu mais um gênio. E nós, fãs. perdemos o maior herdeiro artístico de Hergé.

Bob de Moor, colaborador de Hergé, autografa uma edição do pastiche "Tintim e a Alfa-Arte"
Compartilhe:

01 novembro, 2013

Um pastiche oficial de Tintim


Em 25 de setembro de 1981, a revista "Tintin" lançou um número especial para comemorar seus 35 anos. O 316º volume da publicação apresentou uma série de pastiches de séries como Blake e Mortimer, Alix, Joana, João e o macaco Simão, entre outros. Mas um dos maiores destaques foi, sem dúvida alguma, uma adaptação de três páginas  de "O Templo do Sol", de Hergé, criadas por Rosinski e Van Hamme. A mini-aventura segue Tintim, o Capitão Haddock e Zorrino na jornada até o templo inca, trazendo um visual inovador para quem está acostumado com a linha-clara dos álbuns de Hergé. Confira clicando nas imagens abaixo:

   

Este é o tipo de trabalho que, na opinião deste tintinófilo, deveria ser feito se a Moulinsart e a Casterman realmente desejam publicar algo novo. Não tem a pretensão de substituir os originais de Hergé mas consegue surpreender com seus traços e cores atraentes e vibrantes. Pode não funcionar como continuidade da série, mas cai muito bem como homenagem, que é o máximo que pode ser feito em respeito ao legado do artista.

:: Em tempo: Para comemorar o centenário de Hergé, em 2007, o blog Adesso (em francês) corrigiu digitalmente as três páginas a partir de uma edição original da revista, e publicou online como "L'Arrivée au Temple du Soleil". O resultado pode ser visto na capa que ilustra o topo do artigo e também nas imagens abaixo - é só clicar e se deliciar:


Compartilhe:

17 janeiro, 2012

Exposição de artista brasileira usa Tintim para discutir os direitos autorais

Treze telas de Denise Araripe ocupam a partir de 16 de janeiro a Galeria Maria de Lourdes Mendes de Almeida, na Universidade Cândido Mendes de Ipanema.

Artista com longa trajetória no Brasil e no exterior, ligada desde 2005 ao Escritório de Arte Ana Beatriz Britto, Denise apresenta ao público um novo tema, inspirado por um polêmico debate. As novas telas revisitam alguns dos personagens mais conhecidos dos quadrinhos em todos os tempos: Tintim e seus companheiros de aventuras – o Capitão Haddock e o cão Milu. São releituras de situações mostradas na série de livros criados a partir de 1929 por Hergé (1907-1983).

Paulo Sérgio Duarte, diretor do Centro Cultural Cândido Mendes, selecionou a mostra: “Denise é uma artista neo-pop. O ressurgimento do pop, com as apropriações que carrega, se dá em um novo contexto, diferente dos deslocamentos de objetos que se dão na sobras de Duchamp e Warhol. Tudo é mais veloz, e essa discussão está na ordem do dia”.


Citação, pastiche, referência, recriação, adaptação, colagem, releitura? Tudo isso e mais um pouco, na discussão das possibilidades contemporâneas de reinterpretação e de reprodução infinita da imagem. E não é acaso que Tintim esteja no centro desta questão: a coleção de personagens encabeçada pelo repórter belga foi alvo de um dos mais rumorosos casos envolvendo o debate em torno da contraposição de direitos autorais e liberdade de expressão, em 2008 – a viúva de Hergé e o marido Nick Rodwel, à frente da Sociedade Moulinsart, detentora do espólio do criador, processaram o artista francês Bob Garcia pela inserção de Tintim em seus livros. Nesse imbróglio, que ganhou ressonância mundial, até fã clubes foram intimados a mudar seus nomes.

Denise Araripe – que vem desenhando sua carreira em ciclos temáticos bem definidos, como o das bonecas, em que discutia o feminino – sempre enovela fortemente seu trabalho visual à reflexão pelo viés cultural. Desta vez, ela mergulha neste debate e apresenta sua versão de Tintim – e nas telas, o próprio personagem, por sua vez, absorve e processa outras referências, em diferentes locais e épocas, de Van Gogh a Louis Vuitton, das Torres Gêmeas em chamas à Merde d’Artiste de Piero Manzoni, de Picasso a Damien Hirst. Numa das telas, a primeira da série, Denise aplicou repetidamente a frase Artigo 47 da Lei 9.610/98 – a decisão brasileira sobre o assunto, a favor da liberdade de uso das imagens - além de apontar outras “aparições” de Tintim, antes e depois da criação de Hergé: um personagem de 1910 e a paródia de Roy Lichenstein, entre outros.

Mais informações: www.deniseararipe.com.br.
Compartilhe:

01 fevereiro, 2011

O retorno do "Lótus Rosa"

Depois de ter sido "retirado de circulação", em 2008, após um simples fax enviado pelo advogado da Moulinsart à direção da FNAC espanhola, o polêmico livro El Loto Rosa, do autor espanhol Antonio Altarriba, está novamente disponível nas prateleiras. Não lembra deste caso? Clique aqui e saiba mais.

Na época, o assunto chamou atenção principalmente pelo fato desta obra não se encaixar nas definições de plágio ou paródia. Na realidade, o livro apresenta uma série de ensaios sobre Tintim, alguns textos especulando sobre a vida secreta de Haddock, Girassol e Castafiore e uma narrativa ficcional sobre a vida adulta Tintim após a morte de seu autor. Segundo o autor, Tintim já não tem a companhia de Milu, que está morto, nem do Prof. Girassol, que foi internado numa clínica psiquiátrica. O Capitão é um alcoólatra falido e o repórter, que agora trabalha como paparazzi, tem sua primeira experiência sexual com Catherine Deneuve.

A Moulinsart, é claro, não gostou nada da "homenagem", e para "defender o legado de Hergé" - conforme explicado na época - solicitou que a FNAC retirasse os exemplares de circulação. Depois da proibição, o livro passou a ser vendido por preços altíssimos no mercado negro, e agora pode novamente ser comprado livremente, por 25 euros.

A publicação é ilustrada por algumas imagens que Ricard Castells havia confeccionado para o catálogo espanhola "Made in Tintin", bem como reproduções hiper-realistas de pinturas de Antonio Hernández Landazabal. Os direitos das imagens aparentemente pertencem aos autores, por isso o retorno às lojas.

Com informações dos sites www.1001.com e www.objectiftintin.com.
Compartilhe:

29 dezembro, 2010

Pastiches e Piratas: Tintim, Repórter Freelance

Une Aventure de Tintin Reporter Pigiste au XXe Siécle é o título de uma breve história em quadrinhos baseada no personagem de Hergé, publicada originalmente em 1992. Desenhada por Yves Rodier, criador do pastiche Tintim e a Alfa-Arte, a pequena aventura foi baseada em um roteiro proposto na edição 1027 da revista Spirou (concorrente da revista Tintin), datada de 19 de dezembro de 1957.


O enredo se desenrola imediatamente antes da aventura de "Tintim no País dos Sovietes", primeiro álbum da série, e revela como o garoto se tornou repórter do jornal Le Vingtième Siécle - periódico belga onde suas aventuras eram publicadas semanalmente. Dividida em seis partes de meia página cada, a história foi usada por Rodier durante um concurso organizado por um fanzine. Mas o talentoso desenhista canadense foi desclassificado, por utilizar um personagem já existente.


Uma Aventura de Tintim, Repórter Freelance do Le Vingtième Siécle (em livre tradução) foi publicada originalmente na revista "Tintin et les Faussaires", e chega pela primeira vez em português através do Fórum Tintim por Tintim. Para conhecer este que é praticamente um prólogo das aventuras de Tintim, visite o tópico correspondente no sub-fórum Pastiches e Piratas, onde está sendo postada uma versão totalmente recolorida.
Compartilhe:

03 dezembro, 2010

Moulinsart x Ole Ahlberg: arte ou plágio?

Em agosto de 2010, uma revista belga-holandesa publicou um artigo a respeito da ação judicial entre a Sociedade Moulinsart e o pintor dinamarquês Ole Ahlberg (foto), envolvendo a polêmica dos direitos autorais. Tudo isso porque o artista retratou personagens de Hergé, que estão sob a custódia da empresa, em situações comprometedoras, ao lado de mulheres em poses e vestimentas sensuais.

Uma surpreendente decisão do Tribunal de Recursos, em Bruxelas, obrigou o detentores dos direitos autorais de Hergé (e do artista René Magritte, que também é "homenageado" pelo dinamarquês) a não perseguir Ole Ahlberg por causa de suas paródias. O juiz se baseou em uma exceção para a paródia que foi introduzida em 1994 na lei belga sobre direitos autorais. Essa exceção permite que um artista utilize as obras de um colega, com  a condição de que o conteúdo produzido seja crítico, humorístico, e respeite a obra parodiada. "As pinturas Ahlberg nem são críticas, nem bem-humoradas, nem respeitam nada", disse Alain Berenboom, advogado de "Tintin" e "Magritte".
"Plágio ou paródia? Eu sou um pintor e não crio categorias jurídicas. Os artistas devem ser capazes de pintar o que eles querem ", disse Ahlberg para o site Knack.be.

A obra de Ole Ahlberg vem ganhando cada vez mais destaque depois da polêmica. O fato remete a 2001, quando o artista estava abrindo uma exposição de suas obras em Bruxelas, ao lado da esposa do primeiro-ministro dinamarquês. Os advogados da Moulinsart apareceram no local e exigiram que as imagens, consideradas ofensivas, bem como qualquer outra que envolvesse os personagens de Hergé - como um quadro de Dupond e Dupont que parodiava uma obra de Magritte (veja abaixo) - fossem removidos. Ahlberg se recusou e o caso foi parar no tribunal, onde o juiz foi favorável ao artista, alegando que paródia é permitida sob a lei de direitos autorais internacional e belga.


Não vou publicar aqui os trabalhos mais polêmicos de Ole Ahlberg, por motivos óbvios. Mas se você deseja conhecê-los, acesse seu site oficial, clicando aqui. Na galeria há uma série de pinturas do artista, que satirizam também outras figuras conhecidas do público, como a Monalisa e até o papa.
Compartilhe:

01 maio, 2010

Tintim e o Mestre do Suspense

Já que nesta semana completam-se 30 anos da morte de Alfred Hitchcock, o blog traz para vocês uma mini-aventura de Tintim, onde ele contracena com este grande gênio do cinema. Tintin y el Maestro del Suspense foi concebido em 2009 por um fã espanhol de Tintim, conhecido no fórum Tintin CFH pelo pseudônimo Bergamotte. As cores são creditadas a Zorrino, irmão do desenhista.

Confira abaixo as duas únicas páginas de "Tintim e o Mestre do Suspense", que faz referência a algumas obras de Hitchcock. Clique nas imagens para ampliá-las.
.....
No blog de Jose Luis Harmonies (vulgo Bergamotte), você pode saber mais sobre quadrinhos e conhecer também os personagens criados por ele, para a série "Las Aventuras de Zoco". Para ler o Mis Comics y Mas, em espanhol, clique aqui.
Compartilhe:

27 abril, 2010

Uma nova aventura de Tintim?

10 de maio de 1940. O exército alemão invade a Bélgica. Aos 33 anos, Hergé é obrigado a sair do país, para não ter o mesmo destino de seu irmão, Paul, que fora deportado para a Alemanha como prisioneiro de guerra. O cartunista foge para a França, levando sua esposa, sua meia-irmã, sua sobrinha e seu gato siamês. No dia 22 daquele mesmo mês, Hergé se refugia em Collanges (Puy-de-Dôme), e fica ali por um mês, a convite de seu amigo e colega Marijac.

Como o jornal Le Vingtième Sciècle deixou de ser impresso em 09 de maio, em plena publicação da aventura de Tintim "No País do Ouro Negro", Hergé ficou sem trabalho. Mas ele não podia parar. Segundo a revista Circus, num artigo publicado em 1987 (clique na imagem abaixo), ele volta a desenhar, e começa uma nova história: Tintin et le Perfum Invisible ("Tintim e o Aroma Invisível", em livre tradução).

Ainda de acordo com a publicação, certo dia, quando o carro de Hergé quebra no meio da estrada, o desenhista o empurra até uma fazenda e o deixa lá, até que possa voltar para buscá-lo. Mas os anos se passam, a guerra prossegue, termina, e o dono do carro jamais volta. Um vizinho do fazendeiro, chamado Mouillessot, se interessa pelo carro abandonado, e o compra a preço de banana. Anos depois, ao mexer no banco de trás, ele descobre algumas folhas rabiscadas, mas não conhece o personagens desenhados ali. Aquelas seriam as quatorze páginas de esboços de 'Tintim e o Aroma Invisível', que acabaram sendo esquecidas por Hergé, já que seu próximo álbum fora "O Caranguejo das Tenazes de Ouro".

Aquelas preciosas páginas passam de mão em mão, até finalmente ser comprada por um rico colecionador holandês, que segundo a revista prefere permanecer anônimo. Mas ele mostra os supostos esboços de Hergé, e quem tem o privilégio de vê-los garantem que são autênticos. O enredo traz um acontecimento que teria sido o mais audacioso de todas as aventuras escritas por Hergé: o desaparecimento de Tintim. Tudo começaria com um passeio de Tintim e Milu ao redor do castelo de Moulinsart. De repente, um misterioso gás se espalha pelo ar, e o jovem repórter cai desmaiado - isso ainda na página 3, disponível abaixo. Em seguida, homens com máscaras de gás entram em cena, e carregam Tintim, que só volta a aparecer na última página.

Por anos, muitos fãs de Tintim buscaram mais informações sobre essa possível nova aventura de Tintim. Em fóruns espalhados pela rede, há o questionamento sobre a autenticidade desses esboços, e sobre quando o tal colecionador estaria disposto a revelá-los ao mundo. Mas muitos com certeza ficarão surpresos ao descobrir que, embora este manuscrito realmente exista, ele jamais foi assinado por Hergé. "Le Parfum Invisible" é oum trabalho de dois franceses, Christian Goux e Didier Convard , e foi projetado especificamente para a edição da revista Circus do dia... 1º de abril!

Isso mesmo, foi tudo uma pegadinha. No entanto, a parte que conta sobre a estadia de Hergé na casa em Collanges - sem água corrente - é a pura verdade. Na época, ele participou da vida da aldeia, ajudando até mesmo a cortar feno. Em casa, onde os jovens se reuniam para jogar baralho e ouvir rádio, Hergé às vezes desenhava Tintim na mesa da cozinha ou numa toalha de papel, sob o olhar atônito dos moradores. Talvez um destes esboços que ele fez ainda esteja no sótão da aldeia... Neste caso, a caça ao tesouro pode continuar!

Fonte: La Montagne. A imagem no topo foi criada por Ralph Edenbag, baseando-se nos esboços "originais".
Compartilhe:

18 fevereiro, 2010

Novas paródias de Tintim a caminho

No ano passado, o cartunista conhecido na França como Gordon Zola foi processado pela Sociedade Moulinsart. A disputa judicial continua, e o objetivo da empresa é impedir a publicação da série em quadrinhos Les Aventures de Saint-Tin et son ami Lou, que faz clara referência à obra de Hergé. Apesar disso, o autor continua sua saga, e depois de lançar em novembro de 2009 os títulos "Les Poils mystérieux" e "L’ire noire", agora publica um novo volume: "L’affaire tourne au sale".

Em fevereiro de 2009, a Moulinsart exigiu a proibição da série, a destruição de todas os volumes em estoque, e acusou o editor e o parodista de falsificação, plágio, adaptação literária e parasitismo. Em julho, o caso foi a tribunal, e o autor foi absolvido das acusações de falsificação, plágio e adaptação literária. Porém, Gordon Zola e sua editora, a Léopard Démasqué, foram condenados por parasitismo, e tiveram de pagar uma quantia de 40.000 euros aos herdeiros de Hergé, em compensação ao prejuízo econômico supostamente causado. O parodista recorreu da decisão em outubro de 2009, e um novo julgamento está programado para maio.

"Gordon Zola e seus editores não estão dispostos a se curvar diante dos ditames abusivos que a sociedade Moulinsart tenta impor às paródias e análises", diz Gordon Zola ao Le Parisien. "A paródia é um direito. O tribunal reconheceu o conceito de paródia para a série de Saint-Tin".

Fonte: Objectif Tintin.

Compartilhe:

16 fevereiro, 2010

Tintim contra Batman?



Muito antes de Batman vs Superman, um fã inspirado de Tintim e da DC resolveu dar uma nova responsabilidade para o repórter criado por Hergé: lutar contra o homem morcego. Mas, o morcegão de Gotham City não é um personagem "do bem"?! Parece que isso não contou muito para o criador desta aventura... pelo menos a princípio.

Na paródia publicada em 1995 na França, Tintim viaja até Gotham City e, após um confronto inicial com o Batman, se junta ao cavaleiro das trevas para resgatar Milu dos sequestradores.

Assinando Hergé, o artista Bournazel utilizou um estilo bem caricato, mais próximo do visual dos primeiros álbuns em preto-e-branco do repórter.

Como não é autorizada pelos detentores dos direitos de Tintim, obra só é (dificilmente) encontrada no mercado clandestino, em uma edição exclusiva para colecionadores.

Confira algumas imagens:




Com informações de: Tintin est vivant e Cool French Comics.

Compartilhe:

06 dezembro, 2009

A Evolução da Alfa-Arte - Final

Nesta quarta e última parte do nosso especial, você poderá fazer, por si só, uma análise mais profunda das diversas versões de Tintim e a Alfa-Arte. Comparando as imagens abaixo, é possível notar a verdadeira evolução do álbum de Hergé, desde seus esboços um pouco indefinidos, passando pelos rascunhos não finalizados e por fim chegando à versão pastiche que conhecemos hoje.

O começo: Hergé fazia anotações e registrava pensamentos nas páginas de esboços. Como pode ser visto no amontoado de papéis que deixou, o artista teve várias ideias - muitas delas descartadas - para compor aquela que seria a 24ª aventura de Tintim.

Um mestre no lápis: O segundo passo era transformar aqueles rabiscos em formas mais concretas. Infelizmente, a leucemia só permitiu que o cartunista chegasse a esta fase em três das quarenta e duas páginas que havia esboçado. Abriu-se um caminho para amantes da arte e aproveitadores...

A pressa é inimiga da perfeição: Na esperança de ganhar uns trocados em cima do nome de Hergé, o artista que assinava como Ramo Nash completou sua versão logo após a publicação dos esboços pela Casterman. O resultado foi um álbum com gráficos malfeitos, como dá pra ver na imagem acima. Obviamente aquilo não agradou aos tintinófilos, sedentos por uma nova aventura.

Trabalho profissional: Muito rara de se encontrar, a versão dos estudantes de Belas Artes de Paris é uma das mais detalhadas (por exemplo, repare o picapau do penúltimo quadrinho!). Só há um porém: eles não finalizaram o álbum, em respeito à memória de seu autor.

Ele foi além: Yves Rodier não se contentou com as versões anteriores e resolveu finalizar o álbum. Publicado como "homenagem a Hergé", este pastiche traz uma continuação às 42 páginas de Hergé, finalizando a última aventura de Tintim em harmonia com estilo de seu criador.

Versão brasileira: Há pouco menos de um ano, o blog As Aventuras de Tintim decidiu publicar, pela primeira vez em português (e recolorido), a versão de Rodier do álbum de Hergé. Exceto em casos raros, uma página é publicada por semana, levando aos brasileiros a oportunidade de conhecer um pastiche de Tintim, que não deixa de ser uma obra póstuma, uma herança de Hergé.

Referências

Serviram como fontes de pesquisa para este especial:

  • Tintin est Vivant - www.naufrageur.com
  • Wikipedia - www.wikipedia.org
  • Tintim e a Alfa-Arte - Cia das Letras, 2008
  • Tintín CFH - www.losforos.es
  • Para descubrir Tintin- www.free-tintin.net
Todas as imagens de Tintim e Hergé utilizadas neste especial, bem como no restante do blog, salvo referências, são de propriedade exclusiva da Moulinsart S.A., sendo utilizadas aqui apenas como referência. O blog não se responsabiliza pelo uso que terceiros possam fazer das mesmas.
Compartilhe:

02 dezembro, 2009

A Evolução da Alfa-Arte III: Entrevista Exclusiva com Yves Rodier


Como parte do especial A Evolução da Alfa-Arte, confira agora uma entrevista exclusiva com o desenhista canadense Yves Rodier. Nascido em Quebec, Canadá, em 1967, Rodier atualmente vive na França com sua esposa.

Nesta conversa, ele nos conta como começou a criar a mais famosa versão "completa" da Alfa-Arte, além dos desafios que enfrentou e os frutos colhidos através de seu excelente trabalho. O artista nos fala também sobre seu trabalho atual com quadrinhos (ou bande desinée), e nos dá uma prévia de sua nova obra, a ser lançada no ano que vem.

No final da entrevista, o responsável pelo pastiche Tintim e a Alfa-Arte, publicado aqui semanalmente, deixou um recado para os tintinófilos brasileiros. Confira agora este bate-papo:

- Quando você começou a gostar de Tintim?
Desde a minha infância, eu sempre li Tintim! Mesmo quando não sabia ler, pedia a minha mãe e aos meus irmãos mais velhos para ler os álbuns! Estes eram os álbuns dos meus irmãos.
- E você já desenhava nessa época?
Comecei a desenhar com a idade de dois anos e meio! Eu tentava copiar os desenhos do meu irmão Michel.
- Como reagiu à notícia da morte de Hergé, em março de 1983? Já sabia algo sobre "Tintim e a Alfa-Arte"?
Não me lembro de ter escutado tanto sobre morte de Hergé quando esta aconteceu... Eu tinha 15 anos na época e estava em um período bastante musical, tinha uma banda de rock e tocávamos músicas dos Beatles. Eu soube da existência da Alfa-Arte pouco tempo antes do lançamento do livro reunindo os esboços de Hergé, em outubro ou novembro de 1986.
- Você chegou a conhecer outras versões "completas" de Tintim e a Alfa-Arte? O que achou delas?
Sim, eu comprei a versão "Ramo Nash" em 1989! Além disso, quando soube da existência deste álbum, eu pensei: "Bem, eu não vou precisar terminar o meu, alguém já fez isso..." Mas quando vi os desenhos deste álbum, fiquei um pouco decepcionado, e voltei ao trabalho, sabendo que a minha versão seria melhor.
- Por que decidiu fazer sua própria versão do álbum? Enfrentou algum desafio, achava que realmente conseguiria "completá-lo"?
Quando eu ouvi dizer que o álbum "Tintim e a Alfa-Arte" seria publicado em 1986, sabendo que Hergé estava morto, pensei que seria completado por Bob de Moor, o assistente nº 1 de Hergé. Mas quando soube que esta seria uma coleção de desenhos de Hergé, além da transcrição de seu roteiro, eu disse: "Vamos lá! Eu mesmo vou terminá-lo! Alguns meses de trabalho e esta será uma boa escola para mim, para aprender o ofício de autor de histórias em quadrinhos." Eu não sabia o tanto de trabalho que isso representava, e o desafio que tinha colocado em meus ombros! Levei 5 anos para completar o trabalho!... Mas foi uma grande escola!
- Você ainda era muito jovem quando começou sua adaptação. Lembra exatamente quando começou e quando finalizou o pastiche?
Sim, eu tinha 19 anos quando comecei, em dezembro de 86 ou janeiro de 87, não me lembro muito bem. Terminei no final de maio de 91.
- Acha que conseguiu ser fiel ao estilo de Hergé? Baseou-se apenas nos esboços originais (publicados pela Casterman em 1986) ou utilizou outros álbuns de Hergé como base para os desenhos?
Eu tentei permanecer bem fiel ao estilo de Hergé, mas o estilo variou muito durante os 50 anos que Hergé deu vida a Tintin. Então eu peguei como modelo os últimos 5 ou 6 álbuns, onde o estilo é mais ou menos consistente (de "O Caso Girassol" a "Tintim e os Tímpanos", incluindo também a nova versão de "A Ilha Negra"), pois além de ter de aprender a desenhar exatamente como Hergé, eu também tinha que tentar compreender como Hergé contava uma história, para escrever o final do álbum em grande estilo!
- Houve uma tentativa de publicar o álbum como oficial, mas a Sociedade Moulinsart foi contra. O que realmente aconteceu?
Quando terminei o álbum, em 1991, primeiro apresentei para Bob de Moor [foto], que estava de passagem em Montreal para um Festival de HQ. Ele ficou muito impressionado, principalmente pela minha persistência, e apoiou meu pedido à Fundação Hergé (Moulinsart ainda não existia), para redesenhar o álbum, mais profissionalmente, com o Bob, mas sempre como "Homenagem a Hergé". Quando a Fundação recusou, porque poderia haver, segundo eles, uma confusão nas mentes dos leitores que poderiam crer que a série Tintim continuaria com novos desenhistas e escritores se o resultado parecesse "profissional" demais, então me propus a publicar minha versão do jeito que estava. Eles também recusaram, dizendo que Hergé foi claro em suas exigências, de que ninguém deveria continuar a dar vida a Tintim depois de sua morte, de maneira alguma. Eu respeito a decisão deles, e creio que me respeitam agora, porque sempre fui honesto com eles.
- Falando nisso, você está acompanhando o caso Moulinsart x Bob Garcia? Na sua opinião, quem está com a razão?
Não, não estou tão familiarizado com este caso. Mas estou contente se isso significar que os fãs de Tintim poderão ganhar mais liberdade para criar homenagens e obras de arte ou literatura em torno de seu herói, e se isso também significar que a Moulinsart terá que parar de monopolizar o personagem, e deixar que outras pessoas criem trabalhos sobre Tintim, sem lhes cobrar taxas absurdas para utilizar imagens com direitos autorais. Tintim é um herói de quadrinhos, não uma marca, ou uma máquina de dinheiro, como Moulinsart o tem feito ser.
- Sua versão da Alfa-Arte lhe abriu muitas portas, como a oportunidade de conhecer nomes como Bob de Moor e Greg. Dentre as realizações alcançadas em razão de sua obra, qual foi a mais significativa para você?
Eu diria que ver meu trabalho apreciado e reconhecido por pessoas tão importantes para mim como Bob de Moor e Greg me deu a coragem de seguir este caminho e tentar me tornar um desenhista de HQs de verdade, legítimo, e não apenas um "pasticheiro de Tintim". O que eu creio agora estar a ponto de se cumprir, com a minha série "Simon Nian", publicado pela Glénat, e minha futura série "El Spectro", o justiceiro lutador mexicano, a ser publicada pelas Editions du Lombard, em Junho de 2010!
- Hoje você trabalha com histórias em quadrinhos. Acredita que alcançaria o sucesso se a Alfa-Arte não tivesse passado pelo seu caminho?
Talvez, mas uma coisa é certa, ter concluído o Alfa-Arte atraiu muita atenção para mim, e me abriu muitas portas. Ainda hoje, quando dou autógrafos em Festivais de HQs, eu diria que 1/4 das dedicatórias que faço são das coisas de Tintim que eu desenhei há quase 20 anos!
- Por fim, quero lhe agradecer pela gentileza de conceder parte de seu tempo para esta entrevista. Agora, por favor, deixe uma mensagem para os tintinófilos brasileiros...
Estou contente em saber que Tintim, um herói com bons valores tradicionais, tais como a justiça, a honestidade, a bondade, sempre foi tão bem sucedido, em todo o Mundo, na América do Sul, e em particular no Brasil! Obrigado mantê-lo em seu coração! Viva Tintim!!! Viva Hergé!!!
Compartilhe:

01 dezembro, 2009

Sociedade Moulinsart x Bob Garcia: dois lados de uma guerra

Um caso polêmico tomou conta do mundo tintinófilo recentemente. A Sociedade Moulinsart, detentora universal dos direitos de Tintim, dirigida por Nick Rodwel (marido da viúva de Hergé, na foto à esquerda), continua inflexível com respeito ao uso de imagens e até citações sobre a obra de Hergé. Depois de mover processos contra artistas que usaram de modo ilegal a imagem de Tintim e companheiros em suas obras, a briga agora é com Bob Garcia, membro da associação Les Amis de Hergé.

Tudo começou depois que Garcia publicou cinco livros (em francês) sobre a obra de Hergé, sendo eles: Julio Verne e Hergé, de um mito ao outro; Tintim em Baker Street; Tintim no País do Polar; Biblioteca Imaginária de Hergé e Hergé e a 7ª Arte - todos os títulos em livre tradução. Quanto à publicação dos estudos, tudo bem. Mas há muito mais envolvido... Conheça agora cada lado dessa triste história, um embate entre a luta pela liberdade de expressão e os interesses comerciais de uma superpotência empresarial.

Moulinsart se pronuncia

Em comunicado divulgado em seu site oficial, intitulado "Bob Garcia: parasitismo econômico, falsificação e citação gráfica no centro das discussões", a Moulinsart acusa o autor de reproduzir, sem sua permissão, 'elementos e trechos da obra de Hergé, às vezes em grandes números'. Bob Garcia e a editora Promocom teriam feito isso por acreditar que aquelas cópias estavam 'dentro da exceção de citações curtas' (baseada na Convenção de Berna, 1974 - ratificada pela França) e, dessa forma, poderiam ser dispensadas de um pedido de autorização. A Moulinsart levou o caso à justiça francesa e, em 22 de maio de 2008, o Tribunal de Nanterre decidiu que "as reproduções de imagens tiradas do trabalho de Hergé poderiam se beneficiar da exceção de citações curtas".

Alegando que a legislação não fora estabelecida naquela área, a Moulinsart voltou aos tribunais no início de 2009. No dia 17 de setembro, o Tribunal de Versailles reverteu a decisão de primeira instância, concordando que, mesmo a reprodução de um quadrinho, ou tirinha, acompanhado de texto como citação, poderia ser considerada como a reprodução de uma obra de arte em sua totalidade - em outras palavras, uma falsificação. O Tribunal decretou que o título de "Tintin à Baker Street" e "Tintin au Pays du Polar" são falsificações de títulos da série de álbuns de Tintim, bem como as capas de todos cinco livros são versões falsas da obra de Hergé.

Bob Garcia se defende

Bob Garcia criou um blog onde fala sobre a ação judicial movida contra ele. Garcia conta que a Moulinsart tem atribuído a criação da série Les Aventuras de Saint-Tin et son ami Lou - paródia das Aventuras de Tintim e Milu - a ele, quando na realidade é de autoria de Gordon Zola, outro que tem sofrido pressão por parte da empresa.

Em resposta ao comunicado da Moulinsart, o escritor começa dizendo que foi vítima de mentiras e hipocrisia. Ele alega que o tribunal não aceitou as acusações de parasitismo e falsificação, visto que, na conclusão do caso, as únicas acusações que sofreu foram de "violação do direito moral do autor" e "violação dos direitos autorais". Garcia admite que publicou cinco pequenos estudos sobre Tintim, mas seu objetivo era "levar Tintim ao público jovem". Além disso, apenas dois dos livros traziam imagens não permitidas, sendo que a Moulinsart solicitou a remoção das figuras de um livro que não continha nenhuma.

Ao contrário do que disse a Moulinsart, Garcia afirma que não tinha interesse em lucrar sobre a imagem de Hergé, tanto que, segundo comunicado da romocom, eles não ganharam nenhum centavo com a distribuição dos volumes. Como membro da associação Amigos de Hergé, Garcia publica seus livros e artigos apenas de forma colaborativa, sem lucrar nada, e a Moulinsart sabe disso. Mesmo assim, Nick Rodwell resolveu entrar um recurso contra a editora e o autor, e Garcia foi condenado a pagar mais de 48 mil euros (cerca de 120 mil reais) por violação de direitos autorais.

O processo ainda gerou mais danos. A editora Promocon agora está à beira da falência, e Bob Garcia passa por uma triste situação financeira que, segundo ele, a Moulinsart "conhece muito bem". O escritor propôs, através de seu advogado, a prorrogação do prazo de pagamento. Em resposta, Rodwell disse através da imprensa que buscava uma solução "humana" a este "incidente lamentável", mas no mesmo dia exigiu a apreensão dos bens do autor, incluindo sua casa.

A Repercussão

Sites especializados em Tintim e jornais do mundo todo noticiaram a disputa entre Rodwell e Garcia. Alguns fãs de Tintim, em solidariedade ao escritor, chegaram até a cogitar um boicote aos produtos relacionados com Hergé, incluindo o filme que chega aos cinemas em 2011. Tudo isso em protesto contra a atitude da Moulinsart, que através de seu administrador, Nick Rodwell, vai de encontro com a liberdade de expressão. É bom ter cuidado, porque essa redoma criada ao redor de Tintim pode acabar por sufocá-lo, tornando o personagem esquecido.
Compartilhe:

28 novembro, 2009

A Evolução da Alfa-Arte II

Está no ar a segunda parte do nosso especial, onde você vai poder conhecer um pouco mais sobre as adaptações e diferenças presentes nas principais versões do álbum Tintim e a Alfa-Arte...

Ramo Nash

Em 1988, um artista sob o pseudônimo Ramo Nash publicou sua própria versão de Tintim e a Alfa-Arte. Esta foi a primeira vez que alguém decidiu "completar" o álbum, e isso poucas semanas após a publicação dos esboços originais pela Casterman.

O álbum foi colocado à venda e, em algumas semanas, a versão básica se tornou um objeto raro de se encontrar. Uma edição de "luxo", numerada de 1 a 150, foi reservada para alguns privilegiados. Apesar de trazer papel de alta qualidade e capa em cores vivas, o conteúdo do livro não agradou. Além de gráficos mal feitos, a história decepcionou no quesito originalidade.

Yves Rodier

Em 1991, o desenhista Yves Rodier concluiu sua própria versão do álbum, depois de cinco anos de trabalho. Ele começou ainda jovem, aos 19 anos, mas procurou ser o mais fiel possível ao estilo de Hergé. Na imagem abaixo você confere a arte da primeira capa (e contra-capa) oficial, presentes em 9 exemplares do álbum, de 1992 - o artista substituiu o lema "Hommage" (Homenagem) por "Héritage" (Herança).

Diversas edições do pastiche de Rodier foram publicadas, em preto e branco. O trabalho daquele jovem canadense agradou tanto que ele foi aprovado pelos amigos e colaboradores de Hergé, Edgard P. Jacobs e Bob de Moor. Pouco antes de sua morte, De Moor ainda tentou fazer desta versão parte do cânon oficial de Tintim, e publicar o álbum como "Homenagem a Hergé". Seu desejo era ajustar o pastiche de Rodier, contando com a ajuda de Greg no aprimporamento do roteiro. Mas a ideia não foi aprovada pelos detentores dos direitos autorais de Hergé.

Em 1995, uma livraria belga colocou à venda 25 exemplares piratas do álbum de Rodier, com o selo das Editions Romméo - veja a capa à direita. Cinco anos depois, a versão pirata foi reeditada, contra a vontade de seu autor.

Há alguns anos, a versão de Yves Rodier foi colorida e traduzida para diversos idiomas, como inglês, francês e espanhol. Este é o mesmo álbum que o blog publica semanalmente, trazendo pela primeira vez para o Brasil uma versão recolorida e traduzida para a nossa língua. A nossa adaptação do álbum é feita com base nas versões em inglês e francês, disponíveis na internet.

Apesar de ser uma das melhores versões da Alfa-Arte, pra não dizer a melhor, nunca vamos ter certeza se é assim que Hergé queria que a história fosse, ou se ao menos ele aprovaria a adaptação.

ENSBA

Esta terceira versão é, certamente, a mais rara. Produzida entre 1988 e 1989 por estudantes de Belas Artes de Paris, é a mais avançada graficamente, e só está disponível em CD-ROM. As páginas foram feitas em pranchas de 30 x 25 e digitalizados a 360 dpi em escala de cinza.

Os artistas envolvidos nesta versão decidiram não tentar terminar a história, mas finalizá-la no mesmo ponto onde Hergé parou, na cena em que Tintim é levado para a morte. Esta versão toma o cuidado de explicar que foi produzida por simples prazer, e não com o objetivo de ser mais uma publicação clandestina.

Uma nova edição oficial

Em 2004, a Casterman resolveu lançar uma nova edição do álbum, dessa vez mais caprichada. Com um layout totalmente novo, o álbum traz uma capa dourada e mistura eboços de Hergé com textos e desenhos ampliados para destacar partes da história. O formato é o mesmo dos álbuns tradicionais: um livro de capa dura, com sessenta e duas páginas. Esta versão foi publicada no Brasil em 2008 pela Companhia das Letras.

Uma das novidades da edição de 2004 foi a inclusão de nove páginas, apresentando ideias alternativas para a história. As mais significativas são as seguintes:

.: Uma mudança de estilo de vida para o Capitão Haddock. Apaixonado pela obra de Ramo Nash, ele muda seu estilo de vestir, transforma sua casa, planta maconha e estoca haxixe nos porões de Moulinsart. Tintim e Haddock são presos, sob acusação de tráfico de drogas, e uma investigação é iniciada em Amsterdã.

.: Pintura e narcóticos: Uma grande festa é realizada na embaixada de Sondenésia, com a presença de embaixadores de diversos países, incluindo San Teodoro, Bordúria e Syldavia. O Dr. Krollspell (veja Voo 714 para Sidney) faz uma aparição, como diretor de uma fábrica de açúcar mascavo.

.: O Capitão Haddock sofre de neurastenia, pois já não pode beber uísque. Nesse meio tempo, ele se apaixona pela obra de Ramo Nash. O Prof. Girassol inventa um produto que supostamente permitirá que Haddock volte a beber. Mas quando o remédio é testado, faz o Capitão perder todo o seu cabelo e ganhar manchas no rosto.

.: A possível verdadeira identidade de Endaddine Akass é revelada: Rastapopoulos. Não é algo confirmado, mas especula-se que Hergé realmente queria usar esta ideia.

.: Outra revelação presente nas páginas descobertas é que Endaddine está envolvido com o Emir Ben Kalish Ezab, o que também não fica muito claro.

.: Uma das páginas alternativas traz a imagem de Rastapopoulos - que apareceria entre as páginas 39 e 40.

.: Haddock é convidado para uma exposição de Ramo Nash. Uma série de velhos conhecidos participa, como Dawson (O Lótus Azul), os irmãos Pardal (O Segredo do Licorne) e Carreidas (Voo 714 para Sidney).

.: Uma das páginas mostra uma anotação de Hergé, na verdade uma dúvida, que poderia levar a história um feliz desfecho: 'Tintim só será salvo graças a... Milu? Haddock? Ao professor? A...?' - infelizmente ficamos sem a resposta...

Outras versões

Além das versões listadas acima, existem várias outras, algumas produzidas por fãs, outras por aproveitadores. Algumas delas chegaram a ser publicadas, e entre as mais populares podemos citar os pastiches de Hémo (um dos mais procurados - e caros - em feiras de quadrinhos europeias) e Régric (pseudônimo de Fréderic Legrain), de 1995. Assim como aconteceu com Yves Rodier, o trabalho de Régric agradou aos antigos colaboradores de Hergé, como Bob de Moor.

Veja abaixo algumas versões de Tintim e a Alfa-Arte através de uma vinheta presente na página 3 do álbum e compare com original de Hergé. Apesar de o estilo do criador ser mantido, é visível a diferença no traço de cada artista.

Até um rascunho do mestre supera as cópias finalizadas...

O artista anônimo decepcionou bastante em sua versão "improvisada" da Alfa-Arte.

Já o jovem Rodier conseguiu agradar, criando um final à altura da obra.

Este foi um dos artistas que soube copiar de forma mais precisa o traço de Hergé.

A versão de Hémo é uma das mais procuradas pelos tintinófilos na França e Bélgica.

Esta é a nossa versão, sobre o desenho de Rodier. Publicada aqui semanalmente.

E tem mais...

Na próxima parte do nosso especial, você confere uma entrevista exclusiva que o desenhista Yves Rodier concedeu ao blog. Fique ligado, pois a terceira parte vem mais cedo: é nesta quarta, no único blog brasileiro dedicado à obra de Hergé!

Compartilhe:

Translate

Veja também

Veja também
Site oficial de Tintim

Arquivo TPT