Confira a trilha sonora completa do filme "As Aventuras de Tintim" (2011). As 18 faixas estão disponíveis na playlist a seguir.
Em 2012, o filme de Tintim ficou fora da competição pela estatueta de Melhor Filme de Animação no Oscar. O motivo foi a polêmica decisão da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que, desde 2010, impede os filmes produzidos em captura de movimentos de concorrer ao prêmio. Em contrapartida, o longa de Steven Spielberg e Peter Jackson ganhou o Globo de Ouro de Melhor Animação.
Mas, apesar de não ter concorrido ao prêmio principal para animações, o primeiro filme em 3D de Tintim disputou outra importante vaga no Oscar daquele ano: o prêmio de Melhor Trilha Sonora Original. Composta por John Williams, parceiro de longa data de Spielberg, a trilha sonora do filme tem grandes momentos e, depois de assistir ao filme mais de uma vez, é difícil não sair cantarolando um dos temas. O filme infelizmente não levou a estatueta, que foi para o excelente "O Artista", que também tem uma trilha sonora inspirada.
A Moulinsart S.A. entrou com uma ação judicial no último dia 3 de fevereiro para impedir a venda de um busto de madeira minimalista de Tintim. O objeto de decoração é baseado em uma obra do designer catalão Peret, que concedeu a licença de comercialização à SV Creations. Entenda como uma reviravolta no caso pode afetar diretamente a imagem do Museu Hergé.
Atualização 14.09.16: Confira o resultado da ação no final do post.
Segundo o L'Echo, a Moulinsart enviou uma notificação solicitando que a SV Creations pare com a venda, destrua o estoque e preserve duas peças. Na mesma carta, a empresa pede que a SV lhe pague (provisoriamente) mil euros de compensação. O advogado da SV considera que a autorização de Peret é suficiente para continuar comercializando as esculturas, e alega que a arte original seja uma paródia. A Moulinsart discorda, e o caso será julgado em maio no tribunal de comércio francófono de Bruxelas.
Tiro no pé?
Fabricadas na Bélgica em madeira de borracha aprovada pelo Greenpeace, as esculturas custam € 390,00, cada. De acordo com o site Heady-Art.com, que comercializa as peças desde outubro de 2015, a imagem que inspirou os bustos foi criada por Peret em 1984, como parte de uma exposição dedicada à obra de Hergé na Fundação Miró. O designer convidou 80 ilustradores de todo o mundo, e a mostra teve uma grande cobertura pela imprensa. Desde então, a criação nunca tinha sido contestada pelos herdeiros de Hergé. Logo, o que está em questão é o lucro que os fabricantes estariam obtendo com o uso da imagem, ainda que estilizada, de Tintim.
O curioso é que uma arte similar à de Peret é utilizada no logotipo do Museu Hergé. Por este motivo, o artista decidiu fazer uma intervenção voluntária no caso, e pretende impedir a Moulinsart de utilizar seu trabalho.
Compare: o cartaz de Peret, o busto da Heady-Art e o logo do Musée Hergé
:: Opinião: Creio que essa tentativa de "contra-ataque" do artista não vai levar a lugar nenhum. E nem tanto pela eficiência dos advogados dos herdeiros de Hergé. O fato é que o logotipo do museu não é igual à criação de Peret; está bem mais próximo do design antigo de Tintim, com a cabeça mais arredondada. Então, mesmo que a decisão do tribunal seja favorável à comercialização do busto, o que acho difícil, acredito que nem respingará na imagem do Museu Hergé.
O Resultado - Atualização de 14.09.16
De acordo com o L'Echo, a Moulinsart venceu mais essa. O tribunal considerou que a ação do artista espanhol foi totalmente desprovida de fundamento, ressaltando que a cabeça de Tintim reproduzida no logotipo nada tem a ver com o cartaz de Perret, o que pode ser visto na posição do nariz e no formato do topete. O Museu Hergé alegou que o logotipo foi inspirado em uma ilustração da página 30 de "Tintim no Congo". Via tt.info.
Tintim, um jovem magro, de estatura baixa, rosto arredondado, traços faciais delicados e cabelos ruivos penteados de modo que haja um saliente topete. Ele está acompanhado do Professor Girassol, um senhor que aparenta mais de sessenta anos de idade, magro, baixo, de óculos, com apenas um pouco de cabelos escuros sobre as orelhas e a nuca. Com eles, está também Frank Wolff, um homem que parece ter cerca de cinquenta anos de idade, com cabelos parecidos com os do Professor Girassol, um pequeno bigode e óculos. Todos usam macacões, sendo que Tintim veste azul e os outros dois, tons diferentes de verde. Estão dentro de um foguete que viaja em direção à Lua. Os três se debruçam sobre um periscópio (equipamento que permite a observação de objetos cuja visão direta seria impedida por obstáculos). Eles veem o planeta Terra circundado por estrelas. Professor Girassol diz: “A Terra! Nossa velha Terra querida, vista a mais de dez mil quilômetros!”.
A descrição acima diz respeito a um quadrinho do álbum “Explorando a Lua”, da série “As Aventuras de Tintim” (Tradução de Eduardo Brandão, Companhia das Letras, p. 4). A história, criada pelo belga Hergé, foi publicada pela Casterman em 1954 (tendo chegado primeiro às páginas da revista Tintin belga entre 1950 e 1953, sob o título "On a marché sur la Lune"), quando o Homem ainda não havia chegado à Lua.
Tintim e seus amigos tiveram a honra de conhecer a vastidão de nosso “Lar Azul” antes de nós! O distanciamento do planeta permitiu que o jovem herói viajante conhecesse seus variados destinos em sua totalidade, enxergando os diferentes cenários de suas aventuras de outro ponto de vista.
E eis que esses cenários parecem diminuir, à medida que a distância aumenta... De longe, eles se confundem: Não há fronteiras; não existem países, cidades... Os governos, sejam democráticos ou ditatoriais, não alcançam as estrelas. Lá de cima, o que parecia grande e poderoso nada mais é que um detalhe, uma mancha vista com dificuldade... em meio a tantos caprichos humanos.
Às vezes, é bom “viajar para o Espaço”, ver a Terra de longe. Mudar o ponto de vista é essencial para observar o que não poderia ser notado da maneira convencional. É assim que surge a empatia, tão necessária à convivência, ao respeito e, por consequência, à preservação da espécie humana. Somente este sentimento permite que nos coloquemos no lugar do outro e colaboremos mutuamente na vida em sociedade.
Sem essa colaboração, caminhamos para a autodestruição. Basta que observemos a História para comprovarmos que as civilizações que se deixaram tomar pela ambição exacerbada, a competição sem limites e o consequente estado constante de guerra não tiveram futuro; a Humanidade assistiu à sua ruína.
Quando olhamos a Terra de longe, vemos o quanto ela é pequena – o quanto nós somos minúsculos. Só então percebemos que frequentemente valorizamos coisas que nada representam frente à imensidão do Universo. Esse distanciamento nos faz pensar. Só ele nos mostra a insignificância de hierarquias e julgamentos que nos conduzem a tantas injustiças.
A Terra é um pequeno planeta em meio ao desconhecido, na vastidão da real beleza da vida, dos mistérios da natureza. E nós somos apenas seres que vivem nessa pequena porção de terra e rocha. Este é o nosso lar. Nada mais interessa: onde nascemos, nossa cor de pele, religião, cargo, posição política, grifes, deficiências físicas ou intelectuais... Dividimos a mesma casa.
Habitantes do mesmo lar precisam prestar atenção uns aos outros, para que haja uma boa convivência. Isso ocorre na Terra? Não. Cada um tenta falar mais alto que o outro e ninguém se ouve.
O interessante sobre os álbuns de Tintim é que o homem da Ciência, que tanto explora a natureza para desvendar seus segredos mais ocultos e usá-los a seu favor, possui deficiência auditiva. Professor Girassol nunca compreende o que lhe é dito (levando, muitas vezes, Capitão Haddock a perder a paciência). Entretanto, nessa importante missão de exploração de uma nova realidade, o cientista passa a usar um aparelho auditivo. O distanciamento faz com que ele ouça. Longe da Terra, vendo-a pequenina, o homem da Ciência passa a compreender os companheiros, tornando-se um igual.
Quantos de nós tornamo-nos voluntariamente cegos e surdos, esquecendo-nos de que para entendermos a natureza precisamos nos sentir parte dela e que a “luta pela sobrevivência” não é uma corrida solitária, mas a colaboração mútua que permite a conservação da espécie? Ter empatia, ser ético e ajudar são as armas mais poderosas que temos nessa batalha cotidiana.
Volte ao primeiro parágrafo deste texto. Leia-o novamente, imaginando a cena descrita. Agora, pense que é desta forma que um cego “vê”. Ele precisa da empatia de quem enxerga para que o mundo material lhe seja descrito e, assim, ele possa se sentir parte dele, quando o tato não pode ser um recurso.
Em uma recente postagem do Tintim por Tintim, tivemos um belo exemplo de adaptação de conteúdo para áudio! As gravações das histórias de Tintim feitas pelos franceses têm permitido que os quadrinhos cheguem a quem não poderia desfrutá-los de outra forma. Vamos torcer para que outros países façam o mesmo – incluindo o Brasil -, para que a cultura se torne acessível a todos e, assim, sintamo-nos mais próximos como seres humanos, habitantes do mesmo “Lar Azul”.
Encerro este texto com as palavras de um célebre astrônomo: Carl Sagan, que percebeu – um pouco depois de Tintim e seus amigos – a pequenez de nosso “Pálido Ponto Azul”.
O PÁLIDO PONTO AZUL - CARL SAGAN - NARRAÇÃO: GUILHERME BRIGGS
A Planeta DeAgostini e a Altaya anunciam o lançamento da Coleção Oficial de Figuras de Tintin em Portugal. Fabricadas pelos escultores dos estúdios da Moulinsart e pintadas à mão, as figuras reproduzem fielmente os principais personagens de Hergé. Cada edição acompanha um passaporte numerado que certifica sua autenticidade e um livro que apresenta detalhadamente o respectivo personagem.
No total serão 60 figuras, contra 111 da coleção original, que terá seu último número publicado na França em março (uma réplica de Hergé) e depois na Espanha (onde já conta com 27 exemplares). No Brasil, foram lançados apenas 5 fascículos.
O número 1 será uma réplica de Tintim, com aproximadamente 12 cm, e chegará às papelarias, tabacarias e quiosques portugueses na quinta-feira, 11 de fevereiro. Com distribuição quinzenal, o primeiro fascículo custará € 2,99, o segundo € 6,99 e os seguintes € 12,99.
Todas as informações sobre a coleção estarão disponíveis em breve no site oficial. Veja o material de divulgação a seguir:
No início do ano passado, a Planeta DeAgostini fez uma espécie de lançamento-teste no Brasil, mas a coleção foi cancelada por tempo indeterminado. Cinco fascículos chegaram a ser publicados, mas apenas em algumas bancas das regiões Sul e Sudeste. Apesar de várias tentativas, não tivemos nenhuma posição sobre um possível lançamento nacional.
Enquanto Tintim não ganha uma continuação nos cinemas, os fãs - pelo menos os francófonos - podem aproveitar a adaptação dos álbuns para uma mídia bem diferente (mas nada nova). Estreia na próxima segunda-feira, 8 de fevereiro, nas rádios da França, o primeiro episódio da versão radiofônica do álbum "Os Charutos do Faraó". Para se ter uma ideia da dimensão do evento, o site do Ministério da Cultura da França vem destacando a produção em seu site e redes sociais.
Atualização: Escute os 5 episódios na íntegra aqui no blog. Você também pode acompanhar a série ao vivo pela rádio France Culture. Acesse o site e clique no player "Le direct" (à direita ou no rodapé da página).
EPISÓDIO 1/5
EPISÓDIO 2/5
EPISÓDIO 3/5
EPISÓDIO 4/5
EPISÓDIO 5/5
Esta semana, um teaser da trilha sonora assinada por Olivier Daviaud foi divulgado pela France Culture e Moulinsart, mostrando o making of da produção. O resultado é muito bom, remete à série clássica e não deve nada a John Williams. Confira a seguir.
Dirigidos por Benjamin Abitan e adaptados por Katel Guilloue, os cinco episódios baseados em "Os Charutos do Faraó" serão transmitidos de 8 a 12 de fevereiro, às 20h30, pela rádio France Culture. Os personagens serão interpretados pelo grupo Comédie-Française, e a música tocada pela Orquestra Nacional da França. Vale lembrar que esta série é a primeira de cinco adaptações dos álbuns de Hergé - saiba mais aqui.
Curiosidade: o diretor revelou que buscava uma mulher para interpretar Tintim, porque ele queria "um timbre indeterminado, andrógino". Como não encontrou uma atriz com essa voz no grupo de teatro, optou por Noam Morgensztern, cujo timbre de voz "não é muito forte", mas "neutra, suave", como se esperaria de um intérprete do jovem repórter.
Como foi destacado pelo leitor Vitor Hugo Mota na fã-page do TPT no Facebook, "Tintim e rádio têm tudo a ver. E dá a chance do público deficiente visual experimentar a alegria de consumir suas aventuras. E não há nada mais realizador do que proporcionar ao público cego uma experiência há muito tempo lhes negada". Sim, a versão de Tintim para o rádio merece ser apreciada, não apenas pela qualidade artística evidente, mas pelo que se torna meio que involuntariamente, uma ferramenta de inclusão. Seria uma grande alegria ver - ou melhor, ouvir - algo assim em nosso idioma.
Eu não disse que janeiro era um mês de festa? Além de Tintim e Milu, que completaram 87 anos no dia 10 de janeiro, do Capitão Haddock, que fez 75 anos no dia 2, e de Bianca Castafiore que, embora não pareça, teve suas 77 primaveras comemoradas no dia 5, há outras criações de Hergé fazendo aniversário no primeiro mês do ano. Infelizmente, os donos da obra não prepararam nenhum evento para marcar as datas, mas o TPT não esqueceu, e relembra aqui algumas datas marcantes para os fãs de Hergé:
11 de janeiro de 1947: Nesta data, o primeiro longa-metragem baseado na obra de Hergé fez sua estreia na Bélgica. O Caranguejo das Tenazes de Ouro foi uma adaptação bastante fiel ao álbum. Realizada em stop-motion, com bonecos representando os personagens, teve apenas duas exibições ao público, graças à falência do produtor. Infelizmente, o resultado do longa não agradou a Hergé, que demorou para aprovar uma nova animação de Tintim para os cinemas. Seria este um motivo para o filme ser esquecido?! Conheça detalhes e curiosidades sobre a animação aqui.
19 de janeiro de 1936: Depois de criar Tintim, Hergé recebeu uma encomenda inusitada de um periódico católico francês. A revista Cœurs Vaillants pediu que o autor criasse uma versão do repórter mais próximo da realidade dos leitores, entenda-se: com uma família. Foi assim que nasceram Jo, Zette e Jocko (conhecidos em português como Joana, João e o macaco Simão), que agora completam 80 anos sem nenhuma comemoração. A saga do casal de irmãos e seu chimpanzé de estimação rendeu cinco aventuras, mas acabou porque Hergé estava descontente com a situação constrangedora que se repetia: os pais dos meninos viviam preocupados com os perigos em que eles se metiam. Por essas e outras, Hergé afirmou que Tintim tinha sorte de ser órfão.
O TPT já falou sobre a origem e a trajetória de Jo, Zette e Jocko. Saiba mais.
23 de janeiro de 1930: Um ano depois de enviar seu repórter à Rússia Soviética, o Le Petit Vingtième apresentou aos jovens belgas uma dupla de garotos travessos de Bruxelas: Quick e Flupke (também conhecidos como Quim e Filipe). Com mais de 300 episódios em páginas duplas, as desventuras dos dois moleques giravam em torno de situações do cotidiano, bem familiares às crianças da época. As historinhas sempre tinham a participação do Agente 15, um policial muito parecido com os Dupondt, em todos os sentidos. Quick e Flupke chegaram a fazer pequenas aparições em álbuns de Tintim, como em "Tintim no Congo", e ganharam até animação nos anos 1980. No Brasil, o lançamento de dois álbuns caprichados ocorreu em 2013, pela Globo Livros.
30 de janeiro é considerado no Brasil como o Dia do Quadrinho Nacional. A origem da comemoração está na data de publicação da primeira história em quadrinhos brasileira: "As Aventuras de Nhô-Quim ou Impressões de uma Viagem à Côrte", do cartunista Angelo Agostini. Publicada em 1869 no jornal Vida Fluminense, a HQ - ou BD - foi apenas a primeira de uma série de títulos em arte sequencial lançados desde então no país.
Em terra de Turma da Mônica, Menino Maluquinho, Turma do Pererê e do Xaxado, As Aventuras de Tintim também tiveram seu espaço, especialmente nos anos 1970, quando os álbuns de Hergé fizeram muito sucesso por aqui. De lá pra cá, muitos quadrinistas brasileiros se inspiraram no jovem repórter, ou prestaram homenagem nas páginas de seus quadrinhos - como Mauricio de Sousa, em uma edição de Cascão - saiba mais.
Tintim também ganhou homenagem nas páginas do "Curumim", suplemento infantil do jornal amazonense Em Tempo. Quem dá nome ao jornalzinho é um pequeno índio criado pelo cartunista Mário Adolfo há 30 anos. Conhecido como "o último herói da Amazônia", o Curumim dedicou a capa da edição de maio de 2015 a Tintim. Além de trazer várias curiosidades sobre a obra máxima de Hergé, o jornal traz uma entrevista comigo, falando sobre o blog Tintim por Tintim. Confira abaixo a versão online.