AS AVENTURAS DE TINTIM 2

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26 março, 2014

Teria Hergé se inspirado em Georges Méliès?

Assistindo ao filme "A Invenção de Hugo Cabret" (recomendadíssimo pra quem curte cinema), notei um personagem de Georges Méliès que não conhecia: Le Diable, do filme "Le Diable au Convent" (1899). Chamou atenção a semelhança física com um personagem de Hergé, o Marquês Di Gorgonzola, alter-ego do vilão Rastapopoulos no álbum "Perdidos no Mar". Teria Hergé se inspirado no filme de Méliès para conceber o disfarce do criminoso milionário dono do Sheherazade? Não sabemos - mas se alguém tiver informações,não hesite em compartilhar!



A propósito: coincidentemente, Georges Méliès é interpretado no filme de Martin Scorsese por ninguém menos que Ben Kingsley, um dos favoritos do TPT para o papel de Rastapopoulos em uma das futuras aventuras cinematográficas de Tintim... Pelo menos como Di Gorgonzola ele convenceria, não?!

:: Sobre o filme

"A Invenção de Hugo Cabret", lançado em 2011, é o primeiro filme 3D de Martin Scorsese (que dá uma de Hergé e Hitchcock e faz uma aparição rápida). Com Ben Kingsley, Asa Butterfield, Sacha Baron Cohen e um ótimo elenco, o longa é uma obra-prima cinematográfica sobre um garoto órfão que está decidido a consertar um autômato deixado pelo pai (Jude Law). A determinação do menino ajuda a mudar não apenas sua própria vida, como a de todos ao seu redor. Entre estes está o grande homenageado da história: Georges Méliès, um dos pioneiros do cinema, que revolucionou a indústria em seu tempo ao criar filmes com cores e efeitos especiais surpreendentes para a época - final do século 19.

Ben Kingsley é Georges Méliès.

Ben Kingsley está perfeito no papel, tanto na atuação sempre afiada como na caracterização que o deixou idêntico ao Méliès da vida real. O longa é uma ode à sétima arte para crianças e adultos, e faz jus a todos os prêmios recebidos. Só tenho um questionamento com relação ao filme: por que não fui assistir no cinema? Se você ainda não assistiu, não perca tempo. Vale a pena assistir, apreciar e conhecer mais sobre o pai dessa fantástica fábrica de sonhos.
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24 março, 2014

Casterman publicará álbum inédito de Tintim

Em conversa com o jornal Le Parisien, Benoît Mouchart falou sobre os novos projetos envolvendo Tintim, incluindo um álbum inédito. Ex-diretor do Festival de Angoulême, Mouchart já ocupa há um ano a posição de diretor editorial na Casterman, distribuidora oficial da obra de Hergé, e desde o início de sua gestão tem como prioridade colocar ordem nas relações complicadas, como a que existia entre a editora e a Moulinsart até algum tempo atrás.


Com o bom relacionamento restabelecido, Casterman e Moulinsart lançaram em março o livro "La Malédiction de Rascar Capac - vol 1. - Le Mystère des Boules de Cristal". Com 136 páginas, a publicação é uma edição comentada e explicativa das 150 tiras da versão original de "As 7 Bolas de Cristal", publicadas pelo jornal belga Le Soir entre 1943 e 1944. O livro reúne esboços, imagens dos arquivos de Hergé e informações diversas sobre a criação da obra, incluindo a participação de Edgar P. Jacobs na produção do álbum. O segundo volume, sobre "O Templo do Sol", está programado para setembro de 2014.


Mas Benoît Mouchart já tem outros projetos em andamento. Falando de uma versão colorida de "Tintim no País dos Sovietes", Mouchart confirmou: "Este é um projeto oficial e tem o apoio da Moulinsart. Uma página de teste foi mesmo realizada, com cores mais sépias. Eu estava um pouco cético no início, mas percebi que foi um verdadeiro sucesso. Só que não temos cronograma de lançamento".

Quando questionado sobre a publicação de uma aventura completamente inédita, Mouchart respondeu: "Sim, é um inacabado que se chama "Tintin et le Thermozéro", que se situa entre "Tintim no Tibete" e "As Jóias da Castafiore". Há cinco ou seis versões do roteiro, um deles escrito por Greg. É uma história muito 'hitchcockiana'. Tintim é testemunha de um acidente de carro: um homem é atropelado. Ele coloca sua capa sobre o ferido, que acaba morrendo. Ele descobre um papel no bolso e que os homens querem recuperá-lo... Hergé finalmente desistiu da publicação, porque era muito próximo de álbuns como "O Caso Girassol". Existe um storyboard completo e oito páginas de rascunhos desenhados por Hergé. Estamos discutindo uma publicação, algo semelhante a como publicamos "Tintim e a Alfa-Arte" após sua morte. Mas, novamente, não há nenhuma data", conclui.
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20 março, 2014

Três personagens de Hergé inspirados em seu irmão

O que Tintim, o Capitão Haddock e o Coronel Sponz ("O Caso Girassol", "Tintim e os Pícaros") têm em comum? Os três personagens de Hergé tiveram alguma inspiração em seu irmão mais novo, Paul Remi.

Você já deve ter visto aqui e aqui que a concepção de Tintim e Haddock foi influenciada pela aparência (no caso do primeiro) e no vocabulário forte (com um milhão de raios!) de Paul. Mas talvez ainda não saiba que um dos maiores vilões das aventuras de Tintim também foi inspirado no irmão de seu criador.


Segundo a história conhecida, depois que Tintim se tornou conhecido e a homenagem de Hergé ao irmão ficou evidente, Paul, que era militar, passou a ser conhecido pelos colegas como "Major Tintin". Para acabar com a brincadeira, cortou o cabelo, deixando o topete (literalmente) para trás e abandonando a aparência similar à do repórter. Mas Hergé não sossegou e decidiu homenagear novamente o irmão, desta vez na imagem do militar bórduro Sponz (ou Esponja), que também ostenta um chumaço de cabelo sobre uma cabeça raspada.

:: Mais sobre Paul Remi

O irmão de Hergé também tinha talento para as artes. Apesar de não ter priorizado a carreira artística, publicou três livros de ilustrações: "Les Chevaux du Major", "Petite Histore de l'Equitation" e "En Selle, les jeunes", todos sobre equitação, atividade que executava com maestria.


Um personagem com traços semelhantes aos de Paul Remi (e do Coronel Sponz) apareceu também no álbum "O Cetro de Ottokar", em uma cena que conta com a participação de sósias de Hergé e sua então esposa, Germaine.


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19 março, 2014

Anthony Horowitz fala que Tintim é sua inspiração

Em entrevista ao Daily Mail, o escritor Anthony Horowitz, criador de Alex Rider e autor do primeiro romance de Sherlock Holmes aprovado pelos herdeiros de Conan Doyle, apresentou seu escritório e apartamento em Londres, onde mora há oito anos com sua esposa e dois filhos.


Horowitz apresenta alguns itens curiosos do seu flat, e conta um pouco sobre seu trabalho. Um desses trabalhos, aliás, é no roteiro da sequência do filme "As Aventuras de Tintim", de Steven Spielberg e Peter Jackson, que pelo visto já foi concluído.

Quando questionado sobre o que inspira seu trabalho, o escritor explica que a vista panorâmica de Londres é uma das suas inspirações. "Mas eu fui inicialmente inspirado a escrever por Tintim", diz Anthony Horowitz. "Eu tenho todos os livros, e eu particularmente amo este foguete Tintim, que eu consegui em uma loja em Covent Garden, é tão icônico. É um lembrete constante do meu herói de infância. Aliás, eu acabei de escrever o novo filme de Tintim para Steven Spielberg", conclui.

Bom, a julgar pelo que já foi noticiado, o segundo filme pode mesmo ser baseado em "O Templo do Sol", cujo roteiro já está escrito há bastante tempo. Mesmo assim, ainda devemos aguardar a divulgação oficial.
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18 março, 2014

Quando Hergé errou

Hergé sempre foi conhecido pelo trabalho de pesquisa envolvido na concepção de seus álbuns. Ao longo dos anos, o criador das aventuras de Tintim compilou uma extensa variedade de imagens, fotos e artigos de publicações como a revista National Geographic. Tudo para dar veracidade ao visual e ao contexto das suas histórias.

Mas o que poucos talvez saibam é que Hergé também errou. Não foi um engano complexo, relacionado a alguma descoberta científica ou tecnológica. No caso que tratamos aqui, a falha foi em um assunto aparentemente muito simples, que talvez não deva ser atribuído ao desenhista, mas sim aos coloristas.

No álbum "As 7 Bolas de Cristal", as cores do arco-íris foram retratadas de forma incorreta. Enquanto a ordem de cores original é vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta (de fora para dentro), no desenho de Hergé aparece o inverso, como você vê na ilustração abaixo, que traz a versão correta de um arco-íris na parte superior.


Se você pensa que este foi o único erro de Hergé, engana-se. Ainda tem mais...
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14 março, 2014

Fatos em Fotos: Hergé encontra Mauricio de Sousa


Você sabia que o pai de Tintim já se encontrou com o criador da Turma da Mônica? Pois é, graças a uma foto enviada pelo leitor Marcos Araújo, descobrimos que Hergé, Mauricio de Sousa e suas criações já estiveram frente a frente nos anos 1970.

O encontro entre Mônica e Tintim (que também contou com a participação de Spirou, criação de André Franquin) ocorreu em 1971, no desenho que você vê logo abaixo, assinado por Mauricio em Lisboa, Portugal.


Em 1972, Hergé foi convidado de honra do 1º Congresso Internacional de Quadrinhos, que aconteceu entre 22 de abril e 1º de maio daquele ano no Royal Manhattan Hotel, em Nova York. Nesta ocasião ele juntou-se com Mauricio de Sousa e outros nomes de peso dos quadrinhos mundiais, como Stan Lee (criador de personagens como Homem-Aranha e X-Men), Will Eisner (Spirit) e Hugo Pratt (Corto Maltese). Ainda bem que tivemos um fotógrafo presente para registar este fato...

Hergé desenha para Mauricio de Sousa em 1972. Mais fotos em: GetBack.
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25 fevereiro, 2014

Um novo álbum de Tintim em 2017?

Ocorreu na França em janeiro o 41º Festival de Angoulême, tradicional evento de quadrinhos que reúne clássicos e novidades da banda desenhada europeia e mundial. A edição deste ano contou com a presença de Nick Rodwell, administrador da Moulinsart S.A., que participou de um debate - assistido por mais de duzentos espectadores - sobre a possível nova aventura de Tintim.

Antes de chegar ao que foi dito na conversa, é bom lembrar que no mês de dezembro foi aberto um site para votação do público, cujo resultado já está disponível. A enquete perguntava se o público seria favorável a uma nova aventura, e 67% votaram que Não. Uma outra enquete ousou ao questionar se o público gostaria de ver uma nova personagem feminina no caso de um novo álbum - 75% foram contra a ideia.



O debate

Além de Nick Rodwell, estavam presentes no debate outros especialistas no assunto, como Numa Sadoul, autor do livro-entrevista "Tintin et Moi", Benoît Mouchart, diretor editorial de quadrinhos da Casterman,  e Benoît Peeters, biógrafo de Hergé. O desejo de ver um novo álbum de Tintim foi quase unânime entre as partes.

Numa Sadoul, que ouviu do próprio Hergé, em 1971, que ninguém mais poderia fazer Tintim, pois, ou melhor ou pior, "eles fariam diferente e, portanto, não seria Tintim", é a favor de uma aventura inédita. "Na época que Hergé disse isso (...) ele não estava preocupado com sua sucessão", explicou Sadoul. "Ele não disse 'não, Tintim não continuará depois de mim' (...) Então eu não sei se podemos usar esta citação para refutar ou afirmar que não pode haver eventuais continuações de Tintim".

Numa Sadoul e Nick Rodwell.

Para Benoît Peeters, 38 anos - período desde o lançamento do último álbum completo por Hergé, "Tintim e os Pícaros" - é tempo suficiente para impedir qualquer confusão entre a obra original de Hergé e a possível aventura realizada por novos autores. Peeters acredita que o novo autor não deveria tentar reproduzir a linha clara de Hergé, imitando seu estilo para fazer crer que é simplesmente um 25º álbum. "Seria uma uma farsa", afirmou.

Já Nick Rodwell explicou que o álbum não deve surgir em pouco tempo. "Nós poderíamos começar a projetar em 2048, para estar pronto em 2052 ou 2053, antes do fim do período de 70 anos de proteção de direitos autorais. Eu não vejo porque deveríamos publicar um antes, há uma lei que nos protege", defendeu o atual marido da viúva de Hergé, que também citou 2048 como possível ano de publicação da nova aventura.

Algumas possibilidades

Conforme citado em artigo do Le Soir, Nick Rodwell insinuou que poderia haver uma versão colorida de "No País dos Sovietes", afirmando que "testes de coloração interessantes foram feitos". "Hergé aceitaria isso? Não sabemos", confessou, fazendo em seguida uma comparação: "Estamos em uma situação parecida com a dos estúdios Disney após a morte de seu fundador. Durante dez anos, eles se perguntaram o que Walt teria pensado de seus projetos. Então eles decidiram fazer o que queriam fazer. Trinta anos se passaram desde a morte de Hergé. Colorir os Sovietes pode ser considerado uma evolução natural e que irá agradar à Casterman, editora de Tintim."

Fotos: ActuaBD

Benoît Peeters propôs a finalização de "Tintin et le Thermozéro", álbum inacabado com roteiro assinado por Greg. Hergé chegou a desenhar oito páginas da aventura, mas desistiu por se tratar de uma história muito similar a "O Caso Girassol", além de ter que ficar preso a um enredo desenvolvido por outra pessoa, coisa que nunca fez durante toda sua carreira. "Há várias edições do roteiro, incluindo um reformulado por Greg. Existem alguns textos muito engraçados. Hergé estava planejando fazer Tintim passar por Berlim em plena Guerra Fria. Este é um grande projeto", declarou Peeters.

Peeters  lembrou que seria impossível completar "Tintim e a Afa-Arte", pois o material deixado por Hergé é muito primário. "Não havia sequer storyboard completo", explicou o escritor.

Benoît Mouchart foi além, e sugeriu que André Juillard e Ted Benoit, que trabalharam no renascimento de "Blake et Mortimer", seriam candidatos adequados para ocupar o posto deixado por Hergé e continuar com as aventuras de Tintim.

Álbum digital

Apesar de não deixar claro se haverá um novo álbum, Rodwell comentou uma hipótese levantada sobre um possível lançamento em formato digital: "O contrato de Hergé com a Casterman é referente aos álbuns em papel, não digitais. Portanto, é bem possível ver um álbum no iPad antes de 2054. Mas, novamente, não estamos com pressa", concluiu.

Até o final do Festival, circulava um boato de que um novo álbum seria publicado em 2017, e muitos pareciam favoráveis à ideia. Mas, até aqui, nada do que foi dito deve ser considerado como oficial. Nick Rodwell deixou claro que tudo depende do desejo de sua esposa, Fanny Rodwell, que, como herdeira do espólio de Hergé, tem a palavra final em qualquer assunto relacionado a Tintim. O que fica claro é que, depois do êxito de séries como "Asterix" e "Blake e Mortimer" mesmo sem seus criadores, a Moulinsart abriu os olhos para a mina de ouro pouco explorada que tem no quintal.

O debate pode ser assistido na íntegra neste link.
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