AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a possível sequência de Tintim

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Confira o bate-papo com o saudoso dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

18 outubro, 2015

Vem aí: A Obra Completa de Hergé


A Moulinsart, em parceria com a Casterman, anunciou o lançamento das obras completas de Hergé. Os quadrinhos, que um dia estamparam as páginas de jornais como o Le Petit Vingtième e do Le Soir, ganharão uma reedição em 12 volumes. As aventuras de Tintim e as peripécias de Quick, Flupke, Jo, Zette e Jocko serão lançados na coleção Hergé: Le Feuilleton Intégral em suas versões originais.

Coleção começa pelo volume 11. Entenda o motivo.


No início, Tintim era publicado em formato de folhetim, com uma ou duas páginas de quadrinhos que saíam periodicamente em suplementos de jornais belgas. Os quadrinhos de Hergé, bem como todo material gráfico que os acompanhava (capas, ilustrações, banners, entre outros), serão publicados integralmente conforme suas primeiras versões, publicadas no Le Vingtième SiécleCœurs VaillantsLe Soir e na revista Tintin entre abril de 1925 e abril 1976.

O curioso é que a obra começa pelo volume 11, sem seguir uma ordem cronológica. O "primeiro" número corresponde ao período de 1950 a 1958, e inclui os álbuns "Perdidos no Mar", "O Caso Girassol", "Rumo à Lua" e "Explorando a Lua", além da última aventura da série Jo, Zette e Jocko, "O Vale das Cobras". São 466 páginas e capa dura, no valor de 80 euros. Lançamento em 4 de novembro.

A coleção completa deve ser publicada num intervalo de 6 a 8 anos, com cerca de dois volumes por ano. Os peritos em Hergé e Tintim Jean-Marie Embs, Benoît Peeters e Phillipe Mellot são responsáveis pelo trabalho de recuperação e organização do acervo.

P.S.: Pra quem, assim como eu, se perguntou "por que começar pelo volume 11?", a explicação pode estar na popularidade dos títulos que compõem a obra. Não que os primeiros trabalhos de Hergé deixem de despertar o interesse do público, mas certamente as aventuras lunares devem chamar mais atenção. Fora que, começando pelo número 11, você - não você, do Brasil - ficaria mais inclinado a comprar os outros 10. Assim eu acho.

Com informações do site oficial de Tintim.
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08 outubro, 2015

Tintim no Cinema: O Lago dos Tubarões

Tintim e o Lago dos Tubarões (Tintin et le lac aux requins) é o segundo longa de animação baseado nos personagens de Hergé. Produzido pelos estúdios Belvision, que anteriormente já haviam trabalhado em uma série de desenhos e um filme animado estrelado por Tintim, o filme tem roteiro de Greg e direção de Raymond Leblanc. O filme, que tem aproximadamente 75 minutos de duração, estreou em 13 de dezembro de 1972.


Sinopse

Tintim, Milu e o Capitão Haddock viajam à Sildávia para visitar o Prof. Girassol, que está hospedado às margens de um lago misterioso. Os Dupondt acompanham a viagem, que logo de início é interrompida por um estranho desastre de avião. A salvação vem de um casal de crianças, Niko e Nouchka, e seu cachorro, Gustav. Uma intriga policial se desenrola ao redor do lago que dá nome à história. O lugar, na verdade, abriga o esconderijo de um poderoso e conhecido vilão, que está de olho na mais nova invenção do cientista: uma máquina capaz de reproduzir objetos. O plano do criminoso é usar o invento para fazer cópias perfeitas de obras de arte, e caberá a Tintim e seus novos amigos impedir isso.


Histórico

Depois de "O Templo do Sol", os estúdios Belvision decidiram trabalhar em um novo longa-metragem animado baseado nas aventuras de Tintim. Hergé resolveu não se envolver diretamente, mas designou alguém de confiança para escrever o roteiro: Michel Regnier, seu amigo pessoal, mais conhecido como Greg. A decisão de não basear o filme em um dos álbuns deu mais liberdade ao roteirista, o que livraria o filme de comparações com a obra original.

"O ponto de partida deste filme foi inspirado na realidade", explicou Greg (foto à esquerda). "Na época, aldeias inteiras foram submersas sem serem destruídas para a construção de barragens. Havia algo de fantasmagórico nestas aldeias engolidas onde tudo foi deixado inalterado, incluindo os sinais de trânsito... Todo mundo parecia achar que era normal, mas a mim, isso me fascinava." Com informações do Devil Dead.

O filme alcançou o terceiro lugar nas bilheterias belgas em 1972, perdendo apenas para "O Poderoso Chefão" e "Laranja Mecânica". O sucesso fez Raymond Leblanc comentar com um jornalista americano: "Até agora, houve apenas um estúdio no mundo capaz de produzir filmes de animação, e foi Disney. Mas agora, há dois".

Hergé e Raymond Leblanc.
A produção envolveu 150 pessoas, que trabalharam durante 15 meses. A United Artists planejou distribuir o filme nos Estados Unidos, mas, por algum motivo, desistiu. Será que, se tivesse estreado nos anos 1970 nos EUA, Tintim teria mais êxito por lá, ou a situação seria ainda pior?!

Inspirações

Apesar de não ser baseado em nenhum dos álbuns assinados por Hergé, o roteiro revisita momentos de algumas das aventuras de Tintim. Uma pérola é roubada de um museu e substituída por uma cópia, assim como acontece com o fetiche Arumbaya em "O Ídolo Roubado"; até o vigia do museu está lá, pode reparar. Tintim e Haddock vão à Sildávia a convite do Prof. Girassol, como em "Explorando a Lua". Depois, Tintim encontra Bianca Castafiore e pega carona com ela em uma estrada na Sildávia, semelhante ao que ocorre em "O Cetro de Ottokar", no primeiro encontro do repórter com a cantora. O submarino-tubarão do Prof. Girassol, que aparece em "O Tesouro de Rackham, o Terrível", volta a funcionar aqui, sob o comando do Capitão Haddock. Tudo isso sem contar elementos que veríamos apenas em "Tintim e a Alfa-Arte", como a falsificação de obras de arte e o retorno de Rastapopoulos.


Pode-se dizer também que o filme tem ligação com outra criação de Hergé, "Jo, Zette e Jocko" (Joana, João e o macaco Simão), uma série estrelada por um casal de irmãos e um chimpanzé de estimação. No longa, o trio é substituído por Niko, Nouchka e seu cachorro Gustav. Mas as semelhanças não param por aí: em "O Manitoba não Responde", publicado em 1936, Jo e Zette são prisioneiros de um cientista maluco em um esconderijo embaixo d'água e usam um carro (tanque) anfíbio para escapar, assim como acontece em "O Lago dos Tubarões". Na sequência, "A Erupção do Karamako", também há uma cena em que os heróis precisam escapar do afogamento e da ameaça de explosão causados pelo vilão.

Adaptação para os Quadrinhos

No ano seguinte ao seu lançamento, 1973, o roteiro foi adaptado para um álbum em quadrinhos de 44 páginas. Sem levar a assinatura de seu criador, a obra foi produzida pelos Studios Hergé. O jornal Le Soir publicou as tirinhas em preto-e-branco entre dezembro de 1972 e janeiro de 1973. De acordo com o site Naufrageur, uma versão em cores foi publicada simultaneamente no Journal de Tintin. Esta versão, com imagens retiradas do filme, foi a mesma utilizada para o álbum. O visual é bem diferente dos álbuns oficiais, com cenários e backgrounds no estilo filme, e personagens redesenhados e coloridos. Uma mistura que distancia a obra do clássico estilo de linha clara das obras originais de Hergé.

O álbum do filme foi publicado em português, respectivamente, pelas editoras Record (1975), Verbo (1997) e Público (2004). Também apareceu na revista portuguesa "Tintin" em 1976.


Opinião

O filme deve ter sido bem divertido na época que foi lançado. Hoje, vale assistir pela curiosidade de ver uma aventura inédita de Tintim. O roteiro não se compara à genialidade das obras oficiais de Hergé, é claro. Tem seus bons momentos de suspense e humor, não posso negar, mas, no geral, é uma história superficial. Infantil, com algumas situações que forçam a barra (tanto no humor como na "ação"), o longa conta com uma boa animação, considerando que foi feito por um estúdio relativamente pequeno, e fora dos Estados Unidos. Os efeitos aquátivos são criativos - a câmera mergulha e emerge com frequência - e os movimentos dos personagens são bem-executados - as cenas de golfe são um bom exemplo disso. A trilha sonora agrada, apesar de fazer falta em muitas cenas que são simplesmente "mudas". As canções de Niko e Nouchka são de dividir opiniões, sem dúvidas - digamos que 'eu gosto do meu burro e ele gosta de mim' não é das composições mais inspiradas... Em resumo, a ideia do filme é boa, tornando "Tintim e o Lago dos Tubarões" um item obrigatório para colecionadores, mas que não serve para introduzir ninguém ao universo de Hergé. Afinal, não é um legítimo Hergé.


Curiosidades

:: Este foi o último filme de Tintim antes da adaptação de Spielberg, lançada em 2011.

:: O bilionário Lazlo Carreidas, do álbum "Voo 714 para Sydney", é visto na cena do aeroporto, no início do filme. Na mesma cena, uma funcionária faz a chamada dos passageiros "Tintim, Milu e Haddock". Será que o fox-terrier também tem passaporte?

:: É interessante notar como o Prof. Girassol está sempre à frente de seu tempo. Seja pisando na lua antes de qualquer homem, seja criando a televisão a cores, o cientista não cansa de inovar. E aqui não é diferente: além de um projetor de imagens em 3D (holograma?), Trifólio cria uma espécie de impressora 3D (na verdade, uma fotocopiadora 3D). É ou não é um gênio?

A cobiçada máquina de cópias em 3D do Prof. Girassol
:: Dúvida (1): O motorista de Bianca Castafiore é o seu pianista, Igor Wagner? Não sei, porque apesar da semelhança, aqui ele se chama Walter...

:: Dúvida (2): Por que os vilões têm a mania de não concluir logo o serviço e sempre deixam uma brechinha para o mocinho escapar? Por que Rastapopoulos tem que dar uma hora para Tintim se safar antes da explosão do vilarejo submarino?


:: Segundo o Blogue de BD, o filme foi lançado no extinto Cinema Condes, de Lisboa, Portugal. A adaptação para os quadrinhos foi traduzida para o português após os esforços do editor José Luis Fonseca. Quando os álbuns esgotaram e a editora Verbo quis reeditar, os detentores dos direitos da obra de Hergé inexplicavelmente recusaram.

:: Um álbum de cromos com cenas do longa foi lançado em 1973 pela Agência Portuguesa de Revistas e distribuído pela A.F. Victor, de Lisboa. Com 28 páginas, 182 cromos e um pôster central. Foi reeditado em 1983 pela Distri Editora, de Portugal, em parceria com a RGE, do Brasil (o que faz crer que o álbum também foi lançado por aqui), em formato menor, com 36 páginas e o mesmo número de cromos, agora autocolantes. Veja mais imagens nos blogs Caderneta de Cromos e  O Tintinófilo.

:: O filme foi lançado em DVD no Brasil pela PlayArte em 2012 - saiba mais, e chegou ao serviço de streaming Netflix em outubro de 2015.

:: A versão dublada resgatou algumas vozes originais da animação da Nelvana. Confira a lista do Dublanet:

Estúdio: Delart.
Elenco:
Jacques Careuil (Tintin): Oberdan Jr.
Claude Bertrand (Capitao Haddock): Isaac Bardavid
Henri Virlojeux (Professor Girassol): Orlando Drummond
Guy Pierrault (Dupont): Darcy Pedrosa
Paul Rieger (Dupond): Márcio Simões
Serge Nadaud (Rastapopoulos): Ionei Silva
Jacques Vinitzki (Niko): Patrick de Oliveira
Micheline Dax (Bianca Castafiore): Geisa Vidal
Locutor: Pádua Moreira
Outras vozes: Jorgeh Ramos, Miguel Rosenberg

Hergé contempla uma arte do filme.
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06 outubro, 2015

Original de "O Lótus Azul" é arrematado por 1 milhão de euros em Hong Kong

Quase 5 milhões de reais! Este é o valor que um fã pagou por um original do álbum "O Lótus Azul", de 1936. E não estamos falando de um álbum ou de uma peça grandiosa de antiquário. Um colecionador asiático pagou esta fortuna em uma página original desenhada por Hergé em tinta nanquim e guache branco.

No primeiro leilão realizado pela Artcurial em Hong Kong, no último dia 05 de outubro, a obra em preto-e-branco foi arrematada por 9,6 milhões de dólares de Hong Kong. O valor é equivalente a cerca de 1,1 milhão de euros - algo em torno de 4,8 milhões de reais, na cotação atual.

"O Lótus Azul é considerado pelos especialistas como uma obra-prima de Hergé", afirmou Eric Leroy, perito em quadrinhos da Artcurial. "A linha e o desenho de Hergé eram maduros (...) Era mais incomum falar sobre a China na década de trinta na Europa", acrescentou.

Segundo o Le Figaro, este desenho é o último original de "O Lótus Azul" ainda em mãos particulares. Todos os outros são de propriedade de museus.

O leilão continua no dia 06 de outubro, e entre o conjunto de  artigos inclui 37 obras estimadas entre 2,5 e 3,5 milhões de euros. Além de Hergé, há criações de artistas como Enki Bilal, Moebius, Nicolas de Crécy, Loustal e Jean-Marc Rochette.
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27 setembro, 2015

Tintim, o eclipse e a Lua

Acontece neste domingo, 27 de setembro de 2015, um eclipse lunar total, que poderá ser visto do Brasil por volta das 23 horas. O fenômeno coincide com a superlua, momento em que o satélite natural da Terra se encontra em seu ponto mais próximo da do planeta, o Perigeu, ficando com um tamanho e brilho incomuns. Segundo os astrônomos, a coincidência só deve ocorrer novamente em 2033.

Quem acompanha as aventuras de Tintim sabe como o repórter é interessado em astronomia. Selecionei aqui três momentos que comprovam isso.

O primeiro deles acontece em "A Estrela Misteriosa", álbum publicado em 1942. A história já começa com um evento incomum: Tintim visualiza uma estrela cadente e, em seguida, percebe uma estrela a mais na constelação Ursa Maior. Intrigado, resolve entrar em contato com o Observatório, que realmente existe na cidade de Uccle, Bélgica. A seguir, fenômenos estranhos acontecem, como o aumento da suposta estrela e um calor de derreter asfalto. Tudo leva a crer que o fim do mundo está próximo, até que o misterioso astro cai no Ártico e Tintim, Milu e o Capitão Haddock passam a integrar uma expedição científica para encontrá-lo.

© Casterman/Moulisnart
Será que Tintim vive uma aventura mais astronômica do que essa? Claro que sim! Anos depois, nos álbuns "Rumo à Lua" (1953) e "Explorando a Lua" (1954), Tintim está envolvido na primeira viagem do homem ao satélite natural da Terra. No primeiro álbum, o Professor Girassol constrói um foguete atômico que é vítima de várias tentativas de sabotagem de uma organização inimiga. Na continuação, Tintim embarca ao lado de Milu, Haddock e do Professor e, mesmo com a interferência dos Dupondt e as trapalhadas da tripulação, consegue pisar em solo lunar. O enredo impressiona por acertar tantos detalhes que o homem só confirmaria anos depois, como a reação à gravidade zero e a presença de gelo na Lua.

© Casterman/Moulinsart

Vale mencionar também a ocasião em que Tintim presencia um eclipse. Prisioneiro dos Incas em "O Templo do Sol" (1949), o repórter procura uma saída para a execução até que encontra, por acaso, um recorte de jornal que fala sobre um eclipse solar que ocorreria exatamente no dia fatal. Usando a mesma tática de Cristóvão Colombo, que teria se aproveitado de um eclipse lunar para escapar dos nativos americanos que aprisionaram sua tripulação na época do Descobrimento, Tintim ameaça apagar o Sol caso ele e seus companheiros não sejam poupados. Adoradores de Pachacamac, o deus sol, os Incas se veem obrigados a libertar o rapaz, o Professor e o Capitão, que seriam queimados por ousarem invadir o Templo do Sol.
© Casterman/Moulinsart
Isso é o bastante para mostrar o quanto Tintim, ou melhor, Hergé, se interessava por astronomia. E as aventuras de Tintim estão cheias de outras curiosidades para todos os gostos. Vale a pena ler.

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25 setembro, 2015

Veja trechos da peça musical "As Jóias da Castafiore"

Estreou no dia 17 de setembro, na Bélgica, a peça teatral baseada no álbum "As Jóias da Castafiore" (1963). Organizado pela associação Ópera pour Tous (Ópera para Todos), o musical teve um público de aproximadamente 1.800 pessoas, que tiveram que se agasalhar para evitar o frio da noite de Bruxelas. O espetáculo é apresentado ao ar livre no Castelo de la Hulpe, e deve passar uma temporada em outras cidades belgas e francesas.


O canal Mega TV realizou uma reportagem sobre a ópera inspirada nos quadrinhos de Hergé. Confira no vídeo abaixo e, a seguir, veja trechos e cenas dos bastidores do musical estrelado por Amani Picci (Tintim), Hélène Bernardy (Bianca Castafiore) e Michel de Warzée (Capitão Haddock).




Saiba mais sobre a organização do espetáculo clicando aqui.


Fotos: AFP

Leia também: Álbuns de Tintim serão adaptados para o rádio.
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Porque Tintim merece um projeto nível Graphic MSP

Chegaram às livrarias nos últimos meses os novos volumes da coleção Graphic MSP, Turma da Mônica: Lições e Turma da Mata: Muralha. O selo, criado pela Mauricio de Sousa Produções e publicado pela Panini Comics, traz uma série de graphic novels estreladas por personagens clássicos do quadrinista brasileiro, só que no traço (e roteiro) de outros artistas do país.


A turma da Mônica, Chico Bento, Astronauta e o mundo pré-histórico do Piteco já foram retratados nos primeiros volumes, todos de qualidade impecável, dignos de um espaço na estante de qualquer fã da nona arte.

Mas onde entra Tintim nessa história? Bem, a maior justificativa para não publicarem um álbum inédito de Tintim é o respeito ao desejo expresso de Hergé, de que o repórter não deveria ser desenhado por outro artista. Mas uma coleção no estilo da Graphic MSP seria não menos que uma homenagem ao pai de Tintim, ideia que é compartilhada por outros fãs ao redor do mundo.

Sem dúvidas, Mauricio de Sousa não deve achar que uma das novas versões de seus personagens seja uma ameaça, muito menos um desrespeito, aos originais. Pelo contrário, o selo tem dado ainda mais visibilidade à obra do artista, pois despertou a atenção de um público mais adulto, que em sua maioria já tinha deixado de lado os gibis da Turma da Mônica - como este que vos fala.

Tudo bem, talvez não seja certo passar por cima da vontade do autor, mas continuo dizendo: a iniciativa valeria como uma bela homenagem ao legado de Hergé. Enquanto isso não acontece, se é que tem chances de acontecer, veja porque vale a pena ler os álbuns da Graphic MSP (que estão disponíveis capa dura e cartonada).

:: Astronauta: Magnetar. Eu não havia me interessado pelo álbum porque nunca fui um grande fã do personagem, apesar de curtir o clima das historinhas. O título também não chamou minha atenção, afinal, quem sabe o que é um Magnetar? Mesmo assim, comprei a edição em capa dura - para minha sorte, a única que encontrei - só para completar a coleção, e me surpreendi com a qualidade. Magnetar traz uma história de aventura e solidão, um drama psicológico com ilustrações belíssimas. O segundo volume desenhado por Danilo Beyruth, Astronauta: Singularidade, tem mais ação e romance, mas não deve nada ao primeiro. Vale mencionar que o protagonista que lembra o Tintim no uniforme lunar, com direito ao topete.

:: Turma da Mônica: Laços. A HQ dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi é uma ode à amizade. Com um clima que remete aos filmes infantis dos anos 80, a história mostra a turma da rua do Limoeiro indo em busca de Floquinho, o cachorrinho do Cebolinha, que desapareceu. O grande destaque da obra são os desenhos dos irmãos Cafaggi, belíssimos e inovadores. Os flashbacks ilustrados por Lu são uma atração à parte, um toque de 'fofura' que faz da obra uma das favoritas da coleção. A sequência Turma da Mônica: Lições, foi lançada recentemente, mas ainda não tive o prazer de ler.

:: Chico Bento: Pavor Espaciar. Gustavo Duarte assina uma aventura muito "especiar" estrelada por Chico Bento e Zé Lelé, com as participações ilustres do porquinho Chovinista e da galinha Giserda. Regado de referências à cultura pop (até Michael Jackson tem direito à sua homenagem), a HQ acompanha Chico e seu primo quando os dois são abduzidos por uma nave alienígena! Duarte usa um humor visual para contar uma história engraçada e bem no clima dos gibis originais do personagem. As sequências dão um movimento quase cinematográfico à aventura rural.

:: Piteco: Ingá. Assinado pelo paraibano Shiko, é uma das adaptações mais surpreendentes da série. O enredo aprofunda a (pré) história do carismático homem das cavernas criado por Mauricio, com desenhos e cores de deixar qualquer um boquiaberto. Mesmo com o rumo meio místico que a aventura acaba tomando, é um deleite acompanhar o resgate a Thuga, que passa a ter um papel bem mais relevante que uma boba apaixonada (e muito divertida). Se tem um ponto negativo que esta HQ revela sobre a coleção é que o número de páginas poderia ser maior.

:: Bidu: Caminhos. Se eu usei o termo 'fofura' ao falar de Laços, não sei como ser mais constrangedor falando dessa emotiva historinha do cachorrinho do Franjinha (pronto, acho que o excesso de diminutivos superou). A HQ de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho se propõe a dar uma origem ao primeiro personagem de Mauricio de Sousa, e faz isso com louvor. A arte é divertida, sensível (e onomatopeica) e não falha na apresentação de alguns companheiros clássicos dos quadrinhos do esperto Schnauzer azul. Simplesmente mais um acerto.

Além dos mencionados, já foram lançados os títulos Penadinho: Vida e Turma da Mata: Muralha, que ainda não comprei, mas já têm sido muito elogiados. Para o futuro, estão confirmadas as adaptações de Papa-Capim e Louco - que já tem título, "Fuga", e será lançado na FIQ, em novembro. Se as novas edições seguirem a linha das anteriores, com certeza valerá a pena adicioná-las à coleção.

Dá pra ver que, se o selo tem virtudes, uma das maiores delas é permitir que os artistas deem uma abordagem diferente aos personagens que estamos acostumados, seja para um tom mais emocional, mais maduro, seja para um estilo de humor diferente. Imagina isso com Tintim...

Imaginou? Então vai gostar do artigo: Um pastiche oficial de Tintim.
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14 setembro, 2015

Conheça o parque temático de Tintim

Você já ouviu falar no parque temático de Tintim? Eu aceito um não como resposta. Afinal, ele não existe mais, o que é uma pena, mas já foi um grande sucesso décadas atrás.

O parque Walibi abriu suas portas em 26 de julho de 1975. Seu nome deriva das primeiras letras de Wavre, Limal e Bièrges, três cidades da província belga de Brabant Wallon, onde o parque está situado. Ele foi, durante anos, considerado a Disneylândia dos tintinófilos. Você vai entender o porquê.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Uma das atrações se chamava Le Temple du Soleil, evidentemente baseada no álbum "O Templo do Sol". Era um dark ride - passeio em que os visitantes encontravam diferentes cenas com os personagens e cenários da aventura de Tintim no Peru, todos de acordo com Hergé. A atração foi inaugurada em 25 de agosto de 1975, sendo a primeira de uma série de projetos de entretenimento oriundos de um contrato com a Editions du Lombard. Durante o inverno de 1979-1980, o parque teve que encerrar a atração baseada no álbum, pois a capacidade de público era menor que a garantida pelo fabricante, acarretando em imensas filas e problemas de segurança.


Com o encerramento do brinquedo, em 1980 o parque inaugurou uma atração maior e mais moderna, Le Secret de la Licorne. O lançamento contou com a presença da rainha Paola, da Bélgica, e fez um grande sucesso entre o público.


Com notável inspiração nos "Piratas do Caribe" dos parques Disney, o brinquedo proporcionava um passeio de barco através da história do antepassado do Capitão Haddock e seu rival, o pirata Rackham, o Terrível (dublado por Bob de Moor, colaborador e amigo de Hergé). Situada em um castelo, 85 animatrônicos e cenários baseados nos álbuns "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível" serviam de fundo para a atração, que contava com uma cena final, uma batalha naval, descrita como impressionante para a época.

Edição de "O Segredo do Licorne" disponível em 250 exemplares na inauguração da atração dedicada ao álbum.
Tintin dans la jungle (Tintim na floresta) era um passeio de barco ao ar livre inspirado em "O Ídolo Roubado". Inaugurado no final dos anos setenta, levava os visitantes em jangadas de madeira através de uma lagoa cercada de animais inanimados e personagens de Tintim. Comparado ao "Jungle Cruise", da Disneyland, o passeio foi substituído por outra atração, sem relação com Tintim, em 1987.


Outras atrações ao ar livre foram inauguradas em 1979. Pampa Ponies era um passeio em pôneis mecanizados com base em "Tintim na América". Nos Mini-Jeeps, passeio baseado em "A Estrela Misteriosa", os visitantes faziam uma trilha através dos cenários do álbum, incluindo uma aranha, maçãs e cogumelos gigantes.


Tintin Show foi uma experiência cinematográfica criada especialmente para o parque. Durou de 1984 a 1989, quando foi substituído por um cinema 3D. No verão de 1987, foi inaugurado o Aqualibi, um parque aquático coberto construído na entrada do Walibi. Apesar de não estar diretamente ligado a Tintim, vários elementos de design de "O Cetro de Ottokar" foram usados na entrada e na fila.

Em 1995, o parque virou cenário de um programa de TV exibido pela RTBF, "L'Énigme du Cristal", game show semanal de verão, com 13 episódios transmitidos nas noites de domingo. As perguntas quue faziam parte da competição entre famílias eram baseadas nos quadrinhos de Tintim, e as brincadeiras eram apresentadas no parque Walibi.


No final da temporada de 1995, a atração "O Segredo do Licorne" foi considerada datada pela direção do parque, o que levou ao encerramento do brinquedo. Depois de uma crise, o parque tentou renovar o contrato sobre os direitos de imagem de Tintim, em 1997. Porém, agora sob a administração da Moulinsart S.A., a negociação não avançou. O parque continua com novos administradores, mas todas as referências à obra de Hergé foram retiradas. Uma pena, pois este seria mais um destino curioso para os tintinófilos que visitam a Bélgica.

Com informações da Wikipedia e Tintinologist.
Agradecimento ao leitor Marcus Vinicius ~ @mvmotoca.
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