Em 10 de janeiro de 1929, chegava às bancas a primeira aventura de Tintim e Milu, as mais famosas criações de Hergé. De lá pra cá, foram 23 álbuns em quadrinhos completos e um com esboços de seu criador, dois filmes de cinema com atores reais e dois em animação tradicional, um longa em 3D, várias animações para televisão, incontáveis produtos de vestimentas a objetos de arte... Enfim, Tintim e Milu têm quase um século de história, e a data de sua criação não deve passar em branco. Vida longa!
Bianca Castafiore apareceu pela primeira vez em 05 de janeiro de 1939, nas páginas do Le Petit Vingtième. Seu début aconteceu na página 12 de "O Cetro de Ottokar", então publicado semanalmente como "Tintin en Syldavie". Logo em sua estreia, a personagem já demonstra seu principal atributo, cantando um trecho da Ária das Jóias, da ópera Fausto, de Charles Gounod.
Assista a um clipe da Ária das Jóias abaixo
De origem italiana, como sugere seu nome, a diva da ópera tem 45 anos de idade, segundo Hergé. O título "Rouxinol Milanês" vem de sua ligação com a casa de ópera La Scala, em Milão. O nome Bianca Castafiore significa, literalmente "branca casta-flor". É em sua homenagem que o Prof. Girassol batiza uma nova categoria de rosas brancas, no álbum que também leva seu nome.
Bianca está sempre acompanhada de sua camareira Irma e do pianista Igor Wagner. Irma faz sua estreia em "O Caso Girassol". Wagner aparece pela primeira vez no mesmo quadrinho de estreia da Castafiore, sem dar uma palavra. Ambos terão participação recorrente em outros álbuns, sendo o de maior destaque "As Jóias da Castafiore".
A primeira referência de Hergé para a criação da Castafiore foi sua tia Ninie, que embalou sua infância com um canto estridente acompanhado de piano. A performance não contribuiu para o gosto do jovem Georges Remi pela a música clássica. Na verdade, ela talvez o tenha levado ao total desinteresse pela ópera, que Hergé considerava uma forma de expressão artística bastante ridícula e além de credibilidade. "Ópera me aborrece, confesso, para minha grande vergonha", admitiu, em entrevista a Numa Sadoul. "Além do mais, me faz rir". A partir desse estereótipo, Hergé criou um arquétipo de cantora que faz rir.
Castafiore também teve forte inspiração na cantora lírica Maria Callas (1923-1977), conhecida como La Divina. Nos anos 1950, a renomada soprano greco-americana era presença certa nas páginas da Paris-Match, uma das fontes favoritas de Hergé. Apesar de não ter influenciado diretamente na criação de Castafiore - afinal, em 1939, ela ainda não tinha aparecido na mídia - Callas serviu de referência para Hergé no desenvolvimento da personagem para os álbuns posteriores. Por exemplo, o papel de Castafiore em "Perdidos no Mar", onde ela é convidada de honra no iate do Marquês de Gorgonzola, pode ser comparado ao romance de Maria Callas com o magnata grego Aristóteles Onassis, que também possuía uma famosa embarcação.
Outras cantoras da época são citadas como possíveis referências à criação da Castafiore, porém, as evidências são insuficientes. Renata Tebaldia (1922-2004), por exemplo, era muito jovem quando a personagem apareceu, enquanto Clara Clairbert (1899-1970) nunca cantou Marguerite em Fausto.
Maria Callas e Aino Ackté
Contudo, há um nome que pode, sim, ter servido de inspiração inicial para Hergé. Aino Ackté, soprano finlandesa (1876-1944), estreou em 1987 na Grand Ópera de Paris - que inspirou o visual do teatro de "As 7 Bolas de Cristal" - no papel de Marguerite. Ela venceu uma competição de ópera com Fausto, que gravou várias vezes, e ganhou fama internacional. Quando cantou no Metropolitan, de Nova York, o fotógrafo oficial da ópera era um belga de nome Dupont, como um dos detetives de Hergé seria chamado pela primeira vez "O Cetro de Ottokar" - antes, a dupla era conhecida como X33 e X33-Bis.
Em 1912, Ackté lançou o festival de ópera do castelo de Savonlinna (Olavinlinna), construção na Finlândia Oriental que foi uma das inspirações para a criação do castelo de Kropow, na Sildávia, e aparece no álbum de estreia de Castafiore. Não se sabe se Hergé realmente conheceu Ackté, seja pelas páginas das revistas e jornais, ou se assistiu a alguma de suas apresentações, o que não é improvável. Mas o fato é que a teoria é bastante convincente, e pode ser reforçada com mais uma possível coincidência: o nome da irmã de Aino era Irma.
Curiosidades
:: Bianca Castafiore aparece nos álbuns "O Cetro de Ottokar", "As 7 Bolas de Cristal", "O Caso Girassol", "Perdidos no Mar", "As Jóias da Castafiore", "Tintim e os Pícaros" e nos esboços de "Tintim e a Alfa-Arte". Sua voz pode ser "ouvida" no rádio em "O Ídolo Roubado", "Tintim no País do Ouro Negro" e "Tintim no Tibete", o Capitão Haddock imagina seu canto em "Voo 714 para Sydney" e menciona sua famosa ária em "Rumo à Lua".
:: Não é só uma rosa que leva o nome da cantora. Um asteroide descoberto pelo astrônomo belga Sylvain Arend em 1950 foi batizado como 1683 Castafiore.
:: A esmeralda que vira o centro das atenções no álbum "As Jóias da Castafiore" é um presente do Marajá de Gopal. O personagem, tido como um dos supostos pretendentes da cantora, não aparece nas aventuras de Tintim, mas tem grande participação em um dos álbuns de Jo, Zette e Jocko, "O Vale das Cobras".
:: Spoilers à frente: Apesar de conseguir quebrar um vidro à prova de balas no filme de Spielberg, nos álbuns Castafiore não vai tão longe. Hergé reconheceu a "limitação" da voz humana, mesmo a mais estridente, demonstrando isso na estreia da personagem, quando os vidros blindados do carro em que ela se encontra permanecem intactos, para alívio de Tintim.
:: Bianca Castafiore já apareceu algumas vezes no cinema. Foi interpretada pela atriz Jenny Orléans no longa "Tintim e as Laranjas Azuis" (1964); teve uma participação no longa "O Lago dos Tubarões" (1972); no filme "As Aventuras de Tintim" (2011), a atriz Kim Stengel interpretou a personagem em captura de movimentos, e a soprano Renée Fleming gravou a canção de Castafiore no palácio de Omar Ben Salaad.
Jenny Orléans no filme de 1964 e a Castafiore de Steven Spielberg.
:: Curiosamente, no filme de 2011, a música cantada por Castafiore não é a Ária das Jóias, que está presente em todos os álbuns em que ela aparece. A personagem apresenta uma mescla de duas árias, entoando "Je jeux vivre", da ópera Romeu e Julieta, de Gounod, junto com a introdução de "Una voce poco fa", do Barbeiro de Sevilha, de Rossini.
:: No Brasil, a personagem foi dublada por Geisa Vidal na série da Nelvana e no longa de animação "O Lago dos Tubarões". No filme de 2011, ganhou a voz de Márcia Coutinho.
Evolução
Castafiore surgiu como uma mera personagem secundária, mas, parece que Hergé viu algum potencial na excêntrica cantora, cujas notas intimidam qualquer um. Não devemos julgar que Bianca cante mal - apesar dela passar por um momento obscuro em sua carreira, no segundo álbum em que aparece ("As 7 Bolas de Cristal"), quando canta em um show de variedades onde também se apresentam um ilusionista e um atirador de facas... Castafiore tem seu talento reconhecido ao redor do mundo, então, é possível afirmar que são apenas determinados personagens, como Milu, Haddock e o próprio Tintim, que não suportam seu estilo musical, refletindo o gosto de seu criador. O Capitão, desde a primeira vez que a escuta, 'lembra de um ciclone que se abateu sobre seu navio quando navegava pelo mar das Antilhas'...
Em "O Caso Girassol", Bianca Castafiore é descrita como "a mais célebre cantora", "sublime no papel de Marguerite", e tem como admiradores autoridades como o coronel Sponsz. É aqui que ela mostra sua coragem e lealdade, ao se arriscar para proteger os amigos do perigoso coronel, que é citado como um de seus possíveis affairs em "As Jóias da Castafiore". No álbum que leva seu nome, fica visível o afeto não correspondido do Prof. Girassol, que até nomeia uma de suas flores em homenagem à diva, e a cada vez mais forte aversão do Capitão Haddock à cantora, que nunca acerta seu nome. Ironicamente, os casal será envolvido em uma fofoca sobre um suposto romance - e casamento!
Ainda em "As Jóias da Castafiore", a dama da ópera é o centro das atenções, seja pela preocupação exagerada com suas preciosas jóias, seja pelo desfile de moda a cada cena, com direito a peças de estilistas famosos como Tristian Bior - uma referência ao francês Christian Dior. No álbum "Perdidos no Mar", ela se vê envolvida com o misterioso Marquês de Gorgonzola, um dos disfarces de Rastapopoulos, que deveria voltar a ter contato com ela em "Tintim e a Alfa-Arte", na pele do mago Endaddine Akass. Essa relação com figuras vilanescas termina em "Tintim e os Pícaros", sua última aparição oficial, quando Castafiore é feita de isca pelo general Tapioca e coronel Sponsz para atrair Tintim, Haddock e Girassol a San Theodoros.
O extenso e elegante guarda-roupas de Bianca Castafiore
Castafiore é a única mulher a ter algum destaque nas aventuras de Tintim. Hergé nunca focou em romances, nem se preocupou em incluir personagens femininas de grande relevância em suas histórias, o que até hoje gera acusações de misoginia. Mas, olhando para este único exemplar do "sexo frágil", vemos que Hergé criou uma uma mulher forte, à frente do seu tempo. Pode não ser bonita, mas de que importa a aparência, quando se é elegante, independente e competente no que faz?
Bianca Castafiore tem sentimentos, que são demonstrados desde o beijo de amizade no professor ("As Jóias da Castafiore"), até um abraço caloroso - rodeado de coraçõezinhos - quando é resgatada pelo Capitão ("Tintim e os Pícaros"). Mas, apesar dos muitos admiradores que coleciona, a cantora só tem olhos para uma pessoa, e sua ária favorita deixa isso bem claro: 'ah, eu rio ao me ver tão bela neste espelho...'
:: Escute agora a famosa "Ária das Jóias", da ópera Fausto, de Gounod, na voz de Bianca Castafiore:
Com informações da Wikipédia, Tintinologist.org, Tintin.com.
No dia 02 de janeiro de 1941, nas páginas do Le Soir Jeunesse, surgia um dos mais queridos personagens das Aventuras de Tintim, o Capitão Haddock. A estreia do velho lobo do mar se deu na história "O Caranguejo das Tenazes de Ouro", que era publicada semanalmente em duas páginas no suplemento juvenil do jornal belga Le Soir.
"Encontro um desafortunado, nascido involuntariamente morto de bêbado, numa cabine do Karaboudjan. Acabei gostando dele e Tintim o reeducou", diria Hergé anos mais tarde. Archibald Haddock, que só teve seu primeiro nome revelado na última aventura de Tintim, teria sido batizado pela então esposa de Hergé, Germaine, que achava o hadoque (também conhecido como arinca) "um triste peixe inglês".
Hergé já tinha pensado no nome "Haddock" anos antes, como revelam anotações de 1938, mas o personagem ainda não tinha nascido naquela época. Seu verdadeiro começo foi mesmo há 75 anos atrás. No início Haddock é um "verdadeiro destroço", contou o criador em entrevista. Na última página, está convencido de que o álcool é o "inimigo mortal do marinheiro". Foi preciso um oceano, um deserto e um terrível pesadelo para levá-lo à redenção e ao posto de companheiro inseparável do herói da série.
Primeira aparição do Capitão Haddock, nas páginas do Le Soir Jeunesse.
Desde sua gênese, Haddock já mostrou a que veio. É na jornada pela "terra dos sedentos" que ele solta seus primeiros e famosos insultos, e é lá também que fica sóbrio pela primeira vez. A partir daí, o Capitão ganha uma dimensão que dificilmente se vê em qualquer personagem secundário de Tintim. O próprio Hergé admite que até Milu passou a ficar em terceiro plano."O Sancho Pança, que era Milu, foi transferido para o capitão Haddock", explicou várias vezes.
Com informações do site bellier,org e do livro "Hergé: Filho de Tintim" (Benoît Peeters, Verbo, 2007).
O que marcou o mundo tintinófilo em 2015? Apesar de não termos um novo Tintim há mais de 30 anos, vez por outra ainda surgem novidades para quem curte a obra de Hergé. Algumas não tão boas, é claro, mas fazer o quê? Confira os destaques deste ano e um pouco do que esperar do amanhã...
Tintim redublado na Netflix: Depois do filme de 2011, a série animada da Nelvana finalmente chegou ao aplicativo de streaming no Brasil. Tinha tudo pra ser perfeito, até levarmos um balde de água fria: a série foi redublada. A empresa alegou que o estúdio já vendeu a série com a nova dublagem e legenda, e praticamente descartou a possibilidade de uma mudança. Pelo menos os longas animados (O Lago dos Tubarões, O Templo do Sol e O Caso Girassol) estão com os dubladores clássicos.
Coleção de Figuras de Tintim: A Planeta DeAgostinilançou uma série oficial de figuras dos personagens de Tintim. Porém, a distribuição foi restrita a algumas cidades do interior da região Sudeste. Poucos meses depois, após apenas 5 edições, a coleção foi suspensa por tempo indeterminado, e nunca mais voltou. Como é difícil ser tintinófilo no Brasil!
Fãs de Tintim x Moulinsart: Um fã-clube holandês surpreendeu o mundo tintinólogo ao revelar um documento que pôs em cheque os direitos de propriedade da obra de Hergé. A Association Hergé Genootschap teve duas vitórias sobre a Moulinsart no tribunal de Haia, que garantiu o direito de reprodução de imagens dos álbuns de Tintim, cedidos pelo próprio Hergé à Casterman.
Tintim 2: Ainda não foi esse ano que tivemos o anúncio do próximo filme de Tintim, que seria dirigido por Peter Jackson. O cineasta disse que não deve se dedicar a blockbusters depois da trilogia "O Hobbit", mas sim a filmes menores. Já o ator Jamie Bell, que viveu Tintim no longa de 2011, disse que a sequência ainda está garantida e pode ser gravada em 2016. Mas não vamos criar expectativas, não só porque já ouvimos essa conversa antes, como também porque o filme pode ter perdido o roteirista.
Entrevistas históricas: Não podemos deixar de mencionar aqui dois grandes feitos que marcaram o ano do Tintim por Tintim. Logo no início de 2015, Jean-Pierre Talbot, o ator que viveu Tintim no cinema, conversou com o TPT sobre o trabalho de sua vida. Depois, foi a vez de Isaac Bardavid, dublador brasileiro do Capitão Haddock, soltar a voz em uma entrevista reveladora. Sem dúvidas, foram momentos muito especiais para quem acompanha o blog. Que venham mais!
Atenção: esta postagem pode conter spoilers do filme Star Wars: O Despertar da Força.
Depois de três décadas, finalmente os fãs já podem ver a continuação de uma das maiores franquias cinematográficas - eu diria a maior - da história, Star Wars. O Episódio VII, dirigido por J.J. Abrams, chegou dividindo opiniões e deixando muitas perguntas no ar, mas quem viu certamente concorda que foi um grande passo para o universo estabelecido por George Lucas há muito tempo, numa galáxia muito distante.
Eu queria dizer pra vocês que achei O Despertar da Força um ótimo recomeço, apesar do excesso de paralelos com o primeiro filme e do desperdício de alguns personagens, no meu ponto de vista. Também que fiquei chocado com AQUELA cena (!) e que eu não precisava ver aquilo, mas sei que vai ser importante para o desenrolar da trama Sem dúvidas, J.J. Abrams acertou ao apostar na nostalgia, mas faltou um pouco mais de originalidade; a premissa é a mesma, a ameaça só ganhou uma proporção aparentemente maior e o vilão ainda precisa de desenvolvimento. Mas funciona bem como um novo Star Wars. Tem um elenco afinadíssimo, uma qualidade técnica pra ninguém botar defeito e ainda apresenta novos personagens muito carismáticos (o trio Rey, Finn e BB-8 conquistou corações). Star Wars: O Despertar da Força trouxe de volta a diversão, a emoção e todo sentimento envolvido em assistir a um verdadeiro filme da saga. Sei que o tema aqui é outro, mas eu precisava arranjar uma boa desculpa para dizer tudo isso. ¯\_(ツ)_/¯
Se você já viu o filme, percebeu a quantidade de personagens que não mostram o rosto, seja por estar coberto por um capacete - Capitã Phasma (Gwendoline Christie), que desperdício! -, seja por ter a aparência de um extra-terrestre produzido com efeitos práticos ou captura de movimentos - Maz Kanata (Lupita Nyong'o) que o diga. O que você talvez não saiba é que embaixo de máscaras e maquiagens digitais há alguns nomes bem conhecidos, e pelo menos três deles estiveram presentes também no filme "As Aventuras de Tintim" (2011), onde, veja só, também não mostraram a cara.
Capitã Phasma: um novo Boba Fett ou uma surpresa escondida?
Um grande surpresa para os fãs é descobrir que Daniel Craig, o James Bond (também conhecido como Sakharine/Rackham, o Terrível), faz uma participação no longa. Ele é aquele Stormtrooper que se torna a primeira "vítima" de Rey (Daisy Ridley) na cena em que ela usa a Força para ser libertada na base Starkiller. O ator, que estava gravando o último 007 (Spectre) perto do set de Star Wars, em Londres, teria implorado para fazer uma ponta no filme, e não é creditado por isso. Fez porque é fã. #eutambémfaria
Desafio: encontre o Daniel Craig.
Quem revelou a tietagem de Craig foi outro grande fã da saga, Simon Pegg, que também ganhou um papel no filme. Mas nem adianta tentar encontrar o intérprete do detetive Dupond em cena, pois ele está irreconhecível na pele do alien Unkar Plutt. Pra quem não identificou pelo nome, o personagem é o responsável pela compra de sucata no planeta Jakku, onde vive Rey. A propósito, Pegg está zerando a vida hein! Que nerd não gostaria de estar envolvido em franquias como Star Wars, Star Trek e Missão: Impossível ao mesmo tempo? Não esquecendo de As Aventuras de Tintim, é claro. :)
Simon Peeg, além de estar nas melhores franquias, também é tintinófilo.
A maior - e põe maior nisso - participação de um ator do filme de Tintim em Star Wars VII é, sem dúvida alguma, a do grande mentor do Lado Negro, o Supremo Líder Snoke. Andy Serkis, o nosso Capitão Haddock, empresta seus movimentos, em mais uma brilhante atuação em perfomance capture, ao vilão que está por trás de Kylo Ren (Adam Driver) e da Primeira Ordem. E o papel terá ainda mais destaque nas sequências, como sugere o próprio personagem. Está aí um grande ator que não faz questão de aparecer!
O Supremo Líder Snoke está longe de parecer com o Capitão Haddock.
Falando em aparecer, um rosto - este sim - que reconheci de imediato quando passou de relance no filme foi Thomas Brodie-Sangster (Maze Runner). Ele é um oficial da Primeira Ordem, que aparece rapidamente em uma das cenas dentro da base Starkiller. Talvez você não se lembre, mas ele foi o primeiro ator escalado para interpretar Tintim no filme de Steven Spielberg, então vale a menção. Atualmente, Sangster dubla o protagonista da série "Thunderbids Are Go", produzida pela Weta, de Peter Jackson.
Além dos atores citados, teve mais gente querendo participar do novo Star Wars, incluindo membros da equipe técnica. O compositor Michael Giacchino (Os Incríveis) também deu vida a um Stormtropper, a filha de Carrie Fischer (Leia), Billie Lourd, fez uma ponta como uma tenente da Resistência e até Warwick Davis, que fez um Ewok em "O Retorno de Jedi", voltou como Wollivan, provavelmente uma criatura sem grande importância. É, a Força é poderosa com este filme. Que venham os próximos!
Tintim e os Prisioneiros do Sol (Tintin et le Temple du Soleil) foi o primeiro longa-metragem em animação tradicional inspirado nos personagens de Hergé. Tendo como base o álbum "O Templo do Sol" (e parte de "As 7 Bolas de Cristal"), o filme foi produzido em 1969 pelos estúdios Belvision e Dargaud-Films. Com aproximadamente 77 minutos, a co-produção franco-belga foi dirigida por Eddie Lateste e produzida por Raymond Leblanc.
Capa da revista Tintin de 23 de dezembro de 1969. Fonte.
Sinopse
Uma maldição Inca atinge 7 exploradores que invadem a tumba de Rascar Capac. Quando o Prof. Girassol comete o sacrilégio de usar o bracelete da múmia, acaba sendo sequestrado e levado para o Peru. Tintim, Milu, Haddock e os detetives Dupond e Dupont viajam à América do Sul em busca do Templo do Sol, para onde ele foi levado. Com a ajuda de Zorrino, um jovem nativo, eles tentarão resgatar o amigo, mas terão que escapar do sacrifício no Templo do Sol.
Histórico
Tintim estava perdendo espaço para Asterix, que em dez anos já ocupava o primeiro lugar nas vendas de álbuns. Para alavancar o sucesso de Tintim, Hergé fechou com a Belvision, de Raymond Leblanc, para a produção de dois longas animados para o cinema. A essa altura, o estúdio já acumulava experiências positivas com os longas animados do próprio Asterix, bem como a série de desenhos animados baseados nas aventuras de Tintim (incluindo "O Caso Girassol"). O estúdio desenvolveu melhores técnicas de animação, contando com uma equipe de cerca de 300 profissionais, entre eles colaboradores de Hergé, como Bob de Moor.
Hergé, Raymond Leblanc e uma maquete do Templo do Sol.
Foto: Fondation Raymond Leblanc
Segundo Benoît Peeters, no livro "Hergé: Filho de Tintim" (Verbo, 2007), o criador do repórter estava cético, porque sabia que seu estilo gráfico era mais difícil de animar do que o de Uderzo. Mas não queria deixar terreno livre para aquele que se tornou seu principal rival. Foi com algum distanciamento, para não dizer desconfiança, que acompanhou a adaptação do álbum "O Templo do Sol", que parecia ser o mais adequado para o cinema.
O roteiro foi escrito por Greg em parceria com Eddie Lateste, Jos Marissen e László Molnár. A trilha sonora foi assinada por François Rauber. O filme estreou na França em 13 de dezembro de 1969. Em Portugal, a estreia só ocorreu um ano depois, em 23 de dezembro de 1970. Com um baixo custo de produção e uma grande publicidade, foi um sucesso comercial, ganhando versões dubladas em diversos idiomas.
Filme x Álbuns
O filme tem como base os álbuns "As 7 Bolas de Cristal" e "O Templo do Sol", que fazem parte da mesma trama. Contudo, no roteiro adaptado por Greg (que também trabalhou em "O Lago dos Tubarões'), o primeiro álbum é comprimido em cerca de 20 minutos. Quase toda a ação de "As 7 Bolas de Cristal" é resumida em uma apresentação bem didática da maldição de Rascar Capac, seguida de uma cena no Castelo de Moulinsart - e não na casa do Prof. Bergamote (que aqui é chamado Prof. Tarragon), como no álbum - até o sequestro do Prof. Girassol.
Além de cenas excluídas, elementos inéditos também são incluídos no enredo, como a constante aparição dos espiões indígenas que são, logo de cara, responsabilizados - apenas para o espectador - pelos atentados aos membros da expedição. Outra alteração, visando o lado humorístico do filme, foi o aumento da participação de Dupond e Dupont, que fazem a jornada até o templo junto com Tintim e o Capitão, enquanto no álbum eles rodam o mundo guiados pelo pêndulo professor. Ah, também deram um jeito de colocar um helicóptero onde não existia...
Uma mudança desnecessária foi a criação de uma personagem que não está presente nos álbuns, Maïta, a filha do Grande Inca. A princesa mal tem tempo de se apresentar, mas sem ela não haveria nenhuma representante do sexo feminino no filme - a não ser uma ou outra nativa sem importância. Vale ressaltar que o roteiro teve aprovação de Hergé, então, não há muito o que questionar.
Opinião
Esta é, sem dúvidas, a melhor das três animações estreladas por Tintim e seus amigos. Apesar de não seguir à risca o enredo dos álbuns, é bem fiel em sua essência. A sequência inicial, explicando a exploração à tumba de Rascar Capac, é uma adição relevante. Mas há alguns diálogos, como o da primeira cena no castelo de Moulinsart, que são um tanto desconexos - não sei se pela tradução ou por falha do roteiro mesmo.
Boa parte das falhas do filme está justamente nas alterações feitas em relação ao original de Hergé. O humor pastelão dos Dupondt, que deveriam ter uma participação menor na aventura, nem sempre tem toda a graça esperada. Já uma cena que poderia ter sido esquecida, a do massacre dos crocodilos, ocupa muito tempo de tela. No que diz respeito ao "romance" de Zorrino, nem condeno a ideia totalmente. Mas se resolveram inserir um interesse romântico para o indiozinho, bem que a relação entre os dois poderia ter sido melhor desenvolvida...
No geral, "Tintim e os Prisioneiros do Sol" - como diz a narração dublada - tem mais pontos positivos do que negativos. Tecnicamente, a animação é boa, considerando a década e o local em que foi produzido. A trilha sonora também é bastante agradável, tanto é que virou disco. Para os tintinófilos da epóca, deve ter sido uma experiência sensacional.
Curiosidades
:: A cena de abertura conta com um apresentador, que explica a uma plateia sobre a expedição Sanders-Hardmuth (que aqui vira "Hardman") e a maldição de Rascar Capac. A fisionomia é claramente inspirada em Hergé, criador de Tintim.
:: O Prof. Bergamote, o último explorador atingido pela "maldição do Rascar Capac", tem outro nome no filme: Tarragon. Girassol, cujo primeiro nome é Trifólio, é mencionado como Cuthbert, como na tradução inglesa.
:: Uma adaptação impressa com imagens extraídas do filme foi publicada a partir do número 41 da revista Tintin, em de 14 de outubro de 1969. Na verdade, era um tapa-buraco para compensar a ausência de novas criações de Hergé no semanário belga. A 17ª e última página foi publicada no número 6 de 1970, lançado em 10 de fevereiro. Entre as edições 4 e 8 daquele ano, a revista publicou uma série de matérias especiais intitulada "Le roman vrai de Belvision", sobre os bastidores do filme, apresentando fotos e entrevistas com a equipe.
Capa da edição 41 do Journal de Tintin e página 52 com a primeira parte da aventura extraída do filme.
:: Entre 1966 e 1973, Hergé não trabalhou em nenhum álbum inédito de Tintim. Ele teria usado como desculpa os preparativos para os filmes "O Templo do Sol" e "O Lago dos Tubarões". Na verdade, conta-se que ele teve pouca influência sobre a produção.
:: A versão nacional do filme, lançada em DVD, exibida na TV e agora disponível no Netflix, exclui uma cena de quase 3 minutos. Trata-se de uma canção entoada por Zorrino, "Ôde à la nuit". Não se sabe o motivo para o corte da sequência musical, composta por Jacques Brel.
:: O filme conta ainda com outra música, desta vez um dueto entre Zorrino e a princesa inca. Com um tom mais emotivo, "La chanson de Zorrino" é a única parte do filme que desenvolve, ainda que superficialmente, o sentimento romântico entre os jovens nativos. A inclusão de canções no longa pode ter sido um artifício para se aproximar das animações dos estúdios Disney, conhecidas por seus grandes musicais.
:: Na versão original, Zorrino foi dublado por uma mulher, Lucie Dolène, atriz e cantora francesa.
:: Tintim não usa calças de golfe, como nos álbuns originais, mas sim uma calça comprida marrom, similar à que apareceria em sua última aventura completa, "Tintim e os Pícaros".
:: O longa foi lançado em VHS no Brasil pela America Vídeo em 1988, com o título "Tintim e o Templo do Sol". Na época, o lançamento ganhou destaque no jornal Folha de S. Paulo.
: O filme está disponível na íntegra online através do YouTube. Clique aqui para assistir e veja também algumas artes conceituais dos personagens.
:: Confira o trailer original do lançamento no Brasil. Créditos: tujaviu.com.
:: Elenco de dublagem (francês e brasileiro):
Tintim - Philippe Ogouz: Oberdan Junior
Capitão Haddock - Claude Bertrand: Isaac Bardavid
Professor Girassol - Henri Virlojeux: Orlando Drummond
Dupont - Guy Pierrault: Darcy Pedrosa
Dupond - Paul Rieger: Márcio Simões
Zorrino - Lucie Dolène: Pedro Eugênio
Professor Tarragon - André Valmy: Leonel Abrantes Médico
Médico .- Serge Nadaud: Miguel Rosenberg
Homem gago - Jacques Balutin: Guilherme Briggs
Grande Inca - Jean Michaud: Carlos Seidl
Palestrante - Roland Ménard: Pietro Mário
:: O primeiro filme de Tintim, de fato, foi baseado no álbum "O Caranguejo das Tenazes de Ouro". A animação, em stop-motion, nunca foi lançada comercialmente nos cinemas. Saiba mais aqui.
As Aventuras de Tintim estão cheias de objetos memoráveis. Do foguetão lunar ao ídolo Arumbaya, do cetro de Ottokar até os cogumelos "infláveis", são vários os ícones que associamos rapidamente a cada história. Uma lata de Crabe Extra é o estopim da aventura que marca o primeiro encontro entre Tintim e o Capitão Haddock, "O Caranguejo das Tenazes de Ouro". Os caranguejos em conserva de Omar Ben Salaad ganharam tanta fama que já viraram tema de obra de arte de Andy Warhol. Mas, será que é possível para um tintinófilo comum adquirir um item tão mítico? Vou te mostrar que sim, e sem desembolsar nenhuma fortuna.
A 'tintinófila' Pamela Reis nos ensinou como fazer sua própria lata de Crabe Extra (como esta aí da foto). Confira o passo-a-passo:
Você vai precisar de:
Uma embalagem para Clips nr.2/0 galvanizado (lata c/500g);
Uma fita métrica;
Uma régua;
Uma caneta;
Um tubo de cola;
Um estilete;
Uma faca de serra;
Uma lixa média.
Como fazer:
Abra a lata e demarque 2,5 cm na parte superior da maior parte. Tente fazer um traçado perfeito, use a fita métrica para ajudar. (Caso queira fazer uma lata grande, não será preciso cortá-la.)
Depois de cortada, use a lixa para alisar o lugar do corte e retire todo o rótulo original da lata.
Após fazer isso, tampe a lata e veja se a tampa se encaixou bem.
Meça com a fita métrica ou a régua e veja se ela está com a altura uniforme.
Pegue a folha onde você imprimiu o rótulo “Crabe Extra” (disponível neste link) e confira as medidas para ficar perfeito para a lata. Use a régua e o estilete e recorte o rótulo.
Passe cola na lata em um traçado vertical (não precisa ser muita cola), depois cole a borda da lata até completar a volta inteira. Cole a outra borda sobre a primeira e pronto!
Agora você já tem sua lata Crabe Extra.
Se preferir, você pode também usar uma daquelas latas pequena de batata chips. Aí você escolhe o que fazer com a lata: um porta-lápis, um cofrinho, um peso para livros (como Pamela fez) ou mesmo um objeto de decoração. Faça a sua e não esqueça de mandar o resultado para a gente.