AS AVENTURAS DE TINTIM 2

Tudo o que sabemos sobre a possível sequência de Tintim

TPT ENTREVISTA ISAAC BARDAVID

Confira o bate-papo com o saudoso dublador do Capitão Haddock

TPT ENTREVISTA O PRIMEIRO TINTIM DO CINEMA

Jean-Pierre Talbot falou tudo sobre os dois filmes de Tintim com atores reais

TPT ENTREVISTA O DUBLADOR DE TINTIM

Oberdan Jr conversou com o blog em vídeo de duas partes. Confira!

27 setembro, 2015

Tintim, o eclipse e a Lua

Acontece neste domingo, 27 de setembro de 2015, um eclipse lunar total, que poderá ser visto do Brasil por volta das 23 horas. O fenômeno coincide com a superlua, momento em que o satélite natural da Terra se encontra em seu ponto mais próximo da do planeta, o Perigeu, ficando com um tamanho e brilho incomuns. Segundo os astrônomos, a coincidência só deve ocorrer novamente em 2033.

Quem acompanha as aventuras de Tintim sabe como o repórter é interessado em astronomia. Selecionei aqui três momentos que comprovam isso.

O primeiro deles acontece em "A Estrela Misteriosa", álbum publicado em 1942. A história já começa com um evento incomum: Tintim visualiza uma estrela cadente e, em seguida, percebe uma estrela a mais na constelação Ursa Maior. Intrigado, resolve entrar em contato com o Observatório, que realmente existe na cidade de Uccle, Bélgica. A seguir, fenômenos estranhos acontecem, como o aumento da suposta estrela e um calor de derreter asfalto. Tudo leva a crer que o fim do mundo está próximo, até que o misterioso astro cai no Ártico e Tintim, Milu e o Capitão Haddock passam a integrar uma expedição científica para encontrá-lo.

© Casterman/Moulisnart
Será que Tintim vive uma aventura mais astronômica do que essa? Claro que sim! Anos depois, nos álbuns "Rumo à Lua" (1953) e "Explorando a Lua" (1954), Tintim está envolvido na primeira viagem do homem ao satélite natural da Terra. No primeiro álbum, o Professor Girassol constrói um foguete atômico que é vítima de várias tentativas de sabotagem de uma organização inimiga. Na continuação, Tintim embarca ao lado de Milu, Haddock e do Professor e, mesmo com a interferência dos Dupondt e as trapalhadas da tripulação, consegue pisar em solo lunar. O enredo impressiona por acertar tantos detalhes que o homem só confirmaria anos depois, como a reação à gravidade zero e a presença de gelo na Lua.

© Casterman/Moulinsart

Vale mencionar também a ocasião em que Tintim presencia um eclipse. Prisioneiro dos Incas em "O Templo do Sol" (1949), o repórter procura uma saída para a execução até que encontra, por acaso, um recorte de jornal que fala sobre um eclipse solar que ocorreria exatamente no dia fatal. Usando a mesma tática de Cristóvão Colombo, que teria se aproveitado de um eclipse lunar para escapar dos nativos americanos que aprisionaram sua tripulação na época do Descobrimento, Tintim ameaça apagar o Sol caso ele e seus companheiros não sejam poupados. Adoradores de Pachacamac, o deus sol, os Incas se veem obrigados a libertar o rapaz, o Professor e o Capitão, que seriam queimados por ousarem invadir o Templo do Sol.
© Casterman/Moulinsart
Isso é o bastante para mostrar o quanto Tintim, ou melhor, Hergé, se interessava por astronomia. E as aventuras de Tintim estão cheias de outras curiosidades para todos os gostos. Vale a pena ler.

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25 setembro, 2015

Veja trechos da peça musical "As Jóias da Castafiore"

Estreou no dia 17 de setembro, na Bélgica, a peça teatral baseada no álbum "As Jóias da Castafiore" (1963). Organizado pela associação Ópera pour Tous (Ópera para Todos), o musical teve um público de aproximadamente 1.800 pessoas, que tiveram que se agasalhar para evitar o frio da noite de Bruxelas. O espetáculo é apresentado ao ar livre no Castelo de la Hulpe, e deve passar uma temporada em outras cidades belgas e francesas.


O canal Mega TV realizou uma reportagem sobre a ópera inspirada nos quadrinhos de Hergé. Confira no vídeo abaixo e, a seguir, veja trechos e cenas dos bastidores do musical estrelado por Amani Picci (Tintim), Hélène Bernardy (Bianca Castafiore) e Michel de Warzée (Capitão Haddock).




Saiba mais sobre a organização do espetáculo clicando aqui.


Fotos: AFP

Leia também: Álbuns de Tintim serão adaptados para o rádio.
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Porque Tintim merece um projeto nível Graphic MSP

Chegaram às livrarias nos últimos meses os novos volumes da coleção Graphic MSP, Turma da Mônica: Lições e Turma da Mata: Muralha. O selo, criado pela Mauricio de Sousa Produções e publicado pela Panini Comics, traz uma série de graphic novels estreladas por personagens clássicos do quadrinista brasileiro, só que no traço (e roteiro) de outros artistas do país.


A turma da Mônica, Chico Bento, Astronauta e o mundo pré-histórico do Piteco já foram retratados nos primeiros volumes, todos de qualidade impecável, dignos de um espaço na estante de qualquer fã da nona arte.

Mas onde entra Tintim nessa história? Bem, a maior justificativa para não publicarem um álbum inédito de Tintim é o respeito ao desejo expresso de Hergé, de que o repórter não deveria ser desenhado por outro artista. Mas uma coleção no estilo da Graphic MSP seria não menos que uma homenagem ao pai de Tintim, ideia que é compartilhada por outros fãs ao redor do mundo.

Sem dúvidas, Mauricio de Sousa não deve achar que uma das novas versões de seus personagens seja uma ameaça, muito menos um desrespeito, aos originais. Pelo contrário, o selo tem dado ainda mais visibilidade à obra do artista, pois despertou a atenção de um público mais adulto, que em sua maioria já tinha deixado de lado os gibis da Turma da Mônica - como este que vos fala.

Tudo bem, talvez não seja certo passar por cima da vontade do autor, mas continuo dizendo: a iniciativa valeria como uma bela homenagem ao legado de Hergé. Enquanto isso não acontece, se é que tem chances de acontecer, veja porque vale a pena ler os álbuns da Graphic MSP (que estão disponíveis capa dura e cartonada).

:: Astronauta: Magnetar. Eu não havia me interessado pelo álbum porque nunca fui um grande fã do personagem, apesar de curtir o clima das historinhas. O título também não chamou minha atenção, afinal, quem sabe o que é um Magnetar? Mesmo assim, comprei a edição em capa dura - para minha sorte, a única que encontrei - só para completar a coleção, e me surpreendi com a qualidade. Magnetar traz uma história de aventura e solidão, um drama psicológico com ilustrações belíssimas. O segundo volume desenhado por Danilo Beyruth, Astronauta: Singularidade, tem mais ação e romance, mas não deve nada ao primeiro. Vale mencionar que o protagonista que lembra o Tintim no uniforme lunar, com direito ao topete.

:: Turma da Mônica: Laços. A HQ dos irmãos Vitor e Lu Cafaggi é uma ode à amizade. Com um clima que remete aos filmes infantis dos anos 80, a história mostra a turma da rua do Limoeiro indo em busca de Floquinho, o cachorrinho do Cebolinha, que desapareceu. O grande destaque da obra são os desenhos dos irmãos Cafaggi, belíssimos e inovadores. Os flashbacks ilustrados por Lu são uma atração à parte, um toque de 'fofura' que faz da obra uma das favoritas da coleção. A sequência Turma da Mônica: Lições, foi lançada recentemente, mas ainda não tive o prazer de ler.

:: Chico Bento: Pavor Espaciar. Gustavo Duarte assina uma aventura muito "especiar" estrelada por Chico Bento e Zé Lelé, com as participações ilustres do porquinho Chovinista e da galinha Giserda. Regado de referências à cultura pop (até Michael Jackson tem direito à sua homenagem), a HQ acompanha Chico e seu primo quando os dois são abduzidos por uma nave alienígena! Duarte usa um humor visual para contar uma história engraçada e bem no clima dos gibis originais do personagem. As sequências dão um movimento quase cinematográfico à aventura rural.

:: Piteco: Ingá. Assinado pelo paraibano Shiko, é uma das adaptações mais surpreendentes da série. O enredo aprofunda a (pré) história do carismático homem das cavernas criado por Mauricio, com desenhos e cores de deixar qualquer um boquiaberto. Mesmo com o rumo meio místico que a aventura acaba tomando, é um deleite acompanhar o resgate a Thuga, que passa a ter um papel bem mais relevante que uma boba apaixonada (e muito divertida). Se tem um ponto negativo que esta HQ revela sobre a coleção é que o número de páginas poderia ser maior.

:: Bidu: Caminhos. Se eu usei o termo 'fofura' ao falar de Laços, não sei como ser mais constrangedor falando dessa emotiva historinha do cachorrinho do Franjinha (pronto, acho que o excesso de diminutivos superou). A HQ de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho se propõe a dar uma origem ao primeiro personagem de Mauricio de Sousa, e faz isso com louvor. A arte é divertida, sensível (e onomatopeica) e não falha na apresentação de alguns companheiros clássicos dos quadrinhos do esperto Schnauzer azul. Simplesmente mais um acerto.

Além dos mencionados, já foram lançados os títulos Penadinho: Vida e Turma da Mata: Muralha, que ainda não comprei, mas já têm sido muito elogiados. Para o futuro, estão confirmadas as adaptações de Papa-Capim e Louco - que já tem título, "Fuga", e será lançado na FIQ, em novembro. Se as novas edições seguirem a linha das anteriores, com certeza valerá a pena adicioná-las à coleção.

Dá pra ver que, se o selo tem virtudes, uma das maiores delas é permitir que os artistas deem uma abordagem diferente aos personagens que estamos acostumados, seja para um tom mais emocional, mais maduro, seja para um estilo de humor diferente. Imagina isso com Tintim...

Imaginou? Então vai gostar do artigo: Um pastiche oficial de Tintim.
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14 setembro, 2015

Conheça o parque temático de Tintim

Você já ouviu falar no parque temático de Tintim? Eu aceito um não como resposta. Afinal, ele não existe mais, o que é uma pena, mas já foi um grande sucesso décadas atrás.

O parque Walibi abriu suas portas em 26 de julho de 1975. Seu nome deriva das primeiras letras de Wavre, Limal e Bièrges, três cidades da província belga de Brabant Wallon, onde o parque está situado. Ele foi, durante anos, considerado a Disneylândia dos tintinófilos. Você vai entender o porquê.

Clique nas imagens para ampliá-las.

Uma das atrações se chamava Le Temple du Soleil, evidentemente baseada no álbum "O Templo do Sol". Era um dark ride - passeio em que os visitantes encontravam diferentes cenas com os personagens e cenários da aventura de Tintim no Peru, todos de acordo com Hergé. A atração foi inaugurada em 25 de agosto de 1975, sendo a primeira de uma série de projetos de entretenimento oriundos de um contrato com a Editions du Lombard. Durante o inverno de 1979-1980, o parque teve que encerrar a atração baseada no álbum, pois a capacidade de público era menor que a garantida pelo fabricante, acarretando em imensas filas e problemas de segurança.


Com o encerramento do brinquedo, em 1980 o parque inaugurou uma atração maior e mais moderna, Le Secret de la Licorne. O lançamento contou com a presença da rainha Paola, da Bélgica, e fez um grande sucesso entre o público.


Com notável inspiração nos "Piratas do Caribe" dos parques Disney, o brinquedo proporcionava um passeio de barco através da história do antepassado do Capitão Haddock e seu rival, o pirata Rackham, o Terrível (dublado por Bob de Moor, colaborador e amigo de Hergé). Situada em um castelo, 85 animatrônicos e cenários baseados nos álbuns "O Segredo do Licorne" e "O Tesouro de Rackham, o Terrível" serviam de fundo para a atração, que contava com uma cena final, uma batalha naval, descrita como impressionante para a época.

Edição de "O Segredo do Licorne" disponível em 250 exemplares na inauguração da atração dedicada ao álbum.
Tintin dans la jungle (Tintim na floresta) era um passeio de barco ao ar livre inspirado em "O Ídolo Roubado". Inaugurado no final dos anos setenta, levava os visitantes em jangadas de madeira através de uma lagoa cercada de animais inanimados e personagens de Tintim. Comparado ao "Jungle Cruise", da Disneyland, o passeio foi substituído por outra atração, sem relação com Tintim, em 1987.


Outras atrações ao ar livre foram inauguradas em 1979. Pampa Ponies era um passeio em pôneis mecanizados com base em "Tintim na América". Nos Mini-Jeeps, passeio baseado em "A Estrela Misteriosa", os visitantes faziam uma trilha através dos cenários do álbum, incluindo uma aranha, maçãs e cogumelos gigantes.


Tintin Show foi uma experiência cinematográfica criada especialmente para o parque. Durou de 1984 a 1989, quando foi substituído por um cinema 3D. No verão de 1987, foi inaugurado o Aqualibi, um parque aquático coberto construído na entrada do Walibi. Apesar de não estar diretamente ligado a Tintim, vários elementos de design de "O Cetro de Ottokar" foram usados na entrada e na fila.

Em 1995, o parque virou cenário de um programa de TV exibido pela RTBF, "L'Énigme du Cristal", game show semanal de verão, com 13 episódios transmitidos nas noites de domingo. As perguntas quue faziam parte da competição entre famílias eram baseadas nos quadrinhos de Tintim, e as brincadeiras eram apresentadas no parque Walibi.


No final da temporada de 1995, a atração "O Segredo do Licorne" foi considerada datada pela direção do parque, o que levou ao encerramento do brinquedo. Depois de uma crise, o parque tentou renovar o contrato sobre os direitos de imagem de Tintim, em 1997. Porém, agora sob a administração da Moulinsart S.A., a negociação não avançou. O parque continua com novos administradores, mas todas as referências à obra de Hergé foram retiradas. Uma pena, pois este seria mais um destino curioso para os tintinófilos que visitam a Bélgica.

Com informações da Wikipedia e Tintinologist.
Agradecimento ao leitor Marcus Vinicius ~ @mvmotoca.
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25 agosto, 2015

Série "As Aventuras de Tintim" estreia em breve no Netflix

Parece que os fãs de Tintim vão acabar com o jejum da série - bom, pelo menos os assinantes do Netflix.


Depois do filme "As Aventuras de Tintim" (2011), chegou a vez de novos conteúdos relacionados ao famoso repórter darem as caras no Netflix - do Brasil, porque lá fora isso já não é novidade. Nas próximas semanas, tanto a série de TV produzida pela Nelvana como os filmes da Belvision devem ser disponibilizados para os usuários do serviço.

ATUALIZAÇÕES:

23/10: Segundo o Filmes-Netflix, a série da Nelvana estará disponível já no dia 31 de outubro de 2015.

14/10: Os filmes "O Caso Girassol" e "O Templo do Sol" estão disponíveis no Netflix.

09/10: Segundo o blog Filmes-Netflix, a série da Nelvana estará disponível a partir de 1° de novembro de 2015. Quanto aos filmes, o mesmo blog explica que o lançamento teria sido adiado por tempo indeterminado, podendo ou não ser disponibilizado futuramente (sem previsão).

14/09: De acordo com o blog Filmes-Netflix, os três longas de Tintim têm estreia marcada para o dia 1° de outubro de 2015.

Os longa-metragens de animação O Templo do Sol (1969), O Caso Girassol (1964) e O Lago dos Tubarões (1972) já foram lançados em DVD no Brasil pela PlayArte, com o retorno dos dubladores clássicos da série de TV.

A série The Adventures of Tintin, produzida no início dos anos 1990 pela Ellipse-Nelvana, teve grande êxito no Brasil em sua passagem pela TV Cultura. Baseada em 21 dos 24 álbuns de Hergé, o desenho animado foi um dos maiores responsáveis pela popularização de Tintim no país, tendo passado pelo horário nobre da emissora paulista. Os 39 episódios também foram exibidos em canais fechados, como HBO Family e Cartoon Network, além dos canais Futura e PlayTV. Recentemente, uma fã criou um abaixo-assinado pedindo o retorno da série à TV Cultura.


O TPT teve acesso à informação de que os filmes e episódios estão passando por um processo cuidadoso de tradução das legendas, e devem trazer também a opção de áudio dublado em português. De acordo com o blog Filmes Netflix - que sempre traz informações confiáveis sobre os lançamentos do serviço de streaming -, os títulos estarão disponíveis em breve, sem data definida - possivelmente daqui a mais de 30 dias. Inclusive, suas respectivas páginas de descrição em português já estão disponíveis no site do Netflix (clique nos títulos para ver).

Agradecimento ao tintinófilo Douglas Cunha.
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18 agosto, 2015

Tintim: A amizade como arma e escudo - Parte Final

Finalmente chegamos à quarta e última parte do artigo escrito pela leitora Carmem Toledo, discutindo a amizade presente nos álbuns de Tintim à luz da Filosofia. Confira as partes anteriores aqui, e boa leitura!

Os melhores amigos de Tintim: a amizade como arma e escudo

O leitor percebeu que [até aqui] não foram mencionados outros personagens, como Dupond e Dupont, Professor Girassol, Bianca Castafiore e os vilões. Nossas atenções devem se voltar aos dois melhores amigos de Tintim, aqueles que mais estão presentes em sua vida: Milu, com sua inocência de animal irracional, trabalha com o instinto, auxiliando seu dono em todos os momentos, como já foi dito anteriormente. Capitão Haddock é a manifestação dos impulsos emocionais ditados pelo momento. Tintim é o raciocínio lógico, a ética em exercício. O encontro proporcionado pela amizade dos três representa a formação do herói, a totalidade da força, o poder possível reunido em três seres finitos e comuns.


Como decidi “me aventurar” e recorrer à Filosofia para explicar a ideia de amizade, acho justo citar alguns filósofos célebres para reforçar sua relação com os valores adotados em sociedade e refletidos nas obras artísticas e literárias. Não pretendo forçar ninguém a enxergar “As aventuras de Tintim” como uma obra filosófica! Desejo apenas fazer com que os admiradores de Tintim percebam o quanto e há quanto tempo a necessidade de companheirismo é pensada – antes mesmo que os tataravós de Sir Francis Haddock viessem a existir!

Para início de conversa, Cícero, nos tempos antigos, foi um dos principais filósofos a tratar da amizade, afirmando que esta é própria do ser humano e somente se pode encontrar entre os bons. Escrevia ele:
“Eu só posso aconselhar-vos a que a coloqueis sobre todas as conveniências da vida; porque nenhuma coisa tão conforme à natureza, nem tão a propósito para os casos favoráveis ou adversos. Mas em primeiro lugar sou de parecer que não pode haver amizade senão entre homens de bem”¹
A amizade, portanto, segue as leis da natureza e se faz presente nos momentos bons e maus. De fato, não é somente durante os perigos que Tintim se vê amparado pelos amigos, mas também nos momentos de descanso e de comemoração, como pode ser visto no final de “O tesouro de Rackham, o Terrível”, quando está com Professor Girassol no evento promovido por Capitão Haddock intitulado “O Salão do Mar”. Como bem diz a fala do Capitão, parafraseando Shakespeare, “tudo bem quando acaba bem”.

"O Tesouro de Rackham, o Terrível", página 62.

Em outras palavras, a filosofia apresenta o pensamento de que a natureza, com sua perfeição, fez com que os homens precisassem uns dos outros, independente das circunstâncias. Também é possível explicar isso recorrendo às palavras do filósofo Étienne De La Boétie:
“... a natureza, ministra de Deus e governante dos homens, fez-nos todos da mesma forma e, ao que parece, na mesma fôrma, para que entreconhecêssemos todos como companheiros, ou melhor, como irmãos. E se, fazendo as partilhas dos presentes que ela nos dava, cedeu alguma vantagem de seu bem ao corpo ou no espírito, a uns mais que aos outros, (...) é de se crer que, atribuindo assim as partes maiores a uns, aos outros as menores, queria fazer lugar ao afeto fraternal para que ele tivesse onde ser empregado, tendo uns o poderio de dar ajuda, os outros necessidade de recebê-la.”²
Assim sendo, a amizade é o elo que reúne esses três elementos essenciais que compõem o heroísmo: o instinto a ser seguido, o impulso vigoroso e a atividade refletida. Os amigos se completam. Esta é a arma e o escudo de Tintim. Não são necessários superpoderes, fórmulas mágicas, transformações irreais, imortalidade ou força bruta. A amizade ajuda Tintim a superar as dificuldades, sem se distanciar de sua essência puramente humana. Ela é o poder que faz com que o herói transcenda a dor, sem desejar a infinitude dos super-heróis irreais. Desta forma, aceita seus limites humanos e se distancia da miséria daquele que, desprezando sua humanidade, tenta se assemelhar aos deuses – o que o tornaria desfigurado e vulnerável a servir às forças malignas que se aproveitam da fraqueza moral da potência sem limites, tão duvidosa para o próprio super-herói, que o torna escravo da inconstância de sua identidade. Para confirmar essa tese, é justo citar, mais uma vez, La Boétie:
“E de resto, se essa boa mãe [a natureza] deu-nos a todos a terra inteira por morada, alojou-nos todos na mesma casa, figurou-nos todos no mesmo padrão, para que cada um pudesse mirar-se e quase reconhecer um no outro; (...) e se tratou por todos os meios de estreitar e apertar tão forte o nó de nossa aliança e sociedade; se em todas as coisas mostrou que ela não queria tanto fazer-nos todos unidos mas todos uns – não se deve duvidar de que sejamos todos naturalmente livres, pois somos todos companheiros; e não pode cair no entendimento de ninguém que a natureza tenha posto algum em servidão, tendo-nos posto todos em companhia.”³
Tal é a causa do vigor e da incessante esperança que sempre está na base de todas as aventuras do herói belga: Tintim é livre, pois é uma criatura da natureza, um ser comum, com qualidades e fraquezas, que possui companheiros que o complementam e fortalecem. Segundo o pensamento aristotélico, Tintim é feliz uma vez que, sem amizade, ninguém é feliz. São as diferenças existentes entre ele e seus amigos que os fazem tão semelhantes e virtuosos.
“A amizade também ajuda os jovens a afastar-se do erro, e aos mais velhos, atendendo-lhes às necessidades e suprindo as atividades que declinam por efeito dos anos. Aos que estão no vigor da idade ela estimula à prática de nobres ações, pois na companhia de amigos — 'dois que andam juntos' — os homens são mais capazes tanto de agir como de pensar.”
Nota-se a riqueza de uma “simples HQ” pelos valores transmitidos na base da construção de sua trama. Tintim, mais que um repórter aventureiro, é a cristalização dos pensamentos mais profundos daqueles que viveram muito antes de seu criador; o exemplo lúdico da ciência que questiona o mundo e os homens; a prova de que o maior ingrediente secreto para a criação de um herói está ao alcance de todos os mortais.

Carmem Toledo
Fã de Tintim há 20 anos e, como ele, sedenta de boas histórias

Notas
1. CÍCERO, Diálogo sobre a Amizade, Cap. V, p. 27
2. LA BOÉTIE, Discurso da servidão voluntária, p. 17
3. Idem, ibidem.
4. ARISTÓTELES, Ética a Nicômaco, p. 170
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10 agosto, 2015

Segundo filme de Tintim pode ter perdido roteirista

Parece que temos uma notícia quente sobre o segundo filme de Tintim. Mas, infelizmente, a novidade pode não ser das melhores.

Anthony Horowitz (foto), contratado para escrever o roteiro da sequência do filme "As Aventuras de Tintim" (2011), aparentemente não faz mais parte do projeto. "Ouvi dizer que a sequência de Tintim será filmada no ano que vem. Você ainda está escrevendo o filme?", perguntou um seguidor no Twitter. "Não. Acho que fui demitido", respondeu ele.


Isso pode ou não indicar sua saída do projeto, já que em ocasiões anteriores o roteirista negou saber a que pé andava a continuação. Mas será uma pena se acontecer. Anthony Horowitz já se declarou fã de Tintim desde a infância, além de ter assinado obras literárias aclamadas, como a série juvenil Alex Rider e os novos livos de James Bond e Sherlock Holmes, bem como episódios da série de TV "Agatha Christie's Poirot". Sem falar que, com sua saída, será necessário contratar novos roteiristas, atrasando ainda mais a produção.

A sequência do filme de 2011 já teve seu título ligado ao álbum "O Templo do Sol", que chegou a ser confirmado e logo depois desmentido pelo próprio Horowitz. Recentemente, o ator Jamie Bell também falou sobre a sequência, indicando que as gravações poderiam ocorrer em 2016. Porém, o próprio site de Tintim já havia noticiado que Peter Jackson não deve investir no projeto por agora, pois pretende se dedicar a filmes menores.


Jamie Bell conta que 'Tintim 2' pode ser rodado em 2016

Sabem mesmo o que eu acho? Talvez não falte vontade da parte de Steven Spielberg e Peter Jackson para dar continuidade à franquia, quem sabe até produzindo a tão sonhada sequência. O desinteresse certamente vem dos estúdios (Sony e Paramount), que enfrentaram problemas no início da produção do primeiro filme, investiram muito e arrecadaram pouco.

O que deve acontecer a seguir? Caso o filme não seja confirmado até 2017, os direitos voltam para a Moulinsart (saiba mais). Daí, ou não veremos uma sequência de Tintim em captura de movimentos, ou levaremos alguns anos até ver um reboot da franquia, talvez com atores reais. É esperar pra ver.

Fonte: A113.
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